O LOST e o novo paradigma da distribuição de conteúdo

por Alexandre Fugita

[Lost] Hoje estréia nos EUA a terceira temporada da série Lost. O que isso tem a ver com tecnologia? Fora o fato de todos os geeks assistirem, a pergunta é: como esses geeks vão assistir se a temporada, como já disse, estréia nos EUA e não no Brasil…? Fácil: BitTorrent. Pra quem não sabe o BitTorrent é uma forma rápida de compartilhar arquivos. Claro, a indústria de filmes, músicas e seriados enxerga essa tecnologia como o inimigo. Mas chegou a hora de eles entenderem que o modo tradicional que usam para distribuir conteúdo precisa de uma reviravolta urgente pois estão sendo atropelados pela tecnologia.

O novo broadcast

As formas tradicionais de distribuição estão com os dias contados. Nos dias atuais ser fã de um programa de TV é um problemão pois o tempo é escasso e nem sempre estamos disponíveis para ver a transmissão. As emissoras de TV e rádio também sofrem do mesmo problema pois o tempo disponível em suas grades de programação limita-se às 24 horas do dia. Ok, existe o videocassete pra gravar tudo isso. Existe? Atualmente aqui no Brasil as TVs a cabo distribuem conversores digitais que, entre outras funções, também gravam programas. Uma espécie de TiVo, muito comum nos EUA. Parte do problema está resolvido.

Mas vem da internet a solução completa: o tempo não é mais um problema pois assistimos de acordo com nossa disponibilidade e não seguindo as vontades do programador da emissora de TV. O conteúdo pode ser refinado de acordo com os gostos pessoais, ou seja, vamos gastar o tempo disponível apenas com o que realmente nos interessa. Achar tal conteúdo é facilitado pelos mecanismos de busca. Isso tá com cara de economia da Cauda Longa

O fim das mídias físicas

Ontem mesmo saiu um artigo no qual um executivo da Sony prevê o fim das mídias físicas no prazo de 5 anos. Estranho… deixa eu entender: não é a Sony que está gastando bilhões para emplacar o Blu-Ray? Mas então o que esse executivo da Sony está falando? Parece que eles finalmente entenderam que ninguém se importa com a guerra particular do HD-DVD vs. Blu-Ray. Que as mídias físicas descansem em paz (e se possível levem o DRM junto…).

Apesar de já existirem exemplos do novo broadcast (Amazon Unbox ou a Apple ITMS, entre outros) a indústria ainda teme entrar de vez neste mercado. Quanto mais demorarem, pior. A estréia da terceira temporada do Lost, que deveria ser restrita aos EUA mas pode ser considerada mundial, é uma prova disso.

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21 comentários
  1. Atropelados ?
    Eu diria Esmigalhados.
    Não tem a mínima chance de competir e precisam rever o negócio. Estas medidas de DRM visam minimizar um pouco este problema (para eles), só que não vai dar muito certo, visto que o Zune tentou incorporar isto e já deu um tiro no pé.
    E outra, logo logo arrumam uma forma de burlar isto.
    Inclusive, não sei se foi aqui que eu li sobre isto (estou com uma preguiça de procurar…), mas já descobriram uma brecha no DRM e a Microsoft se deu conta de lançar correção logo logo, nem mesmo esperando a segunda terça feira do mes. Para descobrirem outra é um pulo.

    “Ok, existe o videocassete pra gravar tudo isso”
    Videocassete ? :o
    Um blog de tecnologias falar de vídeo cassete ? :o
    Acho que você quis dizer gravador de dvd, não ? :p
    hahahah.. Brincadeira Alexandre!

    Grande abraço!

  2. É… se não podem vencer, juntem-se à nova tecnologia! O problema, claro, vem da forma de viabilizar isso como negócio. Um arquivo digital é muito mais fácil de ser copiado e isso faz tremer os executivos dos estúdios. E sempre acham uma forma de burlar.

    Sim, foi aqui que vc leu sobre a Microsoft corrigir o problema do DRM antes do patch tuesday! Foi uma crítica que fiz compararando as ações da empresa qdo o problema é com a segurança do usuário.

    Eu citei o videocassete mas logo em seguida questionei: “Existe?”, hehe! O negócio agora são os DVR’s como o TiVo…

    Falou!

  3. Sobre o arquivo digital poder ser copiado, eu vou um pouquinho mais longe: Será que o futuro será cobrar pelo arquivo ou achar outros meios de monetização do negócio ?

    Porque, na minha opnião, vão sempre ficar brigando para não deixar alguem copiar e SEMPRE alguem vai achar uma brecha para fazê-lo.

    Com relação à Microsoft, entendi a crítica. E com fundamentos, claro. Eu também até hoje não entendi porque raios a Microsoft deixa para lançar as atualizações em um dia único ao invés de as lançar assim que se desenvolve. Isto ainda não entrou na minha cabecinha oca.

    O vídeocassete foi só pra lhe zuar :p

  4. “Um arquivo digital é muito mais fácil de ser copiado e isso faz tremer os executivos dos estúdios. E sempre acham uma forma de burlar.”

    na verdade a característica central do que a gente chama ‘digital’ hoje é a possibilidade de um dado ser copiado infinitas vezes sem perda de qualidade (o que não acontece com as coisas ‘analógicas’… é por isso que os serviços de telefonia, televisão e etc são muito melhores digitais do que analógicos, pq vc consegue ‘copiar’ os dados do terminal (tv, celular) para a central sem perda de qualidade nenhuma.

    na minha opinião, qualquer modelo de negócio que pretenda ganhar dinheiro com mídia digital tem que levar isso em consideração… impedir o usuário de copiar os arquivos quantas vezes quiser ou de rodar em qualquer lugar é tão absurdo quanto se os estúdios de cinema, pra evitar a falência depois da invenção do videocassete, tivessem criado um tipo de fita que só pode ser assistido de terno e gravata em uma televisão dentro do banheiro :P…

    é tão aburdo quanto… em vez de utilizar os pontos positivos da nova tecnologia para criar um modelo atraente para os usuários, ele estão fazendo com que os usuários ignorem os pontos positivos e fiquem só com os negativos :s

  5. Rafael,
    Essa é uma briga de gato e rato. Cria-se uma trava… alguém vai lá e descobre como abrir… cria-se outra trava… e alguém de novo vai lá… e assim por diante.

    Monetizar, eis a questão. É capaz que o Google ou alguma mente brilhante invente algo inovador. Lembra do cara da página do milhão de dólares? Acabo citando o Google pq parece que estão fazendo testes com propagandas para rádio, algo assim.

    O caso da Microsoft parece que desta forma gasta-se menos e também cria um costume no usuário. Eu sei que o negócio do videocassete vc estava brincando, hehe!

  6. Olá Marcos Aurélio!
    Gostei da sua analogia! Muito bom, hehe! E é verdade, e não tinha pensado dessa forma, o arquivo digital diferencia-se do analógico por não perder a qualidade qdo copiado.

    Uma idéia de monetização seria de colocar propaganda no meio dos vídeos como se fosse na TV normal. O arquivo já vem com aquilo no meio… E claro, surgiu a Philips (se não me engano) que patenteou o bloqueio do FFW (fast-forwarding) nos DVR’s para impedir pular os comerciais…

    As pessoas não gostam do DRM por uma razão muito simples: impedem de fazer o fair-use, ou seja, “tocar” o arquivo digital onde vc bem entender, seja na TV, no computador, no Palm/ iPod ou no celular…

    Que alguém muito criativo tenha uma grande idéia que seja boa tanto pro usuário qto para o caixa das empresas. Esse vai ficar rico.

  7. Pirataria como modelo de negócios…

    Em uma semana que fomos surpreendidos com a venda do YouTube para o Google, e em um mundo que a distribuição de conteúdo enfrenta novos paradigmas, finalmente veio a declaração que todos esperavam: Anne Sweeney, presidente do grupo de TV Disney-AB…

  8. Alexandre,

    Eu e o Gui comentamos no último LostCast justamente o lance da audiência da série Lost nos EUA. Para espanto de muitos, a estréia da 3ª temporada teve audiência menor que a da 2ª temporada! Mas não significa necessariamente queda na audiência, já que a “febre Lost” só se alastra pelo mundo. O “X” da questão é que nunca foram vendidos tantos TiVos. Nesse ano de 2006 eles explodiram!

    Fora isso, há a distribuição pela internet, seja por meios legais ou ilegais (que eu nem acho exatamente ilegais, talvez um meio “cinza”). Ninguém mais quer ver TV seguindo a grade horária das emissoras. A audiência mudou!

    Publicitários e marqueteiros estão quebrando a cabeça. Como aferir esse povo todo? Como viabilizar anúncios nesses novos tipo de distribuição? É hora de arregaçar as manguinhas.

    Parabéns pelo Tech Bits, seus posts são de excelente qualidade, já faz um tempinho que o RRSfiquei mas é complicado comentar mais… em todo caso, só para avisar que estou sempre por aqui.

  9. Olá Bia!

    É um prazer receber seu comentário no blog! Sempre fico imaginando quem, dos bloggers/ podcasters que acompanho, lê os meus posts. E fico contente qdo descubro que alguns dos que me influenciaram no conhecimento sobre tecnologia (vc, por exemplo) passam por aqui de vez em qdo! Agradeço as visitas e o elogio! Ah, parabéns pelo Lostcast! Está entre meus favoritos, hehe!

    Bom, é exatamente isso que eu tento defender: em um mundo sem tempo como o nosso, nada melhor do que poder fazer sua própria grade horária para coisas com grade fixa (TV, por exemplo). O TiVo e o torrent são as tecnologias que estão mudando todo esse cenário antigo.

    O Lost provavelmente foi mais visto fora da TV do que dentro dela. É aquela história da disponibilidade. A audiência mensurável tá caindo. Mas provavelmente a audiência continua alta.

    Em relação à monetização, espero que os publicitários e marketeiros descubram uma fórmula milagrosa que mantenha em equilíbrio os desejos dos consumidores e o balanço das empresas.

  10. 10. Citação de Techbits em 2 nov 2006 - 01:28

    Finalmente alguém processa o YouTube…

    (…)

    Torço para que todos os vídeos continuem no YouTube e que essa seja a revolução que nós consumidores desejamos quando se fala de distribuição de conteúdo.

    (…)

  11. 11. Citação de Techbits em 21 jan 2007 - 19:05

    HD-DVD hackeado: quem se importa?…

    Não, não vai ser um artigo dizendo que as mídias físicas estão mortas. Isso eu já escrevi antes. Na semana que passou saiu a notícia de que um filme em HD-DVD foi disponibilizado em BitTorrent. Isso é uma conseqüência do crack publicado na in…

  12. 12. Citação de Techbits em 1 fev 2007 - 11:24

    Blogs: mídia de credibilidade…

    Uma coisa que nós blogueiros sabemos e nossos leitores também sabem é que blogs são uma mídia confiável. Informações por nós divulgadas são tão ou até mais precisas do que as encontradas na chamada mídia tradicional. Nos últimos tempos ju…

  13. 13. Citação de Techbits em 9 fev 2007 - 16:32

    Joost: revolução na TV?…

    Lembro-me que antigamente vídeos pela internet eram terrivelmente ruins. Aquelas imagens em movimento com resolução 50 x 30 pixels não ajudavam em nada. Os tempos mudaram e veio o YouTube. Felizmente a tecnologia não pára e recentemente surgiu o …

  14. […] vide o sucesso do YouTube e de downloads do Lost nas redes de bittorrent. Talvez o Joost represente a revolução que a TV necessita, uma quebra de paradigmas, sei lá. Vamos aguardar para […]

  15. 15. Ruberval dos Santos disse em 14 maio 2007 - 19:07

    Que legal briga de novo formato dos dvds, só quem ganha somos nos usuários!

  16. Ruberval,

    Sim, nós ganhamos… inclusive DRM, hehehe!

  17. […] vide o sucesso do YouTube e de downloads do Lost nas redes de bittorrent. Talvez o Joost represente a revolução que a TV necessita, uma quebra de paradigmas, sei lá. Vamos aguardar para […]

  18. 18. Luciano disse em 9 out 2007 - 16:55

    Alexandre Fugita e Marcos Aurélio,

    Vocês levantaram dois pontos importantes: cópia sem perda de qualidade e fair-use. Creio que a preocupação é impedir a pirataria, onde quem produz (e arca com um alto custo) deixa de ser recompensado pela sua criatividade, originalidade, tempo, investimento, etc. Por outro lado, o fair-use parece legítimo. Talvez a solução seja permitir que se faça uma cópia que possa ser tocada em diferentes aparelhos ou uma cópia para cada tipo de dispositivo, como TV, PC, etc (fair-use), porém assegurar que cópias adicionais sejam degradadas (para evitar pirataria).

  19. Luciano,

    Bom, da data daquele texto até hoje algumas coisas mudaram, mas nem tanto. Neste 1 ano, algumas iniciativas de distribuição de conteúdo on-line surgiram, tanto no exterior, quanto no Brasil. Não vou dizer que são boas pq não são, mas já é um começo.

    Acho que o fair-use deve ser permitido. E também uma mudança na forma de distribuição. Ninguém quer esperar 1 ano para assistir à série favorita. Queremos agora!

    Abraços!

  20. 20. Citação de Techbits em 11 out 2007 - 17:13

    A nova distribuição de conteúdo…

    Dias atrás a, quando defendi o Youtube frente à TV digital, alguns não entenderam que a minha crítica ia para a forma de distribuição de conteúdo. Não acho que os tradicionais produtores de conteúdo vão deixar de existir. Acho que terão que …

  21. […] TV digital é o mesmo da TV analógica e aparentemente continuará assim por muito tempo e se chama distribuição de conteúdo. A mesma restrição de escolha, a mesma restrição de grade de programação, a mesma escassez […]

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