Não pirateie o Windows, há opções

por Alexandre Fugita

UbuntuHá pouco mais de um mês fui assaltado e levaram meu notebook, ou seja, minha ferramenta de trabalho. O computador rodava Windows XP original OEM. Como conheço um pessoal na Microsoft, perguntei se poderia utilizar aquele DVD do Windows – notem, original – que tinha sobrado na caixa vazia do roubado laptop. Claro, não podia. Óbvio, ao ter comprado o Windows e concordado com a EULA (termos de uso), concordei que seria assim caso isso acontecesse.

Faz umas duas semanas comprei um notebook novo. Desta vez escolhi, pela primeira vez em toda a minha vida, não usar o Windows no PC. Ok, não estou contando a época em que eu tinha o MSX e achava aquela tela de 16 cores o máximo. Adquiri um notebook Positivo, com Linux Mandriva pré-instalado. Tirei o Madriva e coloquei o Ubuntu. Como nos últimos anos comecei a achar que o sistema operacional estava perdendo a importância, tudo que eu queria era um computador que rodasse o Firefox. E o Ubuntu[bb] tem FF nativo. Ótimo.

O fato é: se eu for novamente roubado, posso usar o mesmíssimo CD que usei para colocar o Ubuntu na minha atual máquina, para instalar onde mais quiser. Além disso, não preciso comprar licença do MS Office, já que meu uso do pacote seria nas funções básicas. Vou de Google Docs. E também não pretendo instalar Windows neste notebook mesmo porque existe o Wine e também já tenho um desktop com Windows XP.

Já que acredito que a web é a nova plataforma, fiquei feliz esse fim de semana ao descobrir que minha evangelização em softwares on-line traz resultados. Descobri que uma amiga, que também comprou um notebook recentemente, decidiu usar o Google Docs ao invés de comprar uma licença do MS Office 2007. Agora falta convencê-la a usar um leitor de RSS[bb], on-line, claro. Não pirateie software, há opções.

Empreendedorismo: seja inquieto

por Alexandre Fugita

StartupCamp 2007Estive no StartupCamp neste fim de semana e assisti a diversas mini palestras de empreendedores e investidores. Foi bastante interessante, pude conhecer muita gente, pessoas que estão mudando a internet no Brasil, e saí com uma ótima impressão dessa geração de empreendedores que faz aflorar, em terras tupiniquins, esse espírito de Vale do Silício. Claro, lá fora há mais capital de risco disponível, existe muito mais startups procurando seu lugar ao Sol, o mercado é muito maior. Mas o Brasil está criando este ambiente de inovação, de empreendedorismo, o que é saudável.

O que notei de interessante é que quem tem no sangue essa vontade de mudar o mundo, de criar coisas inovadoras, de surpreender a cada novidade, possui um perfil muito parecido. Costumam ser gênios incompreendidos, que não estão a fim de um trabalho formal de assalariado, e que preferem arriscar tudo por um sonho, um ideal. Não querem prestar concurso, querem ser donos do próprio nariz. Lógico, quebram a cara muitas vezes, alternam idéias brilhantes com coisas nada a ver, e certamente querem ganhar muito dinheiro. Mas não adianta só ter “A Idéia”. É preciso saber colocá-la em prática.

Um dos mantras mais repetidos nas várias palestras, foi de que o empreendedor precisa ter aquela inquietude no espírito. Precisa querer aquilo, acreditar no negócio, arriscar e inovar. Isso vindo pessoas como o Carlos Guillaume (Confrapar), Marcelo Ballona (um dos fundadores do Submarino), Fabio Ingel e Carlo Dapuzzo (Monashees Capital), Fábio Seixas (Camiseteria e WeShow), Tanaka (boo-box), Manoel Lemos, (BlogBlogs) e o pessoal da Aprex, vale ouro. O público, formado por empreendedores e interessados no assunto – todo mundo tem uma startup na manga – aprendeu bastante.

Para finalizar, acho que todos precisam agradecer ao Cazé Peçanha, dono do Espaço Gafanhoto e do portal de mesmo nome. Como sempre, a estrutura cedida foi fantástica, tudo funcionou perfeitamente. Além de devastar culturas, o Espaço Gafalhoto se consolida como local em que o networking rola solto e de eventos interessantíssimos. Tenho certeza que muitas parcerias já foram traçadas em seus eventos, desde as sessões YouTube a desconferências de todo tipo. Além de, claro, agradecer à boo-box, confeitaria lá da esquina, que tem patrocinado coffee-breaks cada vez melhores.

Algumas das apresentações, via SlideShare:

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Encontros e desencontros

por Alexandre Fugita

[Café.com Blog] Essa semana aconteceu em São Paulo o Café.com Blog de tecnologia, idealizado e promovido por Manoel Netto, Lúcia Freitas e Revista Bites. Dez blogueiros e vinte empresas misturados em um mesmo salão. A intenção do Manoel Fernandes, publisher da Bites, é exatamente promover a interação entre empresas e blogs. Nitidamente podemos notar que o ano de 2007, foi o ano que as empresas no Brasil despertaram para a existência desta comunidade influenciadora chamada blogosfera.

Achei a iniciativa da revista Bites fantástica e vai de ao encontro dos interesses de todos os envolvidos. Mas o formato da reunião foi um pouco engessado. Claro que uma desconferência não se encaixaria no modelo esperado por parte do público, mas acho que faltou um pouco mais de interação entre as partes, blogueiros e empresários. Uma das tentativas de quebrar esse gelo foi misturar o pessoal de terno com o de camisas (arquivo PDF, com uma descrição do encontro).

A presença de nomes de peso como Forrester Research, iG (sim, o Caio Túlio Costa estava lá), S2 (assessoria de imprensa da Microsoft), Espalhe (agência de marketing de guerrilha por trás do caso Gossip Girl, que provocou buzz na twittosfera), Edelman (vide Phil Gomes), entre outros, mostra que tem gente de peso interessada nos blogs. O caso do encontro com blogueiros promovido pelo pessoal da gigante de Redmond foi apresentado como um dos pilares desse interesse.

A questão a saber é se o interesse das empresas e seus executivos é real. Já que blogs são formadores de opinião, qual é o interesse deles na gente? Querem um canal de mídia espontânea ou querem uma parceria interessante (anúncios!) para ambos os lados e de longo prazo? Creio que o melhor é algo balanceado nesses dois conceitos.

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Google Phone não existe, parte 65536

por Alexandre Fugita

[Google Phone? Nhé!] Estou exagerando no número acima, na verdade deveria ser parte 3. É a terceira vez (1, 2) que escrevo um título em um blog dizendo que o gPhone não existe. E não é que acertei? As minhas razões são simples de entender. O Google nunca vendeu, para o consumidor final (*), qualquer tipo de hardware. Não faz parte do core business deles. A gigante de Montain View é basicamente uma empresa de software. No começo de 2006, todo mundo achava que a Google venderia um PC – notem, hardware – com Google OS. Nada feito, lançaram o Google Pack.

(*) leia os comentários números 9 a 15, pelo menos… :-)

Faz todo sentido do mundo que o esperado gPhone seja na verdade um sistema operacional e um SDK para dispositivos móveis. E ainda, com os movimentos da semana passada, de criar uma plataforma de aplicativos web, juntamente com a tendência a transformar tudo em pequenos softwares que interagem com a nuvem da internet (widgets, alguém?), o círculo se fecha. APIs livres e pululantes, soltando bits pra quem quiser.

There is no spoon

Já dizia o garotinho prodígio do primeiro Matrix, “there is no spoon, ops, gPhone“. O que existe é o Android, um sistema operacional, uma plataforma de desenvolvimento e que vem para tirar a importância do SO dos dispositivos móveis, tal como a Google e toda essa história de web 2.0 fez para com o desktop. Mas como assim, se estão lançando um SO? Tudo está explicado no post do blog official da Google: quem não tiver um dispositivo rodando Android continua a ter todos os serviços Google do seu navegador web mobile preferido. Ou com algumas aplicações multi-plataformas como o Google Maps. Exatamente o que o Nando do Undergoogle faz

[Google Phone é de todos!]

Palm com Linux? Tsc, tsc…

Quem deve estar comendo o chapéu agora é o pessoal da Palm, que está para lançar um novo sistema operacional baseado em Linux já faz uns… 5 anos… nem lembro mais. Depois do fracasso do Foleo – que teria tudo para ser a janela web da máxima “o PC é um acessório do Firefox”, agora vem o ataque de gente grande, que entra no jogo para ganhar. Não duvido nada que o PalmOS Linux seja abortado também… R.I.P.

OpenSocial + Facebook + Web 2.0 vs. Desktop, o fim de uma era

por Alexandre Fugita

[Geek Garbage, via Flickr] Na semana passada uma revolução aconteceu, fiz um preview, mas errei um pouco o que deveria ter entendido na ocasião. O que está em jogo com o OpenSocial é o fim da era desktop e a ascensão da web como plataforma. Ok, você já deve ter lido isso aqui e em outros lugares várias vezes, está cansado de profetizarem os softwares on-line, mas esse movimento da Google, objetivando a criação de uma plataforma de web services aberta, é uma aposta gigante em tudo isso que estamos ouvindo desde que inventaram o termo web 2.0.

O Ajax – eu sei, tudo tecnologia velha, rearranjada de uma maneira diferente – o SilverLight, o Adobe Flex, todas essas formas de desenvolver Rich Internet Applications estão na luta para tentar dominar a nova era. Hoje tanto faz o sistema operacional que você roda em sua máquina. Linux, MacOS com o novíssimo mega sucesso Leopard, Windows Vista ou XP ou mais antigo… Que se dane o sistema operacional, o PC é um acessório do Firefox. Tudo que precisamos é um navegador web, uma janela para as aplicações on-line, um browser decente.

A minha preocupação agora é tentar descobrir qual será a nova quebra de paradigma – desculpa aí, Faxinar – a mudar o mundo da tecnologia. E não é a web como plataforma, isso já está virando lugar comum. A IBM teve sua época, a Microsoft também. O Google domina essa era, mas está pra surgir a nova empresa que vai assustar e ao mesmo tempo causar admiração em todos, e deixar a gigante deMontain View para trás. Não, não estou falando da bolha do Adsense. Estamos na era da web. Qual será a próxima? Web off-line? Mobile? Cadê o Google Phone?

(*) foto deste post, via Flickr

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