booBox: startup brasileira no TechCrunch

por Alexandre Fugita

[BooBox] Esse último fim-de-semana foi interessante para os empreendedores da web brasileira. No domingo, um dos blogs mais conhecidos e famosos do mundo, o TechCrunch, postou um texto sobre o boo-box, startup brasileira que deve estrear mundialmente como forma de monetização de blogs. A velha escola da propaganda on-line é formada por banners chamativos piscantes ou ainda por popups, aquelas janelinhas que teimam em abrir e atrapalhar a navegação. Uma segunda leva, mais discreta, são os anúncios de texto contextuais, cujo maior exemplo é o Adsense, que monetiza este site. O boo-box, que tem entre seus idealizadores Marco Gomes, pretende ser menos invasivo e gerar receita para blogs.

Como o boo-box funciona

Pelo que pude ler do texto disponível no site do booBox, os bloggers colocarão um código nas imagens usuais de seus textos, contextualizando através de tags que tipo de produto pode ser interessante para o leitor daquele post. Ao serem clicadas, essas imagens abrem uma janela da loja parceira, sem sair do site e sem antes perguntar para o visitante se é naquele o produto que está interessado. Caso efetue a compra, a loja paga comissão ao afiliado (blogger). Uma idéia simples e interessante, mas não ficou claro a forma como o booBox monetizará seu próprio serviço.
[BooBox Loja teste]

No mesmo texto informam que em cada país será escolhida uma loja virtual que ofereça o máximo possível de mix de produtos para satisfazer a quase todos os tipos de post em blogs. No exemplo acima (via TechCrunch), vemos que uma loja virtual é aberta dentro do site.

Estão abertos a inscrições de beta-testers e visto a exposição alcançado neste fim-de-semana em função do post no TechCrunch, tem tudo para estrear em grande estilo. O próprio Michael Arrington, editor chefe do famoso blog, fez um teste de compra de um iPod através do demo no site do boo-box e funcionou perfeitamente. Ele inclusive considerou a idéia muito interessante e deu um thumbs up antecipado.

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HD-DVD hackeado: quem se importa?

por Alexandre Fugita

[HD-DVD crackeado] Não, não vai ser um artigo dizendo que as mídias físicas estão mortas. Isso eu já escrevi antes. Na semana que passou saiu a notícia de que um filme em HD-DVD foi disponibilizado em BitTorrent. Isso é uma conseqüência do crack publicado na internet no final do ano passado para fazer cópias de discos HD-DVD. O download ilegal de filmes pela internet ganhou mais um formato. Sabendo que um filme gravado em um disco de alta definição ocupa cerca de 20 GB, ou seja, algo muito grande, quem se importa com o HD-DVD crackeado?

Razões para não baixar um filme em HD-DVD

Primeiro, é ilegal. Só isso já bastaria, mas o tamanho do arquivo é que é o problema. Armazená-lo em seu computador ocuparia uma parte considerável do espaço disponível, mesmo que você tenha um HD de 200 GB. Não dá pra gravar em mídia física externa pois ainda não há meios baratos para fazer isso.

O download seria um suplício pois um arquivo de 20 GB gastaria pelo menos 30 GB da sua banda mensal de uso, considerando upload e download. Caso você não saiba, no BitTorrent ao mesmo tempo que você baixa, precisa disponibilizar parte do arquivo para os outros. Fora que ia demorar muito tempo.

Além disso, você, como a maioria dos espertinhos das redes de BitTorrent, não iria querer disponibilizar o arquivo para os outros depois do download terminado pois vai ficar consumido banda e mais banda da sua cota mensal. Ou seja, os outros também vão pensar assim e a disponibilidade do arquivo pode ficar baixa, demorando ainda mais o download.

Blu-Ray também crackeado?

O Engadget acaba de informar que o mesmo hacker que quebrou a proteção do HD-DVD está dizendo agora ser possível copiar filmes em Blu-Ray. Não tem jeito. Os códigos de descriptografia dessas mídias físicas precisa estar presente no hardware ou software dos leitores de discos. Um dia, como está acontecendo agora, alguém consegue acesso a esta informação. Como disse um amigo meu, filosofando sobre o assunto, começou!

A busca e a prateleira empoeirada

por Alexandre Fugita

[Prateleiras empoeiradas, via Flickr, CC] A busca é um dos pilares da web. Com ela, tudo torna-se encontrável. Aquele texto, daquele blog desconhecido (Techbits?) acaba ganhando um lugar ao Sol pois existem mecanismos de busca e pessoas procurando por tudo que você possa e não possa imaginar. Então, segundo essa evidência, a busca é benéfica, certo? Bom, não é o que pensam as autoridades da Bélgica. O país é conhecido pela ótima cerveja, mas também acham que a internet é uma série de tubos. A Copiepresse, associação dos jornais em francês da Bélgica, quer agora que o Yahoo! pare de indexar textos de seus afiliados. Pois bem, que esses jornais fiquem esquecidos na prateleira empoeirada.

Bélgica vs. Yahoo!, Google, Microsoft

Não é a primeira vez que a Copiepresse requisita a um mecanismo de buscas para não ser achado. Aqui no Techbits já falei sobre o caso envolvendo a mesma instituição e o Google. Aparentemente a busca da Microsoft, o MSN, também sofreu do mesmo problema. A questão que reclamam é válida: como os mecanismos de busca necessitam fazer cópias do conteúdo de um site para depois poder localizá-lo e enviar leitores, a Copiepresse diz que isso é uma violação de direitos autorais. Em sua defesa os mecanismos de busca dizem que só usam as cópias para gerar tráfego para o site indexado e não exibem textos completos como resultado de uma pesquisa. Faz sentido.

Livros digitalizados vs. Mecanismos de busca

Outra polêmica envolvendo mecanismos de busca são os projetos de digitalização de livros. Começou como o Google Livros, mas o Yahoo! e a Microsoft também entraram neste mercado. As editoras reclamaram, o circo pegou fogo, negociações foram feitas e no final algumas concordaram em serem escaneadas e outras não.

A todos que querem ficar na prateleira juntando pó, desejo boa sorte. Eu vou continuar a procurar arquivos digitais.

(*) foto deste post, via Flickr (link), sob licença CC (link)

Web 2.0 não é uma besteira sem tamanho

por Alexandre Fugita

[Web 2.0, fonte: http://hello.eboy.com/eboy/shop/] A chamada web 2.0 tem seus críticos e adoradores. Os críticos dizem que web 2.0 não significa nada. Provam dizendo que todas as tecnologias usadas já existiam previamente ou ainda que a única diferença para a web 1.0 é a maior quantidade de pessoas acessando a rede. Por sua vez, os entusiastas idolatram serviços na web, mágicas com Ajax e querem tudo on-line. As tecnologias todas realmente já existiam. Mas é necessário aquele estalo de criatividade para compreender, juntá-las e criar todo um novo modelo de negócios.

Web 2.0, tecnologias antigas

Um texto criticando a web 2.0 no Webinsider, “Web 2.0 é uma revolução? Então me deixem criticar”, chamou a atenção. É uma leitura interessante, mas a idéia de criticar a web 2.0 não é nova e já tinha sido feita pelo blog Revolução Etc um ano atrás. A crítica principal do Webinsider é que todas essas tecnologias já existiam.

Segundo o texto, a colaboração já ocorria nos tempos de newsgroups. Sim, verdade: evoluíram para fóruns, listas de discussão e mais recentemente tomaram conta da internet. Um bom exemplo de colaboração na divulgação de conteúdo são sites como o Digg ou a Wikipédia, coisas bem diferentes de um newsgroup. No mesmo texto fala-se da inteligência coletiva, também chamada de sabedoria das multidões. Diz que isso já existia e cita como exemplo antigo a Amazon que, não por acaso, tornou-se um dos expoentes da chamada web 2.0.

Discutindo sobre a web como plataforma, as críticas relembram que o conceito foi desenvolvido na década de 90. Sim, mas naquela época não era possível a criação de tudo isso pois não existia uma rede forte e rápida como encontramos hoje. Ajax e RSS são tecnologias derivadas de outras que já existiam. Também é verdade, mas foi só recentemente que começaram a ser usadas de forma útil. Propaganda por links patrocinados não foram inventados pelo Google mas foi essa empresa que, desenvolvendo a idéia, tornou esse mercado possível.

Idéias sem rumo

Certa vez li em um clássico da literatura (seria Machado de Assis?) que uma laranja só passa a existir a partir do momento que alguém a encontra e colhe da árvore. Fazendo uma analogia com as idéias discutidas aqui, pergunto: se já sabíamos que tudo isso existia, por que não fizemos nada para ganhar rios de dinheiro no desenvolvimento da agora chamada web 2.0?

Uma idéia, um conceito, precisam de um visionário que enxergue além do que os outros. A maioria de nós não possui esta dádiva, e ficamos achando que só porque algo já existia mas era visto de outra forma, o desenvolvimento daqueles conceitos em coisas úteis não valem nada. Pra mim a web 2.0 é alguma coisa, é a realização de uma visão de empreendedores. E também não existe outra buzzword melhor para nos referirmos a essa “tecnologia”.

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Uma nuvem vale por mil palavras

por Alexandre Fugita

[Nuvem de tags] Uma das coisas que sempre me chama a atenção são novas formas de organizar e visualizar a informação. Na web tivemos o advento das tags que facilitaram a organização de centenas de links (del.icio.us), vídeos (YouTube), fotos (Flickr), etc… As tags também ajudam na busca pois ferramentas como o Technorati usam deste artifício para facilitar a localização de textos que falam do mesmo assunto. Há centenas de outros exemplos, mas um deles se destacou neste início de ano: as nuvens de tags dos discursos dos keynotes do Steve Jobs e Bill Gates em suas apresentações na semana passada. Com base nessas nuvens de tags é possível visualizar quais são os assuntos mais importantes e descobrir que uma nuvem vale mais do que mil palavras.

As nuvens de tags

As nuvens de tags dos discursos foram criadas pelo site SeatlePi.com, a partir da transcrição dos keynotes. Quanto maior a freqüência que uma palavra foi pronunciada, maior o seu tamanho na nuvem, demonstrando sua importância. Ao mesmo tempo, fizeram uma análise com uma ferramenta de estudo da linguagem para fornecer estatísticas.

[Nuvem de tags do discurso de Steve Jobs na MacWorld 2007] De acordo com a Lulileslie, do blog Petitpois sobre arquitetura da informação, a nuvem de palavras do Steve Jobs (acima) é mais “simples, concisa e eficiente” do que a do Bill Gates (abaixo), descrita como “sisuda e difícil de entender”. A forma como os discursos são feitos, as palavras e frases que são usadas, tudo isso impacta na mensagem e no modo como as pessoas se sentem após acompanhar tais apresentações. Assisti a ambos os keynotes e realmente isso é notável: o Jobs dá um show no Gates. De repente os produtos lançados pela Apple são menos importantes do que os lançados pela Microsoft, mas o discurso fez toda a diferença. Não é à toa que, além de ser um produto muito interessante, o iPhone roubou todas as atenções da semana passada deixando a CES no limbo.

[Nuvem de tags do discurso de Bill Gates na CES 2007]

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