26 março 2007
por Alexandre Fugita
O “Next Big Thing” da web certamente é o vídeo. O YouTube está aí pra provar, o Joost chega logo mais para quebrar paradigmas e a editora Abril lança o canal Fiz. A proposta do Fiz é, como o próprio nome diz, mostrar vídeos feitos pelo usuário, escolhidos entre aqueles postados no site do serviço. O canal será para a TV paga e a programação definida pelo usuário. Deve estrear até o meio deste ano e é uma tentativa de misturar a popularidade do YouTube com a velha mídia chamada de televisão.
Restrição não dá certo
O YouTube é diametralmente oposto à TV. Na TV comum há restrições de horário, grade de programação, variedade de conteúdo e de número de canais. Nada disso existe no YouTube. Você assiste quando quiser, o que quiser, na variedade quase infinita da cauda longa (long tail) dos vídeos. O Fiz tenta fazer uma mistura dos dois modelos mas erra feio exatamente no quesito que o diferencia do YouTube: continua restritivo na distribuição.
Ao criar um canal de TV paga, o resultado do Fiz será restrito por horários, disponibilidade do espectador, grade, etc… A única semelhança com o YouTube é a produção do conteúdo, crowdsorcizada para os usuários. O resto não passa da mesma coisa que a decadente TV convencional. Além de tudo isso é TV paga, ou seja, disponível apenas para uma pequena parcela da população.
Cauda Longa
Não adianta tentar adaptar um serviço de cauda longa que são os vídeos produzidos pelo usuário, para serem massificados através do sinal da TV à cabo. A cauda longa diz que tudo são pequenos nichos. O Fiz não vai se adaptar a nenhum deles e vai virar um canal de videocassetadas, o popularesco pão e circo que diverte as multidões acéfalas. Nada a ver com o YouTube e muito longe de um concorrente forte. O fato de tentar misturar duas coisas diferentes para tentar criar algo intermediário acaba nivelando o serviço à sua pior parte que é a restrição do sinal de TV. Nada de assitir ao Tapa na Pantera a hora que você desejar, só no horário nobre. Fala sério.
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25 março 2007
por Alexandre Fugita
O segundo e último dia do BarCamp São Paulo está mais esvaziado. Isso não significa necessariamente que esteja desinteressante. Muitas pessoas compareceram ao Gafanhoto, espaço cultural do Cazé, apresentador da MTV. Ele inclusive esteve aqui mostrando sua simpatia com todos os presentes. Pela manhã aconteceram apenas duas discussões: uma sobre o próprio BarCamp e outra sobre monetização na web.
BarCamp
O Tiago Dória está fazendo uma ótima cobertura de todo evento. Na discussão sobre o BarCamp fez um post com as discussões conforme ocorriam. Também blogando ao vivo está o Marcelo Antunes que descreveu em mais detalhes os tópicos desta discussão.
$ustentabilidade
Participei da discussão sobre sustentabilidade na web. O consenso foi de que as pessoas na web estão acostumadas a tudo de graça e um modelo de cobrança pelo conteúdo ou serviços é algo complicado. O Ronaldo do Superfície Reflexiva fala também sobre esta discussão.
A distribuição de conteúdo ficou muito barata o que possibilitou o surgimento de milhões de blogs, YouTubes e Flickrs. Discutiu-se novas formas de monetizar que precisam revolucionar os ganhos. Para a maioria presente o Adsense não traz resultados.
Almoço, fotos e outras coisas
O pessoal saiu do Gafanhoto e todos foram a pé ao Shopping Eldorado almoçar. Na volta mais discussões iniciaram: sobre desenvolvimento web, metareciclagem e a continuação da discussão sobre BarCamp.
![[Altas idéias] [Altas idéias]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/barcamp_batepapo.jpg)
Acompanhe:
25 março 2007
por Alexandre Fugita
Uma das discussões do primeiro dia do BarCamp foi sobre startups. A platéia era formada basicamente por empreendedores, alguns conhecidos e outros não. Idéias interessantes, uns que receberam capital de risco, outros que não poderiam revelar ainda um visão geral do negócio, etc… Foi interessante. Mas aquela sala estava um calor!
Wasabi
O Danilo Medeiros do Wasabi explicou a essência do serviço que é um agregador de feeds compartilhados na forma de rede social. Contou que quando começou o Wasabi estava na Austrália e trabalhou junto ao Bruno Torres, este no Brasil. Segundo o Danilo o Wasabi não será sustentado por propaganda e se houver possibilidade de venda para alguma gigante da web, não hesitará.
Rec6
O Renato Shirakashi apresentou a equipe do Rec6 presente ao BarCamp: Sidney Zanetti e Allan Panossian. Pra quem não sabe o Rec6 é um agregador de notícias colaborativas e recebeu recentemente aporte de capital de risco da Confrapar. Por este motivo a discussão girou em torno do break even de uma startup. Segundo o Renato atingir o ponto de equilíbrio não é fácil. A medida que o serviço cresce, novos custos vão surgindo como a contratação de colaboradores, etc… Junto com o Marco Gomes explicou o processo de obtenção de VC que não é nada fácil.
boo-box
O Marco Gomes veio de Brasília para o BarCamp. Todos questionavam qual o modelo de negócios de sua startup. A visão do boo-box é que o consumidor “2.0” está mudando e para atingí-lo nada melhor do que oferecer produtos dentro de um contexto. E é isso que o boo-box faz. Ele não detalhou seu plano de negócios mas informou que há sim formas de monetização. Explicou que o serviço dele é centralizado no servidor e que isso é importante pois atualizações no script do boo-box ficam sempre disponíveis para todos.
Spesa
O Nando Vieira teve a idéia para sua startup a partir de uma necessidade de organizar melhor as contas de sua casa. O Spesa é um gerenciador financeiro pessoal on-line. A aceitação do serviço foi tão grande que na primeira semana no ar mais de 50 e-mails com sugestões chegaram à sua caixa postal. Hoje conta com mais de 1500 usuários inscritos, pouco mais de 2 meses do lançamento do serviço. Surpreendeu-se inclusive com a matéria da IDGNow! que citava o Spesa como parte da esfera brasileira de empresas web 2.0.
Outras startups
Vários outros empreendedores presentes tinham suas startups. Mas muitos deles não puderam revelar ainda a essência do serviço pois está em desenvolvimento. Foi interessante notar que todos essas pessoas apostando no mercado web do Brasil são jovens entre seus 20 e 30 anos. É nessa geração que devemos apostar para o surgimento de boas idéias, grandes implementações e novos serviços. Afinal, o Vale do Silício é aqui!
24 março 2007
por Alexandre Fugita
O BarCamp São Paulo começou com várias discussões. A mais movimentada delas era sobre a web 2.0. Peraí, mas web 2.0 não existe! Estavam presentes vários dos empreendedores da internet brasileira como o Renato Shirakashi do Rec6 e Marco Gomes do boo-box.. Vamos às fotos!
Auditório principal
![[Auditório BarCamp] [Auditório BarCamp]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/barcamp_auditorio.jpg)
Quadro das trilhas

Discussão sobre web 2.0

OLPC, a vedete do evento

23 março 2007
por Alexandre Fugita
Ontem as redes de TV americanas Fox e NBC anunciaram a criação, para este ano, de mais um YouTube killer. Mas segundo o TechCrunch, há um pequeno problema: o serviço não tem nome e a piada interna dentro do GooTube chama essa associação de Clown co. (palhaço, pra quem não sabe). Por causa disso perderam várias oportunidades de divulgação e se demorarem muito para escolher um nome correm o risco do Clown co. tornar-se o apelido oficial do site a ser lançado.
Um pouco de história
Quando o YouTube surgiu todos ficaram maravilhados. Quando o site ficou famoso e os vídeos ilegais fazendo sucesso, as redes de TV ficaram com um pé atrás e preocupadas. Aí o Google comprou e os advogados ficaram atiçados. Alguns fizeram acordos como a BBC e outros processaram como a Viacom. Todas sabem que se não mudarem seu modelo de negócios vão perder dinheiro. Por isso essa idéia do YouTube killer.
Distribuição de conteúdo
Já falei várias vezes no Techbits e volto a repetir. O atual estado da distribuição de conteúdo não é nada favorável ao consumidor. O YouTube é o oposto da TV, por isso seu sucesso. Além disso as restrições são em parte responsável pelo surgimento do mercado paralelo de pirataria e P2P.
As criadoras de conteúdo estão preocupadas. Não sabem que direção tomar. O surgimento da Clown co. pode ser a mudança que todos esperamos. Ou não. O fato de somente duas empresas terem feito acordo para criação deste novo serviço pode ser sinal de problemas. Cadê os outros? Será que cada um vai tentar criar seu próprio YouTube killer? A Viacom já fez das suas, criou um site para assistir aos seus programas e tem acordo com o Joost (ver análise do Joost aqui), este sim um candidato fortíssimo a competidor do YouTube.
Vamos esperar pra ver. E o governo brasileiro ainda insiste em discutir e regulamentar a TV digital… Pra mim é uma tecnologia que quando surgir já estará morta.