Fiz: uma visão geral

por Alexandre Fugita

[Fiz TV] [atualizado em 10/05/2007] Fui convidado esta semana para bater um papo com a equipe do Fiz, aquele canal de TV que a Editora Abril vai lançar em breve. O Fiz é uma tentativa de junção da velha mídia (TV) com a internet. Haverá um site nos moldes do YouTube, uma rede social de vídeos e os melhores vídeos poderão ser promovidos para passarem na TV. No primeiro texto que escrevi sobre eles, fiz uma crítica dizendo que a tentativa desta mistura pode resultar em algo que não dará certo. Após conversar com o Marcelo Botta (Gerente de Conteúdo) e a Patrícia Viera (Produtora), pessoas antenadíssimas com as tendências da tecnologia web, e principais responsáveis pelo “programação” do canal, tenho que fazer uma revisão daquela opinião.

Teaser

Essa informação é exclusiva do Techbits. O Fiz TV já tem um site e nele encontramos um teaser com 7 vídeos diferentes (imagem abaixo é de um dos teasers) e uma surpresa para quem possui web cam. Por enquanto é possível apenas se inscrever para receber informações em primeira mão do Fiz. Dentro de alguns dias será Já é possível fazer uploads de vídeos de até 50 MB que serão guardados para a estréia do site e canal. Assim que essa funcionalidade ficar disponível faço uma atualização neste post.

A equipe do Fiz já está em contato com universidades, bandas e produtores independentes para instigá-los a publicar material próprio no site. Quando estrearem já contarão com uma base interessante de conteúdo.

[Fiz TV teaser: Playmobil]

Canais

O Fiz TV terá vários “canais”, cada um voltado para um público de nicho diferente. Inicialmente serão Fiz.em casa, Fiz.doc, Fiz.anima, Fiz.curta, Fiz.humor e Fiz.clipe. Cada um desses canais terá um espaço na grade de programação da TV, passando os melhores vídeos seqüencialmente, sejam eles de 30 segundos ou 5 minutos. Por exemplo, no Fiz.humor pode haver 15 vídeos interessantes para passarem na TV, com tempos de duração variável. Já no Fiz.doc, um documentário pode ter quase uma hora, e se for de interesse do público, ganhará seu espaço na telinha.

O problema da grade de programação fixa será resolvido com reprises em horários e dias diferentes e também com a possível escolha pela audiência de qual horário é melhor para cada programa. Isso é uma solução intermediária já que o ideal seria escolhermos nossos próprios horários para assistir ao que quisermos. Nada impede, claro, de extrapolarmos essas limitações no site do Fiz, escolhendo nossa própria programação.

Datas

O teaser já está no ar, o recebimento de vídeos deve começar em breve, o site passará a funcionar efetivamente a partir de 1o. de junho e o canal estréia na TVA em 30 de julho.

Idéias, idéias

As idéias da equipe do Fiz não param. Há muita coisa interessante que discutimos na reunião. Vi uma apresentação com os moldes do Fiz, algumas vinhetas do canal e uma idéia geral de como funcionará o serviço. Na verdade o Fiz acaba agregando conceitos da web 2.0, cauda longa, crowdsourcing, rede social, social media, entre outros. Essa mistura deve resultar em um serviço interessante. Pelo menos na web.

O grande problema que ainda vejo é a distribuição na telinha da TV. Não há como evitar as restrições impostas pela escassez de espaço disponível. 24h de TV podem não ser suficientes para alocar toda a quantidade de conteúdo que o serviço pretende atingir. E também limitar pela grade da programação fixa soa século XX, coisas da mídia antiga. Como disse antes sempre existe a opção de esquecer o canal da TV e ficar só com o site da internet. Mas que sair na TV chama atenção, chama.

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A base de dados das intenções ao quadrado

por Alexandre Fugita

[Google] Todos sabem que o Google tudo sabe. Onde você faz suas buscas? Google. Onde você lê seu email? Gmail. Onde você se relaciona virtualmente com as pessoas? Orkut. Qual o leitor de RSS dominante? Google Reader. Qual sistema de anúncios que retira o contexto de um texto para atingir melhor o alvo? Adwords/ Adsense… Tudo que o Google faz o tempo todo é analisar o comportamento on-line das pessoas e transformar isso em estatísticas ou melhorias em seus algoritmos. Na semana passada a gigante de Montain View anunciou o Web History, mais um desses serviços que junta dados sobre pessoas. Já se foi o tempo em que você sabia mais sobre você mesmo do que o próprio Google.

Web History

Até então já existia seu histórico de pesquisas na web, por meio do qual, acabo de descobrir que neste ano de 2007 só não pesquisei uma palavra no Google em 17 dos 113 dias decorridos até hoje. Mas agora isso foi englobado pelo Web History, que grava todas as URLs visitadas, com data, hora, número de visualizações… Claro, você é que opta por instalar o software que permite isso. E também opta por deixar a funcionalidade ativa. Eu que sempre apaguei os cookies do browser, jamais deixei rastros dos sites que visitei, dá um nó no cérebro pensar que acabo de ativar tal serviço no Google para testes. E pretendo mantê-lo, explico no final do post o porquê.

Base de dados das Intenções

Quem leu o ótimo livro A Busca, do John Battelle, sabe do que estou falando. O primeiro capítulo é dedicado à base de dados das intenções. É assim que Battelle define a gigante de Montain View. O autor percebeu isso ao analisar o Google Zeitgeist e segundo o livro, a base de dados das intenções…

“(…) é constituída simplesmente pelos resultados agregados de todas as buscas já feitas, todas as listas de resultados já oferecidas e todos os caminhos tomados em conseqüência delas. (…) Em conjunto estas informações representam a história em tempo real da cultura pós-Web – uma enorme base de dados de desejos, necessidades, vontades e preferências que podem ser descobertas, citadas, arquivadas, seguidas e exploradas para todos os fins.”

Ou seja, aquela caixinha de busca do Google sabe o que você quer, sabe o que você clicou, sabe o que você leu. Genial e ao mesmo tempo assustador…

Privacidade

O que o Google faz ao armazenar tanta informação sobre nós? Tem alguém lá lendo tudo que pesquisamos na web ou nossos emails? Creio que não. O Google manipula os dados eletronicamente. Não há pessoas envolvidas e sim máquinas traçando tendências, tipos de comportamento, essas coisas. Se as informações não são usadas por um ser humano, não configura invasão de privacidade.

É isso que me deixa tranqüilo em usar uma funcionalidade que grava tudo que visito no Firefox. Prefiro deixar assim, protegido por senha, ou seja, só eu tenho acesso, do que deixar histórico no navegador, que outras pessoas podem ter acesso.

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Wikipédia off-line

por Alexandre Fugita

[Wikipédia on a DVD] Calma, não é o site da Wikipédia que está fora do ar, e sim o seu conteúdo que acaba de ser lançado em DVD. Na verdade foram escolhidos cerca de 2000 artigos, selecionados de acordo com alguns critérios de qualidade e importância com ajuda da comunidade wikipediana. Os artigos passaram pelo crivo de um professor da Univ. de Nova York e são, segundo ele, livres de erros, bias, vandalismo ou marketing, coisas comuns em alguns artigos da enciclopédia on-line.

Desatualizado

O DVD é vendido por 14 dólares mas também é possível baixar a imagem ISO gratuitamente ou navegar pela versão on-line do disco. Na verdade não entendo o sentido de transformarem uma enciclopédia dinâmica, atualizada constantemente por seus usuários, em algo que necessita de distribuição física como um DVD. Por mais que os artigos escolhidos estejam completos, certamente algumas coisas já estão desatualizadas desde o momento da impressão dos discos.

Aí entra aquela velha história de que restringir a distribuição de um conteúdo para dentro de uma mídia física implica em perder tudo aquilo que a internet proporciona. Quando na web, a Wikipédia é viva, está disponível em toda sua extensão, ou seja, há uma variedade gigante de artigos e possibilidades e recebe referências de sites externos, aumentando sua visibilidade. Todo esse brilho se perde quando o conteúdo fica preso dentro de um DVD, acumulando poeira na prateleira.

Para quem simpatiza com a fundação Wikimedia, que recentemente esteve no centro das atenções por uma possível falta de fundos (desmentida), é uma forma de contribuir. No mais, trata-se de um DVD com artigos bons mas desatualizados.

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PlayStation 3: plataforma de computação distribuída

por Alexandre Fugita

[PS3 no Folding@home] Há cerca de um mês uma nova utilidade foi encontrada para o console PS3 da Sony: ajudar na pesquisa da cura do câncer através do Folding@Home. Dias depois uma surpresa: devido à elevada capacidade do chip Cell que equipa este videogame os PlayStations 3 já eram líderes em teraflops, unidade de medida de processamento, frente a qualquer outra plataforma. Pra se ter uma idéia, hoje, 17 de Abril de 2007, os 31 mil PS3 geram 408 teraflops (57%) enquanto os 185 mil PCs com Windows representam 176 teraflops (24%) de um total de 709 teraflops de capacidade de processamento total do programa (veja estatísticas atualizadas aqui).

Venda de processamento distribuído

Claro, isso chamou a atenção da Sony e a empresa estuda a possibilidade de alugar toda essa capacidade de processamento para quem precisar de cálculos extremamente complexos. O Folding@Home é um projeto sem fins lucrativos da Stanford e portanto foi aceito sem problemas pelos donos do console. Estão doando tempo ocioso de suas máquinas (e energia elétrica) a um projeto científico e a uma boa causa.

Se a Sony resolver realmente cobrar de instituições para rodar nas máquinas de seus compradores projetos de computação distribuída é quase certo que haverá resistências. Para evitar isso a empresa estuda formas de compensar aqueles que disponibilizarem ciclos ociosos do Cell com descontos em produtos, downloads ou outros tipos de brindes. Se o PS3 não emplacar como videogame pode virar uma central de cupons de desconto e também uma referência em projetos de grid computing.

Projetos de Grid Computing

Existem outros projetos de computação distribuída bastante conhecidos. Um deles é o SETI@Home (Search of ExtraTerrestrial Inteligence), que procura sinais de vida extraterrestre inteligente nos cantos mais obscuros do universo. Um outro interessante é o GIMPS (Great Internet Mersenne Prime Search), um projeto que se dedica a achar números primos gigantes, importantes na segurança de criptografia e outros setores da pesquisa matemática. Para se ter uma idéia o último número primo achado tem quase de 10 milhões de dígitos, um número tão grande que deixa o googol no chinelo.

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Google: máquina de publicidade

por Alexandre Fugita

[Google] Muita gente que converso não faz idéia de como o Google ganha dinheiro. Sempre faço a piada – sem graça, por sinal – perguntando se eles não pagam mensalidade para usar os serviços do Google. As pessoas ficam confusas… Aí explico que a busca, juntamente com algoritmos que traçam o perfil das pessoas, mais localização geográfica e outras variáveis são usados pelo Google para mostrar anúncios direcionados, com grande chance de atingir seu objetivo. E todos ficam maravilhados. Pois é, o Google é um CRM gigante que vende anúncios.

Google e DoubleClick

A notícia do fim de semana foi a compra da DoubleClick pelo Google pelo preço de dois YouTubes. A DoubleClick representa tudo que o Google nunca quis ser em termos de publicidade on-line. Com anúncios intrusivos, pouco relevantes, surpreende o acordo de 3,1 bilhões de dólares por uma empresa de publicidade on-line das antigas que fatura cerca de 10% disso por ano. O segredo está na aposta para o futuro e também no fortalecimento do Google em uma de suas competência principais: vender anúncios. Ao mesmo tempo evita que concorrentes como a Microsoft ou o Yahoo! se aproximem de seu domínio.

Monopólio

Agora surge a história de que a Microsoft está preocupada com o possível monopólio do Google quando falamos de publicidade on-line. Toda ironia vem do fato de que a Microsoft é uma gigante que sempre negou ter monopólio apesar de estar presente em quase todos os PCs do mundo. O mercado de sistemas operacionais é praticamente impenetrável, mas como os softwares estão migrando para a web o jogo está mudando rapidamente de lado. Com a emergência de gigantes da internet quem reclama agora de monopólio nas concorrentes é a própria Microsoft.

Diversificação

Mas o Google não está contente só com a web. Que anunciar em todos os lugares. Na TV, nos jornais, rádio, etc… Hoje mesmo acaba de anunciar uma parceria para anúncios em rádio com a Clear Channel, maior rede de rádios dos EUA. Se o Google conseguir criar formas de anúncio altamente relevantes em outras mídias, certamente não só empresas de publicidade on-line é que devem se preocupar e sim o mercado como um todo.

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