14 dezembro 2007
por Alexandre Fugita
Eu sei, faz uma semana que não escrevo nada aqui no Techbits. Para compensar essa ausência, lá vai um post polêmico. Um assunto que tem me chamado a atenção no último mês é o caso GameSpot. Para quem não sabe, um editor do blog mantido pela CNet foi demitido após publicar um review desfavorável a um jogo, exatamente o mesmo que patrocinava a maioria dos espaços publicitários do blog. A blogosfera americana caiu em cima, criticando pesadamente a CNet e o GameSpot de se influenciar por um patrocinador.
Caso semelhante ocorreu recentemente com a PC World, que teve o texto de um de seus colaboradores bloqueado para publicação pois criticava a Apple, um dos anunciantes da revista. Novamente naquela época a internet veio abaixo contra a atitude não ética da revista.
Bom, um dos assuntos discutidos à exaustão na blogosfera brasileira é se o review pago deve ou não ser feito. A minha postura é que o Techbits jamais vai fazer algo do tipo. Na verdade já recebi várias propostas de review pago e todas elas foram negadas, educadamente. O grande motivo para isso se chama credibilidade.
Ok, eu sei que a maioria dos blogs é lido em sua maior parte por blogueiros e estes sabem por antemão que aquele texto, mesmo que seja um review patrocinado, não terá qualquer viés influenciado pelo dinheiro. Mas e os outros leitores, aqueles que não são blogueiros, o que será que acham disso? Bom, o senso comum leva a crer que um texto pago em qualquer publicação é algo ruim. Mas nos blogs não?
Aí vão aparecer alguns dizendo que o Techbits não gosta de dinheiro, que sou comunista, essas coisas… Não, definitivamente não. Quem me conhece sabe que sou a favor do liberalismo econômico, político e tudo neste sentido. Que o governo fique longe da iniciativa privada, bem longe. Além disso, não querendo ser arrogante, mas apenas fazendo uma constatação óbvia, o Techbits fatura muito mais do que a maioria dos blogs que defendem o post pago, simples assim. Aqui ganha-se dinheiro com credibilidade e não com os dé reau (sic) de um post patrocinado.
Com certeza acabo de perder uma boa parcela de leitores, todos aqueles atingidos por este post. Ok, não culpo vocês, tento acreditar que a maioria que faz posts patrocinados realmente não se deixa influenciar pelo dinheiro, mas certamente uma parte cairá na tentação, aí que mora o perigo, e isso é ruim para todo o mercado.
É um problema complicado. Por via das dúvidas aqui não entra post patrocinado. E se a blogosfera quer ganhar credibilidade, que não faça reviews pagos. Ganhe credibilidade para receber produtos para review e poder escolher aqueles que você quer publicar. Não existe essa história de que não será influenciada pelo dinheiro do anunciante. E se você acha que o case GameSpot nada tem a ver com isso, no fundo é tudo a mesma coisa. Bom, coloquei a cara à tapa, que venham os comentários…
7 dezembro 2007
por Alexandre Fugita
Hoje, sexta-feira, 7 de Dezembro é um dia interessante no que tange à distribuição de conteúdo. Da mesma forma que fez o diretor Steven Soderbergh, em 2005, com seu filme Bubble, um filme nacional chamado 3 Efes estréia ao mesmo tempo em várias mídias. Ao invés de restringir a escolha do espectador à tela do cinema, o filme do diretor Gerbase pode ser visto em outros lugares também: na TV (Canal Brasil), em DVD e pela internet, via Terra.
Já discuti aqui no Techbits que a grande mudança que a internet trouxe para todas as mídias foi a facilidade de distribuição. Hoje não queremos mais esperar para assistir ao último episódio do seriado Heroes quando a AXN ou a Record resolverem passar por aqui. Não queremos aguardar vários meses, de acordo com a estratégia comercial da distribuidora, para termos um filme em DVD. Não queremos escassez e sim abundância.
O que o filme Bubble fez foi uma experiência neste sentido agora repetido pelo 3 Efes. Não sei se o filme é bom (isso aqui não é um blog de cinema!), as críticas falam bem, pretendo assistir assim que possível. Mas que a estratégia de distribuição diferente está chamando a atenção, não há dúvidas.
Claro que provavelmente estão fazendo assim pois o público que atingiriam na meia dúzia de salas de cinema do país que vão passar o filme, não pagaria a produção. Mas em termos de soltar as amarras da velha forma de distribuir conteúdo, o filme 3 Efes já ganhou um fã. Fora que vem da Casa de Cinema de Porto Alegre, deve ser coisa boa!
Leia também:
6 dezembro 2007
por Alexandre Fugita
Acabei de ler no IDG Now! que o WordPress tem crescido bastante no Brasil e pode começar a ameaçar a ferramenta dominante, o ruim Blogspot/ Blogger, da Google. Essa é uma ótima notícia e melhora ainda mais quando descobrimos como foi feita a medição. Os dados são do IBOPE/ NetRatings e levam em conta o domínio visitado, ou seja, o WordPress.com. Conclusão, todos os blogs hospedados em servidor próprio e que usam o WordPress como ferramenta de CMS não estão contabilizados nesta estatística. E tenho certeza que estes, se adicionados, aumentariam significativamente o marketshare do WordPress.
CMS flexível
O WordPress é com certeza um dos CMS (Content Management System) dos mais flexíveis. Basicamente serve para criar um blog, mas quem tiver criatividade consegue transformar o WordPress em base para qualquer tipo de site. Uma loja virtual? WordPress! Um portfólio? WordPress! Um site de notícias? WordPress! Um “qualquer coisa”… WordPress, nem precisa esperar a resposta. Para se ter uma idéia, o ótimo Web Insider, roda em WordPress. O gigante blog Techcrunch também. É a ferramenta de escolha mais usada atualmente.
Se você está pensando em criar um blog ou um site de outro tipo, não hesite em perguntar para o desenvolvedor se tudo aquilo não poderia rodar em WordPress. Você terá uma ferramenta poderosa e flexível ao seu dispor, com facilidade de atualização das informações e além disso, suporte de uma rede de desenvolvedores que criam plugins para tudo que é funcionalidade e também contribuem para a segurança e melhora da plataforma em velocidades incríveis.
Só para vocês terem uma ídeia, outro dia expliquei para um colega que diabos é um blog, ele ficou impressionado e criou o seu, um tal de Tô com fome, que pretende concorrer com o Vale 9 Conto. WordPress, claro!
Outros CMS
Bom, fora o WordPress existem outras ferramentas de CMS gratuitas, baseadas em software livre. Uma delas é o Drupal, usada também por grandes blogs como o BR-Linux ou o Meio Bit. É uma ferramenta bastante poderosa mas ao mesmo tempo mais complicada. Recomendo para usuários avançados.
Também temos o Movable Type, outro mecanismo usado por blogs como o Digital Drops. Não tenho o que dizer pois na verdade nunca usei, mas creio que seja boa também. Alguns preferem o B2 Evolution, como o Sérgio Lima 2.4 e a rede Interney Blogs. Se não me engano é parecido com o WordPress, mas tem suas características próprias que angaria fãs. Quanto a outras ferramentas, quem quiser discorrer sobre elas, fique a vontade nos comentários.
5 dezembro 2007
por Alexandre Fugita
Um dos assuntos que me chamou a atenção nos últimos dias é uma funcionalidade adicionada ao Facebook chamada Beacon, um mês atrás. O Beacon é uma ferramenta de recomendação que analisa os hábitos de navegação dos usuários do Facebook em alguns sites e informa sua rede de amigos sobre suas ações. Mais ou menos um BigBrother das suas andanças pela internet. Tudo isso não teria causado polêmica não fosse o fato do Beacon funcionar sem você solicitar e sem possibilidade de opt-out fácil.
Demografia
A ferramenta é excelente para obter dados demográficos que tanto os sites necessitam. Sem eles fica mais complicado vender anúncios, por exemplo. Blogs e sites em geral podem se beneficiar das informações obtidas. Aqui no Brasil o Tecnocracia fez uma pesquisa e o Meio Bit faz uma promoção para obter esses preciosos dados demográficos. Até onde sei outros blogs planejam ações semelhantes. O que o Facebook está fazendo é um facilitador para obter essas informações, um CRM dos hábitos de navegação.
A questão em jogo é como o Facebook está tratando essa vigilância. Foi quase que uma imposição e os usuários se revoltaram. Por causa disso o Beacon estava mutação diariamente para tentar se adequar à demanda dos facebookers. Mas, toda essa vigilância sobre o que fazemos não lembra alguém não? Vou dar uma dica, começa com Goo e termina com gle.
Google
Sim, o Google há tempos é o maior CRM do mundo. Aqui no Techbits já até havia questionado se a gigante de Montain View não seria um spyware disfarçado de mecanismo de busca/ publicidade. Por que será que o Google oferece o Analytics de graça? Para nós é ótimo saber as estatísticas de visitação de nossos blogs. Para eles é excelente saber os hábitos de navegação de todo mundo e um pouquinho mais. Melhoram sua ferramenta de anúncios possibilitando melhor retorno do investimento.
O Facebook não está fazendo nada que a Google já não faz ao armazenar nossos hábitos. O grande problema é que está compartilhando com outros usuários essas informações. Esse é o X da questão. Nós não ligamos que alguém nos vigie, desde que não conte pra ninguém o que fazemos. E se você quer se livrar de qualquer mecanismo de vigilância, aprenda o poder do arquivo Host. É usado para evitar spywares e bloquear anúncios, mas pode ser adaptado para torná-lo invisível da maioria das formas de tracking da web.
4 dezembro 2007
por Alexandre Fugita
Demorei um pouco para escrever este texto, o timing ideal teria sido dois dias atrás, na estréia da TV digital no Brasil. O vídeo de lançamento foi bastante interessante, com um mashup de cenas memoráveis da época analógica. Concordo que a evolução que o novo serviço traz é comparável à transição do preto e branco para a TV em cores.
Fui a uma loja de SP para conferir a tão falada qualidade de imagem digital. O aparelho de TV era um Full HD 1080i, 50 polegadas e o programa, uma novela da Globo. Enquanto a qualidade da imagem é impressionante, não podemos falar o mesmo do programa que estava passando…
O grande problema da TV digital é o mesmo da TV analógica e aparentemente continuará assim por muito tempo e se chama distribuição de conteúdo. A mesma restrição de escolha, a mesma restrição de grade de programação, a mesma escassez que essa mídia sempre ofereceu, continua.
O advento da internet nos acostumou mal, consumimos conteúdo quando, onde e o que quisermos. Nós fazemos as escolhas, temos variedade para selecionar aquilo que nos agrada, essas coisas. Na internet temos abundância e os filtros personalizados, bem diferente da escassez encontrada na forma de distribuição da TV digital ou analógica.
A qualidade da imagem é o diferencial, como diria o Solon. Mas em termos práticos é só isso que está mudando. O que importa, ou seja, a possibilidade de escolha que a internet nos ensinou, continua restrita à grade imposta pela emissora de TV. Já havia dito isso antes, mas minha TV digital é a internet. Prefiro mil vezes a variedade e liberdade de escolha de um YouTube.
(*) imagem deste post, via Flickr