15 outubro 2007
por Alexandre Fugita
A maioria de nós que esta acostumada a usar serviços web, procuramos soluções estrangeiras. Mas há muita coisa interessante sendo criada no Brasil. Fora os serviços que já citei algumas vezes aqui no Techbits, parei para olhar algumas outras iniciativas web 2.0 tupiniquins. O empreendedorismo
está florescendo na web brasileira. Eis alguns serviços interessantes, há outros, essa é apenas uma compilação:
OlhaOnde.eu
O BigBrother na web ganha mais um aliado. O OlhaOnde.eu é um mashup do Google Maps no qual podemos apontar coisas que fizemos e sua localização. Por exemplo, vamos supor que você foi viajar e quer tornar público o roteiro. É só criar um olhaonde.eu/viajei e apontar no mapa a localização. Aparentemente o negócio de localização 2.0 está fervilhando. Ontem mesmo o Google incluiu no Google Earth vídeos do YouTube localizados geograficamente.
Descolando
Na escola/ universidade sempre quem nos avalia são os professores. Pois com o Descolando a moeda se inverte. Nesta rede social os alunos avaliam os professores e dão dicas valiosas para enfrentar a matéria. Isso já acontecia no orkut, mas agora fica tudo centralizado em um único lugar. Se a qualidade do ensino melhor, está valendo.
Gozub
O Gozub é uma espécie de Twitter, mas em português. Tem praticamente as mesmas funcionalidades do irmão famoso, só que não existe versão mobile. Como a maioria das pessoas que conheço usa muito a versão mobile do Twitter, o Gozub perde pontos nesta área. Mas segundo o FAQ do serviço, uma versão móvel está a caminho. Enquanto isso dá pra se virar configurando seu IM no celular para conversar com a API do Gozub.
Tuangr
O Tuangr – nome estranho, não? – se propõe a juntar compradores (consumidores finais) para conseguir preços melhores na compra de coisas como impressoras, computadores, essas coisas. Há alguns fornecedores selecionados que dão desconto a medida que mais compradores se interessam por um produto. Por exemplo, um servidor HP pode variar de 1600 a 1770 reais, dependendo do número de compradores.
Orangotag
Para quem curte séries de TV, o Orangotag é o lugar para organizar o que você já assistiu, suas tags. Por ser uma rede social você fica sabendo o que seus amigos andam assistindo, quando isso ocorreu, etc… A idéia é interessante mas levando-se em conta que as séries demoram um tempo para chegar ao Brasil, quem assistiu ao último episódio do Heroes
e marcou isso no Orangotag, pode estar afirmando que compartilha arquivos pelos meios obscuros.
14 outubro 2007
por Alexandre Fugita
Este é um quase-ego-post, pule se preferir. Enquanto existe aquela polêmica de qual blogueira irá sair em uma revista (Playboy), um blogueiro saiu em outra revista, no caso a Época Negócios. Fui “entrevistado” (foto acima) para uma matéria que estavam fazendo sobre “O Poder do consumidor no mundo digital“. A reportagem tem cerca de 20 páginas e conta também com a presença de outra blogueira, a Patrícia Müller, do Sinestesia.
O texto é interessante, vale a leitura. O objetivo é abrir para o leitor da publicação – executivos e pessoas interessadas em negócios – esse mundo novo que é a web colaborativa, redes sociais, blogs, que se convencionou chamar de web 2.0. Aquele personagem polêmico, o Andrew QUEM?, autor do “The Cult of Amateur”, crítico feroz de toda essa bolha 2.0, tem também seu espaço.
O caso Estadão é citado algumas vezes. O Rodrigo Lara Mesquita, acionista do jornal, figura na reportagem devido ao seu texto pró-blogueiros publicado na Peabirus, sua startup. Outro caso discutido é o do Boticário, que entrou em contato com uma consumidora-blogueira, a Patrícia, depois dela ter postado sobre uma linha de produtos que só era vendida em uma certa época do ano. Também fala-se da Microsoft
, que convidou blogueiros para uma aproximação meses atrás.
Lá quase no final da matéria, a Época traz um guia para executivos se aventurarem no mundo dos blogs. Nada de press-releases, nada de marketing gratuito. A conclusão é seja honesto e transparente, interaja com os leitores-consumidores e torne-se um executivo-blogueiro respeitado. As vendas agradecem.
11 outubro 2007
por Alexandre Fugita
Dias atrás, quando defendi o YouTube frente à TV digital, alguns não entenderam que a minha crítica ia para a forma de distribuição de conteúdo. Não acho que os tradicionais produtores de conteúdo vão deixar de existir. Acho que terão de formular uma nova forma de distribuição. O Tiago Dória, comentando o caso da Madonna que vai abandonar a tradicional Warner pela Live Nation, tirou as palavras do meu teclado:
“(…) na parte de distribuição [as gravadoras], já perderam o bonde da história para a internet – já não têm controle sobre como e onde o seu conteúdo será distribuído. Aliás, o que a internet vem mudando é muito mais a indústria da distribuição do que a de produção de conteúdo.”, Tiago Dória
Somos ladrões?
A indústria de entretenimento considera seus consumidores ladrões. Processam pessoas que querem seu produto, mas que estão cansadas da mídia física, que exige, por exemplo, comprar várias músicas ruins quando só queremos uma única faixa. Quando colocam em lojas virtuais como a iTunes, enchem o arquivo de DRM. Ao invés de confiar naqueles que geram sua receita, desconfiam. Sua incompetência em entender que o mundo mudou é transformada em processos. Não é à toa que a troca ilegal de arquivos pela internet corre solta.
O blog Torrent Freak diz que uma banda de rock propôs que todos nós roubemos mesmo música das gravadoras, pois para a banda, dinheiro da venda de CDs nunca aparece. A idéia é mais ou menos essa: se algum fã quer mesmo que o dinheiro chegue ao artista, roube música das gravadoras para acabar de vez com elas, vá aos shows, compre uma camiseta e entoe a canção. Pelo menos o dinheiro entra.
A mensagem é clara: a distribuição de conteúdo, do jeito que está hoje, não funciona mais como modelo de negócios. Radiohead sabe muito bem disso e publicou seu último álbum somente on-line. Sem falar do caso “Tropa de Elite”, que ia cobrir aqui, mas acabou ficando para trás.
Barateamento dos meios de distribuição
Antes só a Big-Company-Inc-S.A. tinha dinheiro para bancar a distribuição de informação, seja ela um texto, uma música ou um filme. Todo mundo está cansado de ouvir, hoje todos podem ter um blog, distribuir músicas, fotos, vídeos. Ficou barato.
O meio internet, os bits e bytes da grande rede, transformaram a distribuição em commodity, algo que a indústria custa a aceitar. Não é à toa que minha TV, meu jukebox, meu livro, meu jornal, todos são a internet. Continuo aceitando pagar para receber conteúdo como filmes, livros, etc… Mas prefiro a internet como meio. Ponto final.
Leia também:
(*) imagem deste post, via Flickr
11 outubro 2007
por Alexandre Fugita
Lendo um post mais antigo do Nelson “Pô, Meu!” Corrêa, fui alertado de que é interessante divulgar eventos antes que eles aconteçam (óbvio!) e não apenas publicar algo depois, sem a possibilidade dos leitores também aproveitarem os mesmos eventos. Por isso, estou abrindo um pequeno desvio da programação de posts para divulgar alguns dos eventos que o Techbits (ou seja, eu!) estará presente nos próximos dias e que quem puder participar, sempre vale à pena.
Workshop sobre blogs
A Ana Carmen, co-autora da série de livros Conquiste a Rede (download gratuito), sobre blogs, podcasts, e jornalismo cidadão estará promovendo, juntamente com Jeff Paiva, Diego Franco e Lucia Freitas, um workshop sobre blogs, amanhã (12 de Outubro), no Espaço Cultural Caixa Econômica no Conjunto Nacional, em São Paulo (mapa) a partir das 14h. O evento faz parte do Corredor Literário na Paulista. Se estiver por aí no feriado, apareça!
(*) foto desta seção obtida do Flickr da Ana Carmen, todos os diretos reservados.
Ebai – Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação
A Carolina Leslie, do blog Petitpois, é arquiteta da informação e vem agitando há algum tempo conversações entre profissionais da área. Aproveitou o interesse de muitas pessoas e está organizando o Ebai (não, nada a ver com aquela loja virtual), acrônimo para Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação. O evento acontece em São Paulo, nos dias 19 e 20 de Outubro. As inscrições estão abertas e a programação é pra lá de interessante.
BarCamp Rio de Janeiro
O Nick Ellis, do blog Digital Drops, está organizando a desconferência BarCamp Rio no dia 21 de Outubro. O evento ocorrerá na PUC-Rio, auditório da RDC (mapa) e contará com a presença de muita gente que anda fazendo a internet no Brasil. Por experiência própria, esses eventos de desconferência são ótimos para networking e discussões sobre os mais diversos assuntos. Acho que as inscrições ainda estão abertas, mas corra pois já somos 154 barcampers! Ah, aguarde um brinde especial do Techbits por lá!
Flickr no MuBE
A equipe do Flickr estará no Brasil promovendo um encontro com a comunidade brasileira da rede social das fotos. No dia 23 de Outubro esse encontro acontece no MuBE e depois, dos dias 24 a 31 de Outubro, o próprio MuBE terá uma exposição de fotos feitas por brasileiros, selecionadas das que forem enviadas até o dia 15 – dá pra incluir o que você tirar no feriado – para o álbum “Apresente seu Brasil para o Flickr“. Se você quiser participar do encontro do dia 23, corra, já são mais de 100 inscritos e as vagas são limitadas!
iMasters Intercon – blogueiro convidado
O iMasters promove nos dias 26 e 27 de Outubro o iMasters Intercon 2007, sobre mídia, internet e tecnologia. Uma das coisas interessantes deste evento é que eles fazem questão de convidar blogueiros para participarem ativamente das discussões. Claro, me inscrevi e depois de passar pelo crivo da organização, fui convidado (junto com outros, e.g., Tecnocracia e Marco Gomes) para blogar diretamente do palco em duas palestras e ter direito, junto com outro colega blogueiro escolhido, às duas primeiras perguntas ao palestrante. Bem diferente, por exemplo, do Seminário Web 2.0 da revista Info, que ignorou blogs em evento de web 2.0…
10 outubro 2007
por Alexandre Fugita
No último ano acostumei a usar o editor de textos on-line Google Docs (Textos no Brasil). Acontece que hoje, 6h40 da manhã, ao tentar abri-lo para editar um texto, o serviço retornou “erro 404”, quando logado. Para quem não sabe, erro 404 significa que aquela página não existe naquele servidor. Minutos mais tarde a interface entrou mas todos os documentos tinham sumido. Dez minutos depois, devido à mágica do ajax, tudo voltou ao normal e os documentos apareceram automaticamente. Mas se um aplicativo web importante para seu negócio some, do nada, resta perguntar, e agora?
(*) imagem acima veio do vídeo “Google Docs in plain English“, que explica as vantagens da plataforma.
Software on-line e os SLAs
Uma das grandes críticas ao software on-line é a sua dependência de fatores externos à sua máquina para ser utilizado. A sua conexão com a internet precisa estar ok. O link do seu provedor de acesso precisa estar operando. O servidor do aplicativo web tem que estar no ar… de modo geral são vários fatores que influenciam na disponibilidade do serviço.
Para empresas, um SLA de 99% de uptime é insuficiente. Tudo que fizer parte da missão crítica de uma organização precisa rodar 110% do tempo. Alguns minutos podem representar milhares de dinheiros de prejuízo. Assinar um web service sem garantia mínima de disponibilidade é fatal.
![[Google Docs outage] [Google Docs outage]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/googledocs-fora-do-ar.png)
Google Apps, alguém?
Pois é… O Techbits usa Google Apps, aquelas aplicações web da Google para gerenciar várias coisas, de e-mail a planilha eletrônica, de calendário a editor de textos. Aparentemente a Google tem conseguido vender essa suíte de produtividade para pequenos negócios, universidades e muitos blogs.
Pode ser que 1 hora fora do ar não seja lá grande coisa, o SLA do serviço garante 99,9% de uptime, mas a Google, se quer vender esse serviço para grandes empresas não pode deixá-las na mão por tanto tempo. Continuo usando pois atende perfeitamente às minhas necessidades. Mas deslizes como esse podem colocar os planos da Google, no terreno de aplicações web, a perder. A versão off-line usando o Google Gears está demorando… Enquanto isso a busca da gigante de Montain View, no Brasil, ficou fora do ar só 3 minutos no ano passado…