Fiz: uma visão geral

por Alexandre Fugita

[Fiz TV] [atualizado em 10/05/2007] Fui convidado esta semana para bater um papo com a equipe do Fiz, aquele canal de TV que a Editora Abril vai lançar em breve. O Fiz é uma tentativa de junção da velha mídia (TV) com a internet. Haverá um site nos moldes do YouTube, uma rede social de vídeos e os melhores vídeos poderão ser promovidos para passarem na TV. No primeiro texto que escrevi sobre eles, fiz uma crítica dizendo que a tentativa desta mistura pode resultar em algo que não dará certo. Após conversar com o Marcelo Botta (Gerente de Conteúdo) e a Patrícia Viera (Produtora), pessoas antenadíssimas com as tendências da tecnologia web, e principais responsáveis pelo “programação” do canal, tenho que fazer uma revisão daquela opinião.

Teaser

Essa informação é exclusiva do Techbits. O Fiz TV já tem um site e nele encontramos um teaser com 7 vídeos diferentes (imagem abaixo é de um dos teasers) e uma surpresa para quem possui web cam. Por enquanto é possível apenas se inscrever para receber informações em primeira mão do Fiz. Dentro de alguns dias será Já é possível fazer uploads de vídeos de até 50 MB que serão guardados para a estréia do site e canal. Assim que essa funcionalidade ficar disponível faço uma atualização neste post.

A equipe do Fiz já está em contato com universidades, bandas e produtores independentes para instigá-los a publicar material próprio no site. Quando estrearem já contarão com uma base interessante de conteúdo.

[Fiz TV teaser: Playmobil]

Canais

O Fiz TV terá vários “canais”, cada um voltado para um público de nicho diferente. Inicialmente serão Fiz.em casa, Fiz.doc, Fiz.anima, Fiz.curta, Fiz.humor e Fiz.clipe. Cada um desses canais terá um espaço na grade de programação da TV, passando os melhores vídeos seqüencialmente, sejam eles de 30 segundos ou 5 minutos. Por exemplo, no Fiz.humor pode haver 15 vídeos interessantes para passarem na TV, com tempos de duração variável. Já no Fiz.doc, um documentário pode ter quase uma hora, e se for de interesse do público, ganhará seu espaço na telinha.

O problema da grade de programação fixa será resolvido com reprises em horários e dias diferentes e também com a possível escolha pela audiência de qual horário é melhor para cada programa. Isso é uma solução intermediária já que o ideal seria escolhermos nossos próprios horários para assistir ao que quisermos. Nada impede, claro, de extrapolarmos essas limitações no site do Fiz, escolhendo nossa própria programação.

Datas

O teaser já está no ar, o recebimento de vídeos deve começar em breve, o site passará a funcionar efetivamente a partir de 1o. de junho e o canal estréia na TVA em 30 de julho.

Idéias, idéias

As idéias da equipe do Fiz não param. Há muita coisa interessante que discutimos na reunião. Vi uma apresentação com os moldes do Fiz, algumas vinhetas do canal e uma idéia geral de como funcionará o serviço. Na verdade o Fiz acaba agregando conceitos da web 2.0, cauda longa, crowdsourcing, rede social, social media, entre outros. Essa mistura deve resultar em um serviço interessante. Pelo menos na web.

O grande problema que ainda vejo é a distribuição na telinha da TV. Não há como evitar as restrições impostas pela escassez de espaço disponível. 24h de TV podem não ser suficientes para alocar toda a quantidade de conteúdo que o serviço pretende atingir. E também limitar pela grade da programação fixa soa século XX, coisas da mídia antiga. Como disse antes sempre existe a opção de esquecer o canal da TV e ficar só com o site da internet. Mas que sair na TV chama atenção, chama.

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Comentários do Facebook
22 comentários
  1. 1. Mario Nogueira disse em 29 abr 2007 - 19:06

    Bom, então o Fiz é apenas um clone do YouTube, mas que também veiculará alguns dos vídeos enviados pelos usuários na TV?

    É isso?

    A MTV já não faz isso no seu serviço equivalente, o Overdrive?

    De qualquer forma, além da falta de orginalidade da idéia, não vejo como o Fiz vai evitar incorrer nos mesmos tipos de problemas relativos à violação de copyright que o YouTube tem enfrentado.

    Se, além dos canais de TV, o Fiz também faz streaming de vídeos ao estilo YouTube, existem duas possibilidades quanto ao tratamento que o serviço pode dar aos vídeos enviados pelos usuários: ou todos os vídeos ficam imediatamente disponíveis no serviço ou eles serão pré-filtrados a fim de evitar a veiculação de material copyrighted.

    No primeiro caso, o resultado é certo: problemas na justiça, como temos visto com o YouTube.

    No segundo caso, a menos que o pessoal do Fiz tenha criado uma forma automatizada de fazer essa filtragem (antes do Google!), a experiência de uso relativa ao envio de material vai ser péssima.

    Bom, é claro que não é impossível que o Fiz tenha mesmo solucionado o problema da filtragem automaizada de material com copyright (repito, antes do Google!), talvez até mesmo com um pouco de inspiração vinda do próprio Google(http://www.google.com/technology/pigeonrank.html).

    Mas, falando sério, meu palpite é o de que o Fiz aposta na ausência de dispositivos legais no Brasil como o DMCA americano(en.wikipedia.org/wiki/DMCA).

    Nesse contexto, a “barreira de entrada” para alegações de violação de copyright aumenta e a “escalabilidade” do volume desses problemas é bem menor, pelo menos até o ponto de o departamento legal do Fiz poder dar conta, eu suponho.

    Pra encerrar, ainda acho o Joost uma solução mais inteligente. Talvez, não tanto quanto o Apple TV, que incorpora as funções do Joost num gadget do tamanho de um Mac Mini que deve ser ligado a uma TV comum (um modelo de usabilidade bem menos desafiante ao usuário comum

  2. 2. Mario Nogueira disse em 29 abr 2007 - 19:11

    Bom, então o Fiz é apenas um clone do YouTube, mas que também veiculará alguns dos vídeos enviados pelos usuários na TV?

    É isso?

    A MTV já não faz isso no seu serviço equivalente, o Overdrive?

    De qualquer forma, além da falta de orginalidade da idéia, não vejo como o Fiz vai evitar incorrer nos mesmos tipos de problemas relativos à violação de copyright que o YouTube tem enfrentado.

    Se, além dos canais de TV, o Fiz também faz streaming de vídeos ao estilo YouTube, existem duas possibilidades quanto ao tratamento que o serviço pode dar aos vídeos enviados pelos usuários: ou todos os vídeos ficam imediatamente disponíveis no serviço ou eles serão pré-filtrados a fim de evitar a veiculação de material copyrighted.

    No primeiro caso, o resultado é certo: problemas na justiça, como temos visto com o YouTube. Por mais que a intenção original dos criadores do serviço seja o compartilhamento de material criado pelos próprios usuário, acho improvável que, assim como no YouTube, os usuários do Fiz não decidam enviar também material copyrighted.

    No segundo caso, a menos que o pessoal do Fiz tenha criado uma forma automatizada de fazer a filtragem do material com copyright(e antes do Google!), a experiência de uso relativa ao envio de material vai ser péssima.

    Bom, é claro que não é impossível que o Fiz tenha mesmo solucionado o problema da filtragem automaizada de material com copyright (repito, antes do Google!), talvez até mesmo com um pouco de inspiração vinda do próprio Google(http://www.google.com/technology/pigeonrank.html).

    Vai saber.

    Mas, falando sério, meu palpite é o de que o Fiz aposta na ausência de dispositivos legais no Brasil como o DMCA americano(en.wikipedia.org/wiki/DMCA).

    Nesse contexto, a “barreira de entrada” para alegações de violação de copyright aumenta e a “escalabilidade” do volume desses problemas (ou o seu “longtail”) é bem menor, pelo menos até o ponto de o departamento legal do Fiz poder dar conta, eu suponho.

    Pra encerrar, ainda acho o Joost uma solução mais inteligente. Embora, não tanto quanto o Apple TV, que incorpora as funções do Joost num gadget do tamanho de um Mac Mini e que deve ser ligado a uma TV (um modelo de usabilidade bem menos desafiante ao usuário comum que o do Joost).

  3. mesmo com a revisão da sua opniao, continuo achando a mesma coisa que antes…não vai pra frente isso !

    ‘nasceu com a web 2.0 de maneira inteligente’… q frase hein, profunda ! =]

  4. Ao menos no nome acertaram, o que não é muito comum nessas plagas, geralmente se dão conta que o nome é horrível quando já é tarde demais. Mas me cheira a video-cassetadas, documentários talvez até emplaquem no cabo, mas acho muito restrito se ficar apenas na TVA.

  5. Mario,

    Sim, mais ou menos um YouTube, mas com exibição na TV dos melhores vídeos. Acho que foi inclusive com vc que discutimos esse assunto no BarCamp, não foi?

    Não conheço a programação da MTV e portanto não faço idéia de como seja o Overdrive. Mas pelo jeito a MTV tanto aqui quanto lá fora não gosta do YouTube e preferiu criar suas soluções próprias.

    Vamos ver como irão lidar com vídeos com problemas autorais. Vai ser algo complicado.

    Quanto ao Joost existe uma diferença fundamental que é o usuário gerando conteúdo no YouTube e Fiz e no Joost apenas as próprias emissoras em um novo meio de distribuição.

    Esse é uma assunto extremamente interessante que continuarei a cobrir aqui no Techbits.

    Diego,

    Tenho lá minhas ressalvas quanto ao serviço. Como disse não vejo muito sentido em restringir a cauda longa na tela da TV. Sei que é uma tentativa interessante essa do Fiz. E depois de conversar por quase duas horas com o pessoal envolvido no projeto, percebi que são pessoas antenadíssimas e que sabem o que estão fazendo. Vamos ver se vai dar certo.

    j.noronha,

    Bom, o nome é interessante. Pode ser usado de forma inteligente mas também dá margem a piadas. Pena mesmo que é só TVA (eles estão tentando acordos com outras TVs a cabo). Vamos ver.

    Abraços a todos!

  6. 6. Mario Nogueira disse em 2 maio 2007 - 14:05

    Fujita,

    Essa diferença que você mencionou entre o Joost e o YouTube (ou o Fiz)- de o Joost não permitir que os usuários enviem seus vídeos – não é nem um pouco casual e nem fruto da limitação dos engenheiros do primeiro serviço.

    O pessoal do Joost simplesmente decidiu, muito apropriadamente, que não há solução à vista para aquele dilema que eu mencionei no comentário anterior no tocante ao tratamento dado aos vídeos enviados pelos usuários e os problemas de violação de copyright decorrentes daí.

    Na minha opinião, essa é uma postura bem mais íntegra do que a de serviços como o YouTube (e o Fiz) no sentido de que não há uma tentativa de “fazer média” com os usuários em relação ao feature de envio de vídeos enquanto, por outro lado, persitir a certeza de que não há como garantir a proteção ao copyright.

    Isso não deixa de ser irônico, considerando que os criadores do Joost também criaram o Kazaa no passado, que equivalia a uma versão do Napster, mas sem controle central, o que o tornava virtualmente imune a tentativas de fechamento (até hoje, inclusive).

    Voltando ao YouTube e o Fiz, eu acredito que por “no ar” serviços com essas qualidades equivale a tentar colocar as empresas donas de material copyrighted contra a parede.

    Como eu disse antes, por mais que a intenção o original dos criadores do serviço seja a de sinceramente garantir que apenas os seus usuários possam enviar os vídeos produzidos por eles mesmos, os usuários certamente vão enviar também vídeos de propriedade de terceiros, como trechos de seus filmes ou programas favoritos.

    Além disso, tenho cá minhas dúvidas com relação às intenções dos criadores de serviços desse tipo.

    A barreira de entrada tecnológica pra se criar um serviço como o YouTube ou Fiz é ridiculamente baixa. Não há absolutamente nenhuma nova tecnologia a ser criada.

    Por outro lado, se o serviço conseguir agregar audiência em escala o suficiente pra não poder ser ignorada pelo mercado, há um grande potencial de lucro pra os seus criadores, seja através de uma aquisição ou de veiculação de publicidade.

    Uma audiência dessas dificilmente seria construída apenas com a veiculação de material gerado pelos usuários (existe uma boa discussão sobre esse aspecto no livro “Long Tail”).

    E é por isso que eu tenha minhas dúvidas sobre as intenções de quem cria um serviço desses. Pra mim, isso é puro oportunismo.

    Mas essa é também uma estratégia muito arriscada.

    Se tem dado certo, mal e mal, com o YouTube (e somente com o apoio dos fundos bolsos do Google), vale lembrar que o Napster não teve a mesma sorte.

    Aliás, o fato de os proprietários de material copyrighted estarem “pegando leve” com YouTube hoje (certamente bem mais “leve” do que pegaram com o Napster) é herança do próprio Napster.

    O modelo do Napster apenas refletia uma tendência inexorável decorrente das mudanças conjunturais relativas aos meios de distribuição da música (leia-se, o advento e a popuralização da internet) que aconteceria de um jeito ou de outro, com o sem o próprio Napster.

    Prova disso é o sucesso do iTunes Music Store, da Apple.

    O pessoal da Apple entendeu que deveria adotar um modelo que conciliasse os interesses dos usuários e dos proprietários do material copyrighted distribuído através do iTunes.

    Eu vejo o Joost como o equivalente ao iTunes no campo do vídeo na web, mas com uma diferença essencial: o conteúdo será gratuito e pago através da veiculação publicidade.

    Outro fator importante na determinação do Joost em não permitir o envio de vídeos pelos seus usuários é a arquitetura P2P em que o serviço é baseado.

    A eficiência do P2P para distribuição de arquivos aumenta com a popularidade dos arquivos distribuídos. Num cenário de escolhas muito “long tail” (como um em que todos os vídeos enviados por todos os usuários estivessem disponíveis), essa eficiência seria facilmente perdida.

    Por outro lado, o P2P confere ao Joost uma boa economia no custo de banda. Boa parte desse custo é distribuído entre todos os usuários do serviço, o que é economicamente eficiente para todos. Essa economia deve dar ao Joost mais tempo para encontrar um modelo sustentável de receitas.

    O YouTube, por sua vez, tinha gastos mensais de alguns milhões de dólares (boa parte em banda) e nenhuma perspectiva de receitas mesmo pouco antes da aquisição pelo Google. O serviço provavelmente teria fechado se não tivesse sido adquirido ou caso não tivesse recebido uma nova rodada de investimentos.

    E, vale lembrar, o Joost não é um serviço de downloads, mas de streaming, e, por isso, os requisitos de tráfego são bem mais altos.

    Em contrapartida, ao invés de curtos clips de baixa resolução em Flash (como no YouTube ou no Fiz), o P2P permite ao Joost oferecer programas ou filmes inteiros com resolução decente o bastante pra serem assistidos em tela cheia.

    Bom, eu sei que você sabe de tudo isso o que eu disse aqui. Afinal, foi você mesmo quem me mandou o convite pra o beta do Joost (valeu!!).

    Eu só achei que esses eram argumentos que ajudariam a tornar um pouco mais rica a conversa em torno dos eventuais méritos e deméritos de serviços (na minha opinião) oportunistas, como o YouTube e o Fiz.

    Aliás, esse é o problema com 99% dos empreendimentos em internet. Quase nenhum empreendedor trata a internet como engenharia. Todo mundo só enxerga o seu aspecto “mídia” (talvez isso tenha a ver com o fato de a publicidade ser o principal modelo de receitas na web hoje).

    Se não fosse assim, ao invés de estarmos falando de apenas mais um clone do YouTube, talvez estivéssemos falando de um serviço apenas parecido com o YouTube mas que tivesse desenvolvido uma solução eficiente de filtragem automática de conteúdo enviado pelos seus usuários a fim de identificar e bloquear aquele material de tivesse copyright (o que é muito, mas muito, complicado).

    Isso sim poderia ter um tremendo impacto (da mesma forma que, um dia, dois caras desenvolveram uma forma eficiente de determinar a relevância de resultados de buscas na web e assim criaram o Google). :-)

    Grande abraço!

  7. 7. Mario Nogueira disse em 2 maio 2007 - 14:14

    Opa,

    acabei de notar que escrevi errado o seu nome.

    Foi mal, Fu”j”ita. :-)

    Abraço.

  8. Mario,

    Uau, seus comentários contribuem muito para enriquecer a discussão deste post.

    A questão do copyright acho que é algo que precisa ser revisado nas atuais circunstâncias que o mundo vive. A legislação vem do século passado e não contempla toda essa interação e compartilhamento que as pessoas querem hoje em dia e que já faz parte da cultura web. Acho que o YouTube é um precursor e conseguiu mostrar que mesmo tendo material considerado ilegal em seus servidores, consegue aumentar o interesse por um programa de TV, um clipe, um vídeo qualquer.

    O Joost é um projeto grandioso que aposto muitas fichas nele. Só acho uma pena não contemplarem o usuário gerando conteúdo. A tecnologia envolvida é simplesmente fantástica.

    Talvez o Fiz seja um oportunista. Mas o YouTube foi certamente desbravador. O Joost é revolução.

    Abraços!

    obs: tranqüilo errar meu nome. Acontece todos os dias, hehehe!

  9. Eu achei uma ótima idéia do pessoal da Abril.
    TV com conteúdo colaborativo. Acho que isso vai pra frente.
    http://forum.ievolution.com.br/index.php?showtopic=11348

  10. Micox,

    A idéia é interessante, mas depende da implementação. O que não me agrada é o canal de TV, que deveria ser o diferencial, mas é o gargalo restritivo de todo o conjunto.

    Abraços!

  11. […] – Fiz: uma visão geral […]

  12. O Melhor da Blogosfera Brasileira – Parte VII, A Missão…

    Mais uma edição da nossa já tradicional seleção do que melhor aconteceu na blogosfera BR. Vamos lá! O Rafael do Blog.MacMagazine nos mostra um vídeo sensacional e imperdível, que mostra como seria a campanha Get a Mac em uma……

  13. 13. Mario Nogueira disse em 5 maio 2007 - 04:49

    Fugita (desse vez escrito corretamente),

    Valeu pelo incentivo! Pode apostar que, além de ter me tornado um leitor assíduo do Techbits, vou tentar colaborar da forma que eu puder através do comentários, sempre que eu achar que tenho algo a contribuir.

    E sem ser muito chato, espero (da experiência com a nossa própria lista interna de discussão, acho que o George não seria tão otimista). :-)

    A verdade é que, até aquele BarCamp, há pouco mais de um mês, eu não fazia a menor idéia da existência e muito menos da qualidade de tantos blogs nacionais, em especial dos que tratassem da interseção entre novidades tecnológicas e empreendedorismo.

    Assim, o Techbits veio como uma boa surpresa. Espaços como esse têm mais é que ser cuidados e incentivados pelos seus leitores, cansados da mesmice e da desinformação dos meios mais tradicionais de informação.

    Bom, sobre o seu úlitmo comentário, gostaria de dizer que, ao contrário do que os meus comentários podem fazer parecer, eu concordo 100% com você que o ideal seria que os usuários sempre pudessem enviar qualquer conteúdo que quisessem.

    Como eu tinha dito antes, a solução para aquele problema da filtragem automatizada do conteúdo enviado pelos usuários de modo a bloquear o material protegido por copyright talvez tornasse isso possível (e talvez tivesse também um enorme impacto).

    Veja bem, eu não sou a favor dos abusos a que as formas correntes de copyright nos sujeitam. Nada disso.

    Por um lado, é claro que os artistas e as estruturas organizacionais que os suportam devem ser remunerados.

    Acontece que, por outro, a forma como as leis de copyright evoluíram ao longo das décadas deu origem para o surgimento de modelos de negócios super lucrativos, que abusam dessa legislação a fim de “vampirizar” tanto os usuários como os artistas (pergunte a qualquer artista com gravadora se eles ganham algum dinheiro com a venda de CDs).

    Existe uma boa cobertura (muito boa mesmo) desses assuntos no links abaixo:
    http://www.technologyreview.com/Infotech/14505/
    http://archive.salon.com/tech/feature/2000/06/14/love/print.html
    http://dondodge.typepad.com/the_next_big_thing/2007/03/how_napster_cha.html

    Ainda assim, penso que a melhor forma de subverter e superar um sistema ultrapassado (seja um sistema comercial ou político) é de dentro pra fora, ou seja, primeiro se tornando peça essencial desse sistema e, daí, poder levar a cabo as transformações originalmente pretendidas.

    Exemplo disso é a posição recentemente adotada pela Apple de se colocar pela abolição total do DRM, depois de esta ter se tornado um paradigma de modelo de negócios “legítimo” de distribuição de música na web ( http://www.apple.com/hotnews/thoughtsonmusic/).

    É claro que existem fortes interesses comerciais da Apple por trás dessa posição (vender mais iPods). É por isso que, por exemplo, a iTunes Music Store não vai vender música em outro formato que não o AAC, que, mesmo sem DRM, só toca em iPods, que sabidamente têm margens de lucro altíssimas ( http://michaelrobertson.com/archive.php?minute_id=231).

    Ainda assim, isso não deixa de ser um avanço do ponto de vista dos consumidores.

    Alguém acha que, se ao invés de Steve Jobs, o Richard Stallman, da GNU Foundation, tivesse escrito aquela carta aberta às gravadoras pedindo a abolição do DRM, o impacto teria sido remotamente semelhante?

    Portanto, a meu ver, é sempre assim que a introdução e, principalmente, a massificação de inovações tecnológicas (invariavelmente na forma de produtos e serviços oferecidos por empresas privadas) tem sido feita ao longo da história: sempre através da conciliação dos interesses de pelo menos uma boa parte dos envolvidos nos “ecossistemas” em questão.

    A propósito, sobre a filtragem automatizada de conteúdo, tem um pessoal tentando resolver esse problema ( http://www.snocap.com). Como ironia pouca é bobagem, vale destacar que o fundador dessa iniciativa é ninguém menos que o criador do Napster, Shawn Fanning. :-)

    Mais uma vez, parabéns pelo Techbits.

    Abraço!

  14. Mario,

    Será sempre um prazer receber um comentário seu! Muitas pessoas que participaram do Barcamp, não como blogueiros, mas apenas interessados nas discussões filosófico-tecnológicas acabaram por descobrir que existe uma blogosfera brasileira bastante ativa. Eu mesmo, antes de começar o Techbits não acompanhava direito a produção nacional. Focava nos blogs em inglês. Fui conhecendo vários, por necessidades da “profissão” e também vejo que há muita coisa boa por aí.

    Sim, concordo plenamente que é necessários que todos os envolvidos na situação (stakeholders) sejam beneficiados. Não adianta ser bom para a distribuidora do conteúdo e ruim para o consumidor e terrível para o cantor, por exemplo. O grande lance da internet e da cauda longa é esse: diminuição dos custos de distribuição. Teoricamente todo mundo pode ser um distribuidor atualmente. Vão se sobressair os que tiverem qualidade. A música “indie” está crescendo dentro desta onda de nicho e diminuição de custos.

    O que o Jobs fez, não sei se foi exatamente algo que ele queria, mas provavelmente foi uma antecipação do que é inevitável: a morte do DRM. A indústria sabe, todos sabem, é necessário um novo modelo de negócios. Mas aida está pra nascer quem vai ficar zilhonário criando esse modelo ideal para todos os stakeholders (bem que gostaria de ser eu!).

    O Fanning pelo jeito mostra-se como um grande inovador e empreendedor. Está de parabéns, hehehe!

    Abraços!

  15. Oi Alexandre,

    Escrevi sobre a Fiz TV no meu blog, citei trechos do seu texto lá também… Dê uma olhada…

    http://blog.danielflorencio.com

  16. Daniel,

    Legal, fui lá ler, muito bom o texto.

  17. 17. Victor Novaes disse em 13 jun 2007 - 17:10

    É evidente que o canal Fiz será limitado a uma grade fixa, pela limitação que a tv impõe, sendo assim, infelizmente, totalmente diferente da caracteristica long tail do youtube. Mas na verdade o que me empolga neste canal, é a possibilidade de trabalhar com conteúdo experimental feito pelos expectadores, muitos estudantes de comunicação, como eu, que sonham com um lugar ao sol. quanto ao Fiz virar um canal de videocassetadas, realmente tenho medo disso e vai depender da abril e dos usuários enviarem coisas bacanas para o canal ter um conteúdo interessante.

  18. Victor,

    Essa parte da cominidade será interessante. Vamos ver se vai superar um YouTube com esse apelo de passar na TV.

  19. 19. Mario Nogueira disse em 18 jun 2007 - 15:45

    Fugita,

    Achei que seria pertinente postar aqui a notícia de que o YouTube está (finalmente) desenvolvendo uma solução de filtragem automática dos arquivos enviados pelos usuários, tal como eu tinha sugerido nos comentários acima.

    Antes tarde do que nunca. :-)

    http://battellemedia.com/archives/003724.php

    De qualquer forma, na minha opinião, isso só confirma o que eu disse antes sobre o caráter oportunista do YouTube (e de similares, mesmo mais mal projetados, como o Fiz parece ser).

    O pessoal do YouTube sabia que o mais correto (e seguro) teria sido desenvolver essa tecnologia antes de lançar o site, mas resolveram arriscar e ver se podiam agregar audiência e, assim, ganhar tempo pra uma eventual aquisição ou IPO.

    Era só um “get-rich-quick-scheme”. Aquele video infame dos fundadores do serviço anunciando a venda pra o Google, com sorrisos de orelha a orelha, não ajuda a disfarçar isso.

    Como o Google pretende levar o YouTube adiante como um asset permanente e, além disso, também pode bancar o P&D necessário, agora (e somente agora) o YouTube contará com esse tipo de tecnologia.

    Acho que sai mais barato fazer isso do que continuar pagando centenas de milhões de dólares para os proprietários do material copyrighted que aparece no site (aos grandes proprietários, pelo menos).

    Não que seja barato. Mas, por outro lado, daquele montante de US$1,65 bilhão pago na aquisição do YouTube, cerca de U$600 milhões foram todos consumidos nesses pagamentos.

    Abraço,
    Mario.

  20. Mario,

    Sim, totalmente pertinente! Eu tinha visto já, inclusive acabei colocando essa info no post de ontem, mas de forma bem superficial.

    Talvez o YouTube tenha conseguido dominar o mercado exatamente por essa cultura underground de se encontrar de tudo por lá, inclusive material protegido. Não fosse isso o apelo seria bem menor. Achar o que queremos assistir, na hora que desejamos é o grande trunfo do YouTube.

    As grandes detentoras de material protegido também não se deram ao trabalho de processar o site na primeira oportunidade. Esperaram pra ver o que ia dar e viram que aquele material ilegal estava ajudando em sua audiência. Parece similar com aquela acusação que fazem à MS ser permissiva com a pirataria para ganhar mercado.

    Aparentemente eles estão conseguindo uma série de parceiros – que recebem para ter seu material no YouTube – incluindo aí a rede Globo. Acho que o oportunismo do YouTube está abrindo um grande mercado. Alguém tinha que dar a cara a bater. Assim como o Napster revolucionou à sua época a distribuição (ilegal) de músicas, o YouTube faz o seu papel hoje de trazer a TV para a internet.

    Abraços!

  21. *Moderação* – Dados pessoais como telefone são editados.
    Por favor entrem em contato comigo, preciso saber como é a grade de voce, horários, valores, etc.
    Tenho um programa já em piloto, preciso colocar no ar, é comédia, inédito no mundo.
    ]Aguardo,
    obrigada
    Nilce Costomsky
    11- {editado}{editado}

  22. Nilce,

    O Techbits não tem nada a ver com o Fiz TV. O Techbits é apenas um blog sobre tecnologia.

    Entre em contato com eles para qualquer informação.

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