TV digital e a distribuição de conteúdo

por Alexandre Fugita

TV digital Demorei um pouco para escrever este texto, o timing ideal teria sido dois dias atrás, na estréia da TV digital no Brasil. O vídeo de lançamento foi bastante interessante, com um mashup de cenas memoráveis da época analógica. Concordo que a evolução que o novo serviço traz é comparável à transição do preto e branco para a TV em cores.

Fui a uma loja de SP para conferir a tão falada qualidade de imagem digital. O aparelho de TV era um Full HD 1080i, 50 polegadas e o programa, uma novela da Globo. Enquanto a qualidade da imagem é impressionante, não podemos falar o mesmo do programa que estava passando…

O grande problema da TV digital é o mesmo da TV analógica e aparentemente continuará assim por muito tempo e se chama distribuição de conteúdo. A mesma restrição de escolha, a mesma restrição de grade de programação, a mesma escassez que essa mídia sempre ofereceu, continua.

O advento da internet nos acostumou mal, consumimos conteúdo quando, onde e o que quisermos. Nós fazemos as escolhas, temos variedade para selecionar aquilo que nos agrada, essas coisas. Na internet temos abundância e os filtros personalizados, bem diferente da escassez encontrada na forma de distribuição da TV digital ou analógica.

A qualidade da imagem é o diferencial, como diria o Solon. Mas em termos práticos é só isso que está mudando. O que importa, ou seja, a possibilidade de escolha que a internet nos ensinou, continua restrita à grade imposta pela emissora de TV. Já havia dito isso antes, mas minha TV digital é a internet. Prefiro mil vezes a variedade e liberdade de escolha de um YouTube.

(*) imagem deste post, via Flickr

O interesse da Google nos 700 Mhz

por Alexandre Fugita

700 Mhz Ontem a Google anunciou oficialmente a intenção de dar um lance no leilão da faixa de 700 Mhz – liberado pela antiga TV analógica – para prover acesso móvel à interweb lá nos EUA. Daí vem a pergunta que não quer calar: por que diabos a Google, gigante de buscas e publicidade on-line, teria esse interesse diferente do seu negócio principal? Seria algo pra dominar o mundo ou outra coisa?

As razões podem ser variadas, mas o press-release desta oficialização dá umas dicas. O Eric Schmidt, CEO da gigante de Montain View, diz que qualquer que seja o resultado do leilão, os consumidores serão beneficiados por uma rede mais aberta, própria para tráfego de dados dos widgets e mashups que caracterizam a web como plataforma.

Relacionando o assunto com a controvérsia da Net Neutrality, as coisas começam a fazer mais sentido. Talvez a Google queira evitar para o mercado de internet móvel uma nova discussão de neutralidade da rede que ameaçou tomar conta da internets e que culminou com a declaração humorística do senador americano Ted Stevens, de que a internets é uma série de tubos. A mobilidade não quer ficar refém dos tubos.

E realmente para nós consumidores, toda aquela ladainha de arrepiar os cabelos dos executivos das bells americanas, da Google exigir do FCC que a faixa dos 700 Mhz siga alguns princípios de acesso aberto, traz benefícios. A oferta mínima de US$ 4,6 bi, se atingida por qualquer um (leia-se Google ou concorrentes) garante uma rede móvel aberta. Se ninguém atingir esse valor – o que duvido muito – vai haver um segundo leilão no qual os princípios não são garantidos.

E aí entra a questão do Android OS e do Open Handset Alliance, como isso se encaixa? Fácil! O Android OS será um sistema operacional para suportar os widgets tanto da Google quanto aqueles feito pela comunidade de desenvolvedores que já se formou (aprenda com isso, Apple!). Provavemente a maioria desses pequenos softwares se comunicarão com a nuvem da internet, seja para obter dados de outros serviços, seja para trocar informações com o resto do mundo.

Esse é o pulo do gato. Uma rede 700 Mhz o mais aberta possível para tráfego de dados, junto com um sistema operacional baseado em widgets sedentos por comunicar-se com a nuvem. Tenho muitas razões pra acreditar que tudo isso mudará a forma como interagimos com nossos gadgets, internet e pessoas.

Vamos matar o IE6?

por Alexandre Fugita

IE6 Um texto do Techbits do começo deste ano atraiu a fúria de um leitor que chegou no site via pesquisa Google. O post fala sobre os problemas de segurança do Internet Explorer – 284 dias inseguro durante o ano de 2006 – e recomenda o uso de outros navegadores como o Firefox. Nenhuma novidade, apenas uma constatação.

Semanas atrás estava desenvolvendo o novo layout do Techbits. Tudo funcionava bem em navegadores modernos como o Firefox, o IE7, o Opera, o Safari, etc… Mas teimava em quebrar quando abria o site no IE6 e versões anteriores. Penei, gastei um bom tempo de desenvolvimento – juro, no mínimo duplicou esse tempo – tentando acertar os problemas, e quase escrevi este texto que você lê agora. Mas segurei, achei que o calor do momento – sim, apedrejei o IE diversas vezes – poderia atrapalhar minha argumentação.

Claro, concordo que cerca de 80% dos usuários ainda usem o IE como forma básica de acesso à web, poucos deles estão no IE7, que é a versão mais bem feita do navegador, mas fala sério, não pretendo mais desenvolver para o layout ficar certo do IE6 para baixo. O único jeito de acabar com esse bug da web é parar de desenvolver para ele.

A Microsoft liberou tempos atrás o Internet Explorer 7 para todo mundo, ou seja, para quem tem cópia pirata do Windows. Claro, usuário é preguiçoso, não vai atualizar. Não vou ficar aqui falando maravilhas do Firefox, para não dizerem que sou favorável a ele (e sou mesmo). Cada um decide o que é melhor como janela para a web. Torço apenas que todo mundo atualize pelo menos para o IE7, por uma web melhor, com menos bugs e tempo de desenvolvimento reduzido.

A utopia do wi-fi municipal

por Alexandre Fugita

Wi-fi A revista Veja da semana passada trouxe uma matéria que falava da implantação de redes wi-fi em cidades (só para assinantes, infelizmente), por toda sua extensão, para acesso gratuito à internet. Uma das capitais que terá essa tecnologia já em 2008 será Belo Horizonte, Minas Gerais. Ao mesmo tempo que acho essas iniciativas de facilitar o acesso móvel à internet interessantes, tenho uma crítica mostrando que essa idéia de rede wi-fi municipal é uma utopia que jamais será atingida.

Quem usa internet móvel sabe, rede de dados via celular é mais útil do que wi-fi quando falamos de mobilidade. Defendo isso desde antes de baratearem os preços – ainda caros – do acesso via celular. E conheci pessoas que pensam da mesma forma como a Lu Monte, do Dia de Folga, de Brasília. Claro, sei que existem cidades no Brasil como Sud Menuci que tem rede municipal sem fio, ou ainda lá em Montain View, com rede fornecida pela Google, que parece que teve o projeto paralisado.

A grande vantagem da rede celular para acesso à internet é a disponibilidade da mesma. Não preciso caçar redes wireless (wi-fi) pelos hotspots da vida. Não preciso tomar um cafezinho naquele bar que oferece o serviço gratuitamente para os clientes. Não fico dependente do humor da Vex, que teima em não funcionar na maioria dos lugares.

Além disso, uma rede wi-fi é restrita ao hotspot. Não sei como funcionaria em uma rede municipal. Seria mesh, com possibilidade de transferência automática entre os hotspots? Lembre-se que cada hotspot tem no máximo uns 50 metros de raio. Impossível ser móvel deste jeito. Eu que uso smartphone, sei que o poder da internet está em usar continuamente, independentemente de região, sem interrupções, em movimento. De que adianta wi-fi municipal se eu preciso ficar parado em um lugar para acessar a grande rede.

A rede 3G da Claro está chegando, outras operadoras já fornecem soluções sem fio com preços razoáveis, pra quê achar ainda que wi-fi é internet móvel? Não é! Serve para usar em casa e no trabalho. Vez ou outra em um hotspot perdido por aí. Mas por ironia do destino, estou postando esse texto de um hotspot da Vex… de propósito…

Flickr Day, um passeio pelo Yahoo! Brasil

por Alexandre Fugita

FlickrNa última sexta-feira eu e o Merigo do Brainstorm#9 participamos, na sede do Yahoo! Brasil, de um evento chamado Flickr Day (ou Yahoo Day, versão Flickr). Antes de nós, a Lúcia Freitas e o Edney Souza já tinham participado. O encontro contou com a presença de heavy-users do Flickr, cada um com sua máquina fotográfica ultra-potente e um passeio pelas dependências da empresa.

O papel dos blogueiros presentes era fazer uma mini-palestra sobre um assunto de interesse dos usuários da rede social de fotos do Yahoo!. Eu falei sobre Creative Commons, e como as diferentes formas de licenciamento de fotos podem afetar a distribuição de um trabalho publicado na internet, e o Merigo mostrou como o Flickr tem sido usado em campanhas publicitárias de empresas, mundo afora.

Super máquinas!

Ultra Heavy Users

Os usuários eram realmente heavy. Minha máquina digital, uma Sony T1, parecia brinquedo perto daquelas objetivas, flashes e tudo mais. Uma das participantes, a Bruna a Iris, levou nada menos que 4 máquinas para o evento. Uma normal (como a minha), uma gigante (daquelas profissionais), uma polaróide (para instantâneas) e acho que tinha também a do celular.

Os demais não faziam feio. Cada um com suas técnicas, tiraram fotos de tudo quanto é canto. Algumas, selecionadas, estão neste álbum do Flickr. A surpresa veio no final para delírio dos fotógrafos. Fomos ao heliponto do Yahoo! e tivemos uma visão 360 graus da cidade de São Paulo, deste ponto aqui.

Escritório Yahoo! Brasil

Na visita pelos escritórios, conhecemos as mais diversas equipes. Ficamos sabendo que recebem cerca de 11 mil mensagens de suporte por semana. Descobrimos também que o esforço para regionalização dos serviços é enorme. E nos levaram para a área onde ficam os engenheiros (foto acima), isolada. Lá fomos recebidos com brincadeiras malucas. Por fim veio o questionamento, vô, num vô, sobre a hostess do evento.

Pasta de Amendoim

Há cerca de um ano, circulou no alto escalão do Yahoo! o manifesto da pasta de amendoim (também coberto no Techbits aqui). As preocupações apontadas no documento mostravam que muita coisa não estava certa na gestão da empresa. De lá pra cá muita coisa mudou, ao invés de compra desenfreada de expoentes da web 2.0, passaram a olhar com mais atenção seus produtos e serviços. Por exemplo, extinguiram o Y! Fotos em favor do Flickr. Integraram vários de seus serviços tornando a transição entre eles mais suave. Aparentemente o manifesto da pasta de amendoim está funcionando.

Veja as fotos dos usuários que participaram do Flickr Day:

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