Fiz: fizeram errado

por Alexandre Fugita

[FizO “Next Big Thing” da web certamente é o vídeo. O YouTube está aí pra provar, o Joost chega logo mais para quebrar paradigmas e a editora Abril lança o canal Fiz. A proposta do Fiz é, como o próprio nome diz, mostrar vídeos feitos pelo usuário, escolhidos entre aqueles postados no site do serviço. O canal será para a TV paga e a programação definida pelo usuário. Deve estrear até o meio deste ano e é uma tentativa de misturar a popularidade do YouTube com a velha mídia chamada de televisão.

Restrição não dá certo

O YouTube é diametralmente oposto à TV. Na TV comum há restrições de horário, grade de programação, variedade de conteúdo e de número de canais. Nada disso existe no YouTube. Você assiste quando quiser, o que quiser, na variedade quase infinita da cauda longa (long tail) dos vídeos. O Fiz tenta fazer uma mistura dos dois modelos mas erra feio exatamente no quesito que o diferencia do YouTube: continua restritivo na distribuição.

Ao criar um canal de TV paga, o resultado do Fiz será restrito por horários, disponibilidade do espectador, grade, etc… A única semelhança com o YouTube é a produção do conteúdo, crowdsorcizada para os usuários. O resto não passa da mesma coisa que a decadente TV convencional. Além de tudo isso é TV paga, ou seja, disponível apenas para uma pequena parcela da população.

Cauda Longa

Não adianta tentar adaptar um serviço de cauda longa que são os vídeos produzidos pelo usuário, para serem massificados através do sinal da TV à cabo. A cauda longa diz que tudo são pequenos nichos. O Fiz não vai se adaptar a nenhum deles e vai virar um canal de videocassetadas, o popularesco pão e circo que diverte as multidões acéfalas. Nada a ver com o YouTube e muito longe de um concorrente forte. O fato de tentar misturar duas coisas diferentes para tentar criar algo intermediário acaba nivelando o serviço à sua pior parte que é a restrição do sinal de TV. Nada de assitir ao Tapa na Pantera a hora que você desejar, só no horário nobre. Fala sério.

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10 comentários
  1. Alexandre,

    Impressionante como tem gente que recebe para fazer cagada. Os vídeos do Youtube são de baixa qualidade técnica, muitas pessoas assistem soluçando (banda estreita) e, mesmo assim, o Youtube é um sucesso. Aí vem o cara e tenta reinventar a roda. Concordo contigo, o próximo passo é montar a sua própria grade, no momento que você quiser, e não te enfiar goela abaixo um arremedo de Youtube.

    Abraços e sucesso,

  2. Pra que uma pessoa vai pagar se pode simplesmente ter o conteudo de graça?

    Não dúvido que logo passrá ser gratuito.

  3. Me veio à cabeça a expressão “Paraquedistas da TV”…
    O Fiz acrescenta mais um elemento à mistura que você mencionou, o “intercinamento”, ligue agora e escolha o que quer ver amanhã, hehe… Mas pegando o gancho do Joost, acho que vai ser um estrondoso ignorado no Brasil, com a “banda larga” de 300 e até menos kbps que temos por aqui, além do pessoal que resiste na discada, vai ser muito difícil emplacar.

  4. Em suma, o pessoal da Abril logo falará: “Fiz m***da!”… hehehehehehe..

    Ótimo post!

  5. Nelson,

    Pois é… a primeira coisa que pensei qdo li sobre o Fiz foi que estava tudo errado. Alguém lá não sabe como as coisas funcionam na web. Tranformar a liberdade da web em restrição de um canal de TV não faz muito sentido.

    Tiago,

    Eles não tem como oferecer um canal de TV gratuito, imagino. O espectro de radiofreqüência é limitado e já está todo tomado. É restritivo… TV a cabo tem mais espaço, mas o sinal de TV com sua programação imposta, mesmo que pelas escolhas da multidão, é restritiva.

    j. noronha,

    Sim, é uma espécie de intercine com votação na web. Alguém lá dentro esqueceu de ler o livro da cauda longa, long tail.

    George,

    É exatamente aquilo que discuti com vc e o Mario no BarCamp. Esse Fiz não funciona. Posso estar redondamente enganado, mas foi essa a impressão que tive ao saber do serviço.

    Abraços a todos!

  6. 6. Victor Novaes disse em 13 jun 2007 - 17:09

    É evidente que o canal Fiz será limitado a uma grade fixa, pela limitação que a tv impõe, sendo assim, infelizmente, totalmente diferente da caracteristica long tail do youtube. Mas na verdade o que me empolga neste canal, é a possibilidade de trabalhar com conteúdo experimental feito pelos expectadores, muitos estudantes de comunicação, como eu, que sonham com um lugar ao sol. quanto ao Fiz virar um canal de videocassetadas, realmente tenho medo disso e vai depender da abril e dos usuários enviarem coisas bacanas para o canal ter um conteúdo interessante.

  7. Victor,

    Essa parte da cominidade será interessante. Vamos ver se vai superar um YouTube com esse apelo de passar na TV.

  8. O Fiz não deve ser meramente um playlist de vídeos caseiros passando na TV. Lógico que vai ter isso, mas deve apostar na interação real-time também.

  9. Spiceee,

    Sim, acredito que apostem na interação entre os usuários. Se não realmente não vai fazer sentido.

  10. […] A proposta do Fiz é jogar para um canal de TV convencional o melhor dos vídeos do site. Essa é a única diferença e ao meu ver, não muito empolgante. Já disse antes, mas ao restringir a cauda longa dos vídeos para o espaço restrito de 24h de grade da programação da TV convencional não dá certo. E nem é TV convencional e sim TV paga, restringindo ainda mais o público consumidor. […]

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