A questão do plágio na web

por Alexandre Fugita

Na semana passada fiz um comentário sobre plágio de blogs na lista da blogosfera, que gerou uma série de reações, posts e discussões entre blogueiros, não todas por causa do meu comentário, mas em função do problema ser generalizado. Quem produz conteúdo original e de qualidade acaba vítima de copiadores descarados. E já que acabei criando esse pseudo-meme, quase que sem querer, vou discutir alguns pontos abaixo.

Copiar não traz visitação

Quem copia imagina que receberá milhares de visitantes e que o blog crescerá rapidamente. Ledo engano. Primeiro que se não há nada de original no conteúdo de um site, pra quê vou voltar nele? Notícia é commodity, informação é commodity. Diferencie-se para chamar a atenção. Escreva algo original para que os leitores lembrem de você. Traga algo diferente, não seja mais um na multidão. Os copiadores, claro, não fazem idéia do que é uma commodity

Também, ao copiar, mecanismos de busca rebaixam a nota de ambos os textos, o original e o copiado, principalmente este último. Se a pretensão do plagiador era aparecer nas primeiras posições do Google, verá sua nota lá (Pagerank) cair ainda mais.

Creative Commons

O Techbits e uma porção de ótimos blogs por aí licenciam o conteúdo sob Creative Commons. No Techbits a licença permite copiar, distribuir, modificar e criar obras derivadas desde que, cite a fonte, não faça uso comercial e use a mesma licença. Como a intenção dos copiadores é obter lucro rápido na web acabam invariavelmente ferindo a cláusula do uso comercial. Está na descrição jurídica da licença que não é permitida a obtenção “de vantagem comercial ou compensação monetária privada“. Ou seja, nada de anúncios ao redor do texto copiado.

Não fosse isso um problema, nenhum plagiador se preocupa em licenciar o conteúdo copiado sob a forma orientada nos termos de uso. A maioria sequer cita a fonte ou muda a pessoa em que o texto está escrito. Vemos os plagiadores falando “Eu… qualquer coisa…”, quando na verdade o “eu” se refere ao autor plagiado. Vai entender esse povo…

Citar é permitido

Claro, citar é permitido. Que fique claro que não estou reclamando daqueles que citam trechos de texto que escrevi. Longe disso. Estou reclamando de copiadores reincidentes, que mesmo após vários contatos não colocam o conteúdo duplicado dentro dos termos de uso. Pra finalizar, aviso aos que vão plagiar este texto: tomem o cuidado de trocar todas as citações à palavra “Techbits” para o nome do seu blog.

Leia mais na blogosfera:

Efeito YouTube: HTTP é maior que P2P

por Alexandre Fugita

[YouTube] Essa é interessante, os provedores de acesso vão ter que engolir. Uma das práticas-que-ninguém-assume-que-faz, mas todos os provedores de acesso fazem, é o traffic shaping. Bloqueiam o P2P (troca de arquivos como torrent) deixando-o mais lento sob a justificativa que o enorme uso de banda por esse protocolo prejudica toda a rede. Acontece que o P2P já não é o maior responsável pelo tráfego de dados na web. Por incrível que pareça esse título agora fica com o HTTP, fato que acontece pela primeira vez esse ano.

YouTube é responsável por 10% do tráfego da internet

O motivo são os sites de vídeo como o YouTube. Players embed (aqueles que vemos todos os dias nos blogs) nas páginas dos sites representam boa parte do tráfego de dados no protocolo HTTP. Textos, como este que você está lendo, ocupam muito menos espaço que uma imagem, como essa que ilustra esse post (abaixo) ou vídeos. Como é possível notar o protocolo HTTP responde por 46% do tráfego de dados na web. Cerca de 20% desse total é só do YouTube. Ou seja, o YouTube sozinho usa quase 10% de todo o tráfego da internet.

[Tráfego internet]

Traffic shaping

O traffic shapping shaping é a prática de analisar os pacotes de dados que trafegam pela rede do provedor – o que por si só levantaria sérios problemas de privacidade – para determinar que tipo de informação é aquela. Caso seja detectado troca de arquivos P2P (e até VOIP), os provedores costuma limitar a banda daquele pacote, o que tem causado uma série de reclamações por parte de consumidores de banda larga no Brasil e no mundo.

Vale lembrar que o P2P é usado largamente para troca de conteúdo ilegal. Apesar disso há bastante conteúdo legal circulando por essas redes, ou seja, essa não seria uma justificativa para bloquear tais protocolos. Seria o mesmo que fechar as ruas pois crimes acontecem nela.

Provedores de acesso à internet como o Net Vírtua fazem traffic shaping apesar de não admitirem. Sendo agora o HTTP maior que o P2P será que vão finalmente bloquear o nosso acesso à web?

YouTube no Brasil. E agora, Fiz?

por Alexandre Fugita

[YouTube] Hoje, lá pelas 3h da manhã, descobri que o site YouTube.com.br estava redirecionando para uma página em português do YouTube. Como os rumores indicavam o lançamento da versão brasileira do serviço, pensei “vamos ver se já está no ar”. E estava. Fiz, então, um post para o Meio Bit já que ninguém (*) havia falado sobre o site. Sim, fiz. Fiz… Fiz também é o nome de um YouTube-killer que está pra ser lançado aqui no Brasil. Mas se o Fiz tinha a vantagem de ser em português, com a chegada do YouTube na nossa língua, qual o apelo do site agora?

(*) depois, pesquisando no Technorati, descobri que o Tiago Dória foi o primeiro a dar a notícia.

Da internê para a tevê

A proposta do Fiz é jogar para um canal de TV convencional o melhor dos vídeos[bb] do site. Essa é a única diferença e ao meu ver, não muito empolgante. Já disse antes, mas ao restringir a cauda longa dos vídeos para o espaço restrito de 24h de grade da programação da TV convencional não dá certo. E nem é TV convencional e sim TV paga, restringindo ainda mais o público consumidor.

YouTube vs. direitos autorais

O YouTube está para instalar mecanismos de proteção a direitos autorais em seu serviço. Uma “impressão digital” de cada vídeo subido no site será comparada com vídeos protegidos. Em caso de violação de copyright, os detentores dos diretos poderão decidir em manter o vídeo no ar ou compartilhar a receita gerada.

IUTUBIU

O YouTube é relativamente conhecido no Brasil. Somos o segundo país que mais usa o site de vídeos. Mas ainda está longe de todo mundo conhecer. O nome engraçado não ajuda, a Sônia que o diga. Talvez essa seja uma vantagem do Fiz: nome simples e fácil de lembrar. Mas assim como tem gente procurando por UTube na web, vai existir aqueles que tentarão entrar no Fis ao invés de Fiz.

Easter Egg dos DVDs do Vista: mistério (quase) resolvido

por Alexandre Fugita

[Vista] Dias atrás alguém descobriu uma foto com três pessoas (abaixo) nos hologramas dos discos de DVD do Windows Vista Business. Pronto, começaram as teorias conspiratórias. Um leitor da revista Make disse nos comentários: “Minha aposta é que são os três cavaleiros do apocalipse. O quarto seria um Mac user…“. Outro foi mais exato: “Um desses caras é o Steve Jobs…“. Teve ainda o que, com medo, afirmou: “Eles são os policiais do DRM. Não copie esse disco!“. Piadas e brincadeiras à parte, que diabos essa foto está fazendo nos DVDs do Windows Vista?

Microsoft responde

Um post de ontem no blog oficial do Windows Vista esclarece o mistério. Primeiro dá uma ducha de água fria nos que acreditavam em teorias conspiratórias. Aquilo é proposital e a foto é de três dos membros da equipe Anti-Pirataria da Microsoft. No entanto, nenhum nome é dado. Segundo o texto várias outras imagens, todas menores que 1 milímetro, estão presentes na montagem holográfica dos discos. É uma forma de dificultar piratas a fazerem discos falsos parecidos em termos de design. Explicações mais técnicas desses artefatos estão em uma página da MS aqui.

[Três caras no holograma do DVD do Windows Vista]

MediaOn: visões antagônicas

por Alexandre Fugita

[MediaOn] Termina hoje em São Paulo o Media On, 1o. Seminário de Jornalismo Online. E como não poderia deixar de ser, há transmissão em tempo real dos painéis pela internet, coisas que só a mídia digital permite. Acompanhei algumas discussões de ontem e ao mesmo tempo que fiquei entusiasmado com alguns dos participantes, assustei-me com a visão retrógrada de outros. O evento discute várias mudanças que o jornalismo está enfrentando com as mídias digitais. Jornais vendem menos, a TV perde audiência. Pessoas procuram a web para se informar, o YouTube para assitir vídeos. Ou seja, o mundo mudou.

UOL

“O jornalismo participativo é uma atividade parecida com um show de calouros? Os jornalistas farão o papel de jurados?” – Márion Strecker, diretora de Conteúdo do UOL. Segundo ela, “é preocupante que um veículo que se diz jornalístico ‘terceirize’ a responsabilidade sobre o conteúdo para o leitor”. Sim, isso mesmo, a diretora de conteúdo do UOL deve viver no século XIX. O conteúdo colaborativo é quase uma doença que precisa ser tratada com muito cuidado. Blogs precisam de responsabilidade, “chamem os jornalistas” (*), bradou Bob Fernandes (Terra Magazine), ali ao lado. Márion citou veladamente o caso do Engadget que ao divulgar uma notícia supostamente verdadeira que se mostrou falsa minutos depois, causou uma queda de 4 bilhões de dólares no valor das ações da Apple. E a propaganda disfarçada de notícia do asteróide Pallas na home do UOL, Estadão e Terra? Enganou todo mundo e causou tumulto na web.

Fiquei embasbacado com o discurso da diretora de conteúdo do UOL. Como? Sim, UOL, um dos maiores portais brasileiros de informação. Coisas como o Digg seriam a personificação do demônio para ela. Blogs? Só de jornalistas responsáveis. Vendo que seu discurso não agradava, logo tentou consertar dizendo que o UOL possui espaço para blogs pessoais livres. Sim, livres mas que aceitam intervenção dos coroné da república.

(*) nada contra jornalistas. Uma das minhas melhores amigas é jornalista e leitora do Techbits.

Rosental

O oposto foi o Rosental, professor jornalismo da Universidade do Texas. Esse senhor é revolucionário. Afirmou que o jornalismo deixa de ser monopólio de jornalistas, que o hype atual são as conversações entre blogs e também a social media. Disse que em conversas com outros professores de jornalismo muitos afirmam ter medo de ensinar jornalismo digital pois os alunos invariavelmente sabem mais do que eles. O Rosental foi categórico: pois eu adoro ensinar jornalismo digital, deixo meus alunos terem idéias, sirvo mais como um guia e não aquele que detém a última palavra. Falou de uma frase do Chris Anderson, autor do ótimo A Cauda Longa: “eu faço o que os estagiários me mandam”.

Citou o crowdsourcing como parte fundamental da nova era e a mídia epicêntrica na qual o usuário é que decide quando vai consumir o conteúdo. Nada de grade fixa da TV, isso é coisa de dinossauros. Para o Rosental a revolução que estamos vivendo agora é do mesmo grau que séculos atrás Gutenberg fez ao inventar os tipo móveis e baratear os custos de distribuição de conteúdo. A internet derruba novamente estes custos, agora para quase zero. Ao ser questionado por uma estudante de jornalismo sobre o que fazer para ficar por dentro do mercado enquanto estudante, Rosental afirmou: “crie um blog”. Fantástico.

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