DRM: escassez vs. abundância

por Alexandre Fugita

[Anti-DRM, CC by-nc-sa, http://www.sevensheaven.nl/] O fato é: em um futuro próximo as compras de música e filmes serão feitas, em sua maioria, através de arquivos digitais. Um exemplo da mudança nesta direção é o anúncio da Wal-Mart que agora passará a vender filmes por download ao mesmo tempo que vende em mídias físicas. No mercado de música a Apple é responsável por boa parte das vendas digitais através da sua loja virtual ITMS. Para se ter uma idéia, já venderam mais de 2 bilhões de músicas (com DRM) através deste sistema. Mas tudo isso traz um problema: antes a escassez era controlada pois era necessário fabricar mídias físicas para vender. Agora, a escassez é gerada artificialmente com o DRM. Restringir o uso é a função desta tecnologia. Alguns comentários como a recente carta do Steve Jobs e declaração similar do Bill Gates sinalizam uma mudança da escassez para a abundância. Será o fim do DRM?

DRM: inimigo número 1

O uso do DRM gera escassez em um ambiente puro de abundância: arquivos digitais. Até outro dia nós consumidores é que éramos contra o DRM. Dizíamos palavras impublicáveis contra essa tecnologia restritiva. Nos últimos tempos os supostos inimigos viraram nossos amigos. Gates e Jobs deram suas visões e ambos, pelo menos em público, são contra o DRM.

A carta aberta do Steve Jobs analisou três cenários futuros. O primeiro seria continuarmos do jeito que está, ou seja, cada mp3 player só toca músicas com DRM compradas da loja virtual correspondente. Nada mais restritivo do que isso. O segundo cenário analisado seria criar um DRM igual para todas as lojas virtuais, uma espécie de abundância controlada. Mas logo descarta essa possibilidade pois assim que alguém conseguir quebrar tal proteção, seria impossível atualizar todos os dispositivos, de todas as licenciadas com um novo DRM até que seja novamente quebrado. Uma briga de gato e rato.

O último cenário foi o mais discutido na blogosfera (1, 2, 3 e 4) e seria libertar toda indústria do DRM. Jobs exemplificou dizendo que os CDs, em sua maioria, são desprotegidos de DRM e ainda representam boa parte do faturamento da indústria. Essa seria com certeza a melhor opção já que eliminaria as restrições, dando aos consumidores exatamente o que queremos: abundância e possibilidade de escolha na grande variedade de arquivos digitais. Claro, o Steve Jobs está tirando o corpo fora e passando a culpa para os detentores dos direitos autorais. Não sei se isso é um sinal de fim do DRM ou apenas algo para ficar de bem com o público.

Comentários do Facebook
13 comentários
  1. essa carta do Steve Jobs é o legítimo caso de não ter vergonha na cara. o que as pessoas pedem da Apple não é que acabem com o DRM das músicas vendidas na iTunes Store, e sim que esse DRM seja licenciado de maneira que elas possam ser tocadas em outros players que não o iPod.

    é algo que seria muito fácil de fazer, tanto que várias pessoas já quebraram o FairPlay, mas foram rapidamente processados pela empresa de Cupertino. e conhecendo o histórico protetivista da Apple, mesmo que a indústria aceite acabar com o DRM (e, de novo, ele está atrasado, porque não só o Bill Gates já havia falado do assunto antes, já há documentos de grupos de estudo da própria RIAA por aí dizendo que DRM não funciona), não há razão alguma para imaginar que a Apple vai deixar qualquer um botar música no iPod, ou qualquer player tocar as músicas da iTunes Store.

  2. Pra mim “em um futuro próximo”, eMule vai ser igual camelo, quando você quer aquela musica massa, daquela banda gringa, e entao ao inves de comprar akele cd caro com uma musica legal, vc compra o cd no camelo… eh mesma coisa, vc vai pegar akela musica legal do que vende no itunes no emule… é sempre assim, sempre vai ter uma alternativa na era digital.

    *eu nao faço isso viu, passo longe do shopping, ops, do camelô ^^

  3. Solon,

    Até a indústria discutir qual o padrão de DRM que vão usar, até todos licenciarem tal tecnologia, até tudo se acertar, alguém vai quebrar o DRM como já fizeram tantas vezes. Aí terão de novo que criar um DRM mais difícil de ser quebrado e volta tudo ao início…

    Concordo com vc que essa carta do Jobs soa falsa, talvez seja uma estratégia de ficar de bem com os consumidores, sei lá…

    Acho que a conclusão final do documento, que diz que deveríamos tirar o DRM até surpreeende. O problema é que ele joga batata quente para a mão dos detentores dos direitos. No final jogou para debaixo do tapete toda poeira levantada.

    O DRM nunca vai funcionar pois, como já disse o Steve Gibson do podcast Security Now!, a tecnologia precisaria abolir as leis da física, o que certamente não vai acontecer. Pelo fato do código para descriptografar arquivos digitais estarem obrigatoriamente presentes no dispositivo que vai tocar tal arquivo (mp3 player, computador, etc…), alguém, em algum momento conseguirá acesso a eles.

    Diego,

    Atualmente muita gente já baixa músicas de forma ilegal por redes de P2P como o emule ou o torrent. Legalizar os arquivos digitais, e não tratar os consumidores como ladrões em potencial (DRM), talvez seja a alternativa ao download ilegal. A indústria já sabe disso mas está apenas demorando muito para tomar alguma atitude.

    Abraços!

  4. […] já leu a carta de Steve Jobs sobre o futuro da música digital – minha opinião pode ser conferida nos comentários do Techbits. O interessante, no entanto, como aconteceu quando Bill Gates expressou opinião […]

  5. Toda criptografia será quebrada. Pelo menos as dos arquivos de mídia digital. Isso é fato.

    Os vários tipos de DRM, não aumentam em nada a proteção e a padronização menos ainda. Ambas as declarações, de Gates e Jobs , foram para o agradar o público.

    Enquanto a industria nos chama de ladrões, como premissa não irá mudar nada o quadro atual.

  6. Olá Aldemir!

    Sim, toda criptografia será quebrada, mais dia, menos dia… Realmente não tem jeito.

    Essa é a questão: Jobs e Gates querem ficar de bem com o público, tirar da reta, esse tipo de coisa… Podem enganar um monte de gente, mas nem todos.

    Esse é o problema da indústria: somos ladrões até prova em contrário. Pq será que a Microsoft paga alguns dólares por cada Zune vendido à Universal? Somos ladrões. Tsc tsc…

    Abraços!

  7. Sinceramente, eu também acho (e quero) que essa tecnologia termine.
    O DRM é, e tem sido bastante polêmico.
    Poderia ser trocada por uma outra, quem sabe menos incoveniente.

  8. Neto,

    Sim, o DRM é restrição e precisa acabar pelo menos da forma que é hoje. O legal de toda essa discussão é que mais e mais o público em geral toma consciência desta tecnologia restritiva. Outro dia (alguns meses atrás) conversando com uma amiga leiga em tecnologia mas consumidora voraz de CDs, expliquei pq o iPod e o DRM eram ruins (citei o caso Marisa Monte). Ela não entendeu, achou que eu estivesse viajando, defendendo o não lucro, etc.. etc… etc… Tudo que acho é que o modelo de negócios precisa ser mudado para adaptar a indústria aos novos tempos e não continuar com a mesma mentalidade de décadas atrás para distribuição de conteúdo. E claro, as empresas precisam faturar, não tenhamos dúvida disto.

    Abraços!

  9. Concordo com você companheiro! ;-)
    E tenho essa mesma tese.

    Veja o caso de muitas empresas que tentavam barrar (por meios da legislação) o funcionamento dos programas P2P e o avanço dos vídeos online – direitos autorais e etc.
    Não sou contra isso, mas pela força não vingou e elas tiveram que se adaptar.
    Depois que a coisa cai na rede é impossível ir contra.
    As empresas é que precisam se modernizar.

    Abraços

  10. Opa Neto!

    Assim como vc não sou contra os direitos autorais. Quem produziu o conteúdo merece ser reconhecido. Mas a realidade mostra que o modelo de negócios das distribuidoras de conteúdo (gravadoras, estúdios de cinema…) está esgotado e a tecnologia os atropela. Como vc mesmo disse é impossível tirar algo da internet uma vez que caiu neste mar.

    Mais recentemente vemos que essas empresas estão reagindo e tentando se adaptar ao novo posicionamento dos consumidores. Espero que encontrem a equação correta e todos saiam ganhando.

    Abraços!

  11. 11. EduardoMartins-RJ disse em 13 fev 2007 - 15:11

    Quando eu ripo os meus CDs comprados legalmente para o meu PC (tarefa q facilita e muito na hora de escolher e encontrar o q ouvir) eu faço em 320kps MP3, mas se eu quiser comprar pela net tenho q me contentar não só com um padrão que eu não quero, como também em uma taxa de menor qualidade.

    Não penso que seja um problema, mas dois problemas.

    Outra coisa que a indústria da música ainda não percebeu, é que a grande saída para continuar com mídias físicas está em seguir o exemplo da indústria cinematográfica.

    Alguém compra VHS depois que foram descobertas as grandes qualidades da imagem do DVD ???
    Da mesma forma e pelo mesmo motivo (altíssima qualidade e fidelidade de reprodução) eles deveriam investir no SACD.

    O tamanho dos arquivos do SACD, assim como dos filmes em HD-DVDs, são os grandes aliados contra a distribuição indiscriminada das obras vendidas nas mídias físicas.

  12. Eduardo,

    Bom, não sei se a qualidade da imagem/ som faz muita diferença para o consumidor comum. Para os geeks, faz, mas o consumidor comum só quer o mais fácil. Um DVD é muito mais prático que um VHS e também tecnicamente melhor.

    Mas o que vc falou é verdade: a maioria das lojas virtuais de música vende em baixa qualidade. Talvez se melhorassem o bit-rate talvez aumentassem as vendas. Mas não estou certo disso. O que acho é que as pessoas ainda se apegam a objetos físicos e fazem questão de ter um CD na prateleira.

    Os SACD são uma alternativa aos audiófilos mais exigentes mas não creio que a população em geral adote só pq tem maior qualidade sonora.

    Ato ao tamanho do arquivo, sim, por enquanto é um empecilho. Mas no caso da música com certeza seria só converter para um formato de menor qualidade (mp3, por exemplo) e compartilhar na rede.

    Falou!

  13. […] Já discuti aqui no Techbits que a grande mudança que a internet trouxe para todas as mídias foi a facilidade de distribuição. Hoje não queremos mais esperar para assistir ao último episódio do seriado Heroes quando a AXN ou a Record resolverem passar por aqui. Não queremos aguardar vários meses, de acordo com a estratégia comercial da distribuidora, para termos um filme em DVD. Não queremos escassez e sim abundância. […]

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