Fiz TV: uma análise

por Alexandre Fugita

[Fiz TV] O Fiz.TV é um projeto da grupo Abril que mistura site de vídeos feito pelos usuários e canal de televisão. O blog do Fiz já está no ar faz duas semanas e traz posts diários com dicas de vídeos e coisas que estão acontecendo no serviço. O site de vídeos começou a funcionar faz uma semana. E o canal da TV deve estrear em 1o. de Agosto. A proposta é interessante, de maneira geral gostei da idéia, com ressalvas.

Blog do Fiz

Ao digitar fiztv.com.br no seu navegador, você cairá no blog do Fiz.TV, escrito pelo Fábio que também atua como ator nos vídeos que aparecem no cabeçalho do blog. Os posts são interessantes e curtos. Muitos deles possuem vídeos, como a conversa de duas japinhas fazendo um jogo da verdade e andando pelo largo de Pinheiros em SP. Encontrei dois problemas que me incomodaram no blog do Fiz: não existe RSS. Sem RSS eu não acompanho e sei que um monte de gente antenada também não. E é esse o público que eles querem atingir inicialmente. Outra coisa são os comentários. Seu e-mail fica lá, exposto no link para os robôs de spam fazerem a festa.

Site do Fiz.TV

O site de vídeos propriamente dito é feito em flash. Interessante, dá uma funcionalidade extra ao Fiz.TV, mas evita que os mecanismos de busca como o Google consigam indexar o conteúdo, o que pode ser um sério problema. Pra falar a verdade não acho que tenha sido uma boa escolha. Se fosse só player em flash, tudo bem. Mas o site inteiro não ajuda em várias coisas. É possível comentar individualmente em um vídeo e também enviar scraps para a pessoa que fez o upload dele. Claro, é preciso estar cadastrado e logado no Fiz para isso.

O cadastro exige muitas informações. Do CPF ao seu endereço. De um telefone, à obrigação de ter um avatar. Complicado demais, vai afastar muita gente. Além disso, se você estiver logado e abrir outra aba ou janela com o Fiz.TV, o sistema não percebe que você já está logado, ou seja, precisa entrar de novo com login e senha para comentar, por exemplo. O interessante é que nós como usuários da comunidade ganhamos patentes dentro do site, dependendo do grau participação. Começamos como telespectador, subimos para contra-regra, logo em seguida figurante, protagonista, diretor e, o supra-sumo de todos as patentes, Chuck Norris.

A qualidade dos vídeos é boa. Não estou falando da resolução da imagem e sim do conteúdo. Muito bom, material de alta qualidade. Clipes, curtas, documentários, humor e animação são os tipos de vídeos que temos para assistir. Por enquanto não há quantidade e são poucos os views de cada vídeo. Até a estréia da TV ninguém vai ficar famoso como às vezes acontece no YouTube. É possível colocar um vídeo embed em um site (mas não redimensioná-lo), como demonstro a seguir com o curta Matrix baixo orçamento feito pelos alunos da ECA-USP.

Direitos autorais

O YouTube já enfrentou uma série de problemas por causa de material protegido por direitos autorais. Certamente o Fiz vai encarar o mesmo tipo de dificuldade. Mas eles têm uma carta na manga. Se for detectado um vídeo que contenha imagens ou música protegidas, uma equipe vai tentar entrar em contato com os detentores dos direitos autorais para licenciá-lo. Ótimo, via ser interessante. E se tiverem sucesso na maioria das tentativas, está aí um modelo de negócios bom para todas as partes.

Fiz.Social

O Fiz é uma startup antenada, ligada na blogosfera. No mesmo dia do lançamento do iPhone fizeram um evento para blogueiros na casinha do Fiz. 20 blogueiros selecionados por algum critério misterioso tiveram o privilégio de conhecer os bastidores do Fiz.TV e seu funcionamento. Eu estava lá, assim como várias outras URLs, ops, blogueiros. No encontro teve pizza e cerveja e conheci várias pessoas como o Renê Fraga (Google Discovery), o Carlos Merigo (Brainstorm #9), a Bruna Calheiros (Sedentário e Hiperativo ), a Rosana Hermann (Querido Leitor), a Clara McFly (Garotas que dizem ni), o Ale Rocha (Poltrona TV), e a Renata Honorato (Sampaist).

Também reencontrei outros que já conhecia anteriormente como a Marisa Ematoma (Objetos de desejo), o Tiago Dória (Tiago Dória weblog), o André Marmota (Marmota), Alexandre Inagaki (Pensar Enlouquece), Gustavo Jreige (Outros Olhos) e Carlos Cardoso (Contraditorium).

Outros bloggers presentes foram o Fred Leal e o Rafael Spoladore (Senhor Tempo Bom), Ian Black (Enloucrescendo), Luiz Biajoni (Biajoni), Luiz Jeronimo (Tarja Preta), Patricia Barcelos e Caio Castro (Update or Die), Ricardo Lacerda (The Curto e Grosso) e Phelipe Cruz (Papel Pop). Foi divertido encontrar esse pessoal e trocar várias idéias. Ah, e os links de cada um deles leva respectivo texto sobre o Fiz, se existir, em cada um dos blogs.

Google Maps: cada vez mais parecido com o Earth

por Alexandre Fugita

[Mapplets Google Maps] O Google Maps está evoluindo com o passar do tempo. Funcionalidades antes só presentes no Google Earth, são incorporadas ao Maps. A última delas foram os Mapplets, informações úteis, externas, tipo widgets, que flutuam sobre os mapas. Por exemplo, há uma camada do Panorâmio, velho conhecido de que usa o Earth. Fotos[bb] de vários pontos do planeta, colocadas por usuários, retratam cantos conhecidos das cidades, incluindo o Brasil. Um Mapplet curioso é a coleção de “crop circles”, aqueles desenhos feitos por ETs no meio das plantações (imagem acima). O Google Maps vai substituir o Google Earth?

Cloud-centric

Todos sabem, o Google constrói sua base de software na internet. A web é o sistema operacional. E não está errada na sua escolha de plataforma. A internet é universal, compatível com Linux[bb], Windows, Mac, Palm, Symbian, etc… As APIs fazem a integração entre os diversos serviços através da nuvem da internet. Até o pessoal de Redmond tem seus planos nesta área.

Dados estão em algum servidor perdido na nuvem. Uma aplicação web, um cliente de desktop ou mesmo o seu smartphone[bb], buscam nesses lugares as informações que necessitam para rodar. É o conceito de rede expandido para englobar toda a internet. Parece óbvio, mas é mais ou menos isso.

Maps vs Earth

No Google Developer Day, a aplicação do Google com as APIs mais desenvolvidas foi certamente o Maps. Não é à toa que, como se fosse um “Hello World”, quase todo mundo acaba criando uma mashup que envolva o Google Maps. Além disso, como já foi dito, a cada dia novas funcionalidades poderosas são implementadas a essa plataforma. Chega ao ponto de ficar tão parecida com o Earth que este perde a razão de ser.

Uma das perguntas que fiz a um dos especialistas em Earth no Google Developer Day foi se um dia o Google Earth acabaria. Minha argumentação é que vemos o Maps evoluindo com uma rapidez impressionante, além da ótima integração para criação de mashups, enquanto o Earth parece ter parado no tempo. Claro, foi negado, e certamente é verdade. O Earth ainda tem funcionalidades não mimetizáveis por um web service. Mas que o Maps está chegando lá, está.

Mashups

Alguns desenvolvedores estão preocupados com as bilhões de funcionalidades que o Google está incluindo no Maps. Pra quê desenvolver para essa plataforma se logo mais sua incrível criação terá algo similar do próprio Google? Acho que esses desenvolvedores estão chorando à toa. Cada vez que uma funcionalidade nova é implementada no Google Maps, novas oportunidades surgem para mashups interessantes. É só ter criatividade.

iPhone: will it blend?

por Alexandre Fugita

[Will it blend?] Uma das séries de vídeos mais famosa da internet é o Will it blend? da fabricante de liquidificadores Blendtec. Depois de assistir aos impagáveis stop motions de jogos do Atari, nada como ver se um iPhone “blends”. Estava até demorando, os fãs do Tom Dickson – o cara que testa tudo quanto é objeto no liquidificador – estavam impacientes.

O iPhone é resistente. Se você observar bem, demora um pouquinho até alguma peça se soltar. A primeira parte destruída é a cobertura de plástico preto que esconde a antena. Depois disso o liquidificador transforma os circuitos eletrônicos em um pó cinzento que é chamado no final do vídeo de iSmoke.

Smash my iPhone

Um sujeito criou a rede SmashMy(nome do gadget).com. Arrecadava dinheiro para comprar os últimos lançamentos e filmar sua destruição. Atingiu seu objetivo para o PlayStation 3, iPod, o Wii… A última incursão do empreendimento, smashmyiphone.com, só arrecadou 1 dólar. De qualquer forma outra pessoa já destruiu um iPhone tentando abrir com um martelo. Acho mais legal com liquidificador.

Google Apps e a segurança da informação

por Alexandre Fugita

[Google] O Google fornece para pequenas e médias empresas um pacote chamado de Google Apps, que consiste em gerenciamento de email, documentos, calendário e mensageiro instantâneo. Se o cliente tem poucos usuários (caso do Techbits) o serviço é gratuito. Para operações um pouco maiores custa 50 dólares anuais por usuário, uma barganha (*). O grande problema é a segurança da informação. Os dados ficam armazenados em servidores do Google, em algum lugar do mundo. Como convencer os CIOs de que essa é uma solução segura? Ontem foi anunciada a compra da Postini, empresa especializada em segurança online.

A idéia do Google é convencer grandes empresas a migrar suas plataformas para o Google Apps. Atualmente cerca de 1000 pequenas empresas começam a usar o Google Apps todos os dias. Mostrar que a plataforma é segura pode facilitar a venda de pacotes pagos. Um dos fatores que fazem a TIC manter os sistemas legados é que conseguem gerenciar razoavelmente bem as regras de negócios. Se o Google mostrar que sua plataforma pode substituir com segurança esses sistemas, está aberta a porta para conquistar fortemente o mercado corporativo.

O interessante é que o Google não mantém apenas uma cópia ou duas das informações. O sistema deles funciona em uma espécie de grid computing, com sistema de arquivos próprios chamado de GFS (Google File System, o que mais poderia ser essa sigla?). Mesmo que um servidor pegue fogo, pife, seja destruído, várias outras cópias dele rodam em outro lugar e assumem imediatamente, sendo totalmente transparente para o usuário.

Um organização que queira ter um sistema seguro para evitar perda de informações teria que investir milhões e assim mesmo ficaria vulnerável caso mantenha poucas cópias backup, mesmo em lugares distantes. Obviamente não adianta manter o backup no mesmo prédio da cópia principal. E seu datacenter for vítima da síndrome do Boeing? Claro que a solução que o Google implementa não é perfeita. Mas possui um ótimo custo-benefício para a maioria das organizações.

[Atualização]: (*) O Alex Hubner do CFGigolô informa que o Google Apps não aceita pagamentos de empresas brasileiras, o que é um problema para a expansão do serviço aqui no Brasil. Assim o Google Apps fica restrito apenas à versão gratuita, ou seja, para microempresas.

A internet é uma série de tubos, parte 65536

por Alexandre Fugita

[Série de tubos] Na semana passada descobri no blog do Alessandro Martins que o email do governador do Paraná, Roberto Requião, estava retornando respostas mal educadas. Um eleitor enviou uma reclamação para o email oficial do governador do Paraná e recebeu de volta, como resposta, uma só palavra: “Imbecil”. Isso foi no dia 2 de julho. Resolvi fazer um teste no dia 5 de julho, dei o benefício da dúvida, vai que no dia 2 de julho o email do governador do Paraná estava hackeado. Surpreendentemente respostas mal educadas aconteceram novamente. Uma coisa é certa: não importa quem esteja respondendo, seja um assessor, seja um hacker, isso é inadmissível vindo de um email do tipo governador@pr.gov.br. Duvido que tenha sido o próprio Requião a responder esses emails, não seria tão descuidado assim. A dúvida persiste: o governo do Paraná foi hackeado ou a internet é uma série de tubos?

molequinho safado.bobinho procurando promocao com estripulia.

Sim, esse subtítulo acima foi uma das respostas que recebi do email oficial do governador do Estado do Paraná. Em seguida liguei para o gabinete do governo do Paraná e fui atendido por duas moças simpáticas e que prometeram averiguar minha hipótese de hacker na linha. Disseram que retornariam a ligação. Estou esperando desde quinta-feira. Já que estava com espírito investigativo, recrutei dois bloggers-amigos para me ajudarem a decifrar algumas coisas. Pedi para que cada um deles enviasse um email para o mesmo endereço que eu havia escrito antes. Um deles enviou uma solicitação de esclarecimento sobre mensagens mal educadas. O outro enviou um elogio. O pedido de esclarecimento foi respondido, negando qualquer conhecimento sobre o assunto. O elogio não foi respondido. Confesso que foi difícil encontrar algo a elogiar.

Curiosamente a mensagem respondida possui endereço IP quase idêntico a de uma das respostas mal educadas que recebi. Só difere no último número. Ao invés de .50, é .49, ou seja, ali do lado… A assinatura de ambos os emails é idêntica e revela que quem responde é um orgulhoso dono de um Blackberry. Um outro email que recebi vindo dos endereços oficiais do governo do Paraná aparentemente foi respondido de um desktop pois usa IPs e assinaturas diferentes, mas mesmo assim são provenientes de servidores de dentro do governo do Paraná. Deixo aqui cópias em texto dos headers originais (com rotas IPs, etc.) dos emails recebidos para análise de quem quiser. Tirem suas próprias conclusões.

[Emails]

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