18 outubro 2006
por Alexandre Fugita
A história que todos esperavam ver essa semana era alguma grande empresa de mídia processando o YouTube. Afinal, após sua compra pelo Google, deve haver dinheiro em caixa. Mas isso não aconteceu e parece que não acontecerá. Por outro lado, a Universal Music abriu processo contra dois sites pouco conhecidos de compartilhamento de vídeos: Grouper e Bolt. Seria isso uma forma de pressionar por acordos?
Os acordos do YouTube
No mesmo dia que foi vendido o YouTube anunciou uma série de acordos com a indústria de mídia. Esse foi um sinal de que as negociações estavam caminhando muito bem e que uma solução para o problema dos direitos autorais está a caminho. Antes disso havia sempre a ameaça de processo, principalmente por parte da Universal, mas isso nunca aconteceu. Foi uma forma de pressionar o YouTube a ficar de olho em material postado ilegalmente. De qualquer forma o site sempre tirou vídeos do ar quando foi solicitado.
Grouper e Bolt.com
Aparentemente tanto o Grouper quanto o Bolt viraram bode expiatório. Há outros sites de compartilhamento de vídeos nos mesmos moldes deles e que não tiveram problemas. São eles o Guba e o Metacafe, só pra ficar em dois exemplos. O fato é que nenhum desses sites estimula o conteúdo ilegal, mas qualquer serviço de compartilhamento de vídeos que tenha um público mínimo enfrenta problemas de uploads de material que infringe direitos autorais.
É complicado controlar a multidão. Enquanto isso o YouTube se safa com muito dinheiro no bolso e bons advogados do Google de plantão…
18 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Tempos atrás conheci um senhor que adorava DVD’s. Na verdade, ele adorava copiá-los em VHS. Mas vivia reclamando que os DVD’s tinham vírus… Eu achava engraçado e não entendia o que ele queria dizer, até que um dia descobri: o vírus era na verdade o Macrovision, aquele DRM que evitava cópias de DVD’s para fitas VHS. Expliquei que aquilo não era exatamente um vírus, e sim uma proteção de direitos autorais. Não adiantou, o senhor continuava chamando isso de vírus… Na minha concepção aquilo jamais poderia ser um vírus pois nunca imaginei que um produto viria de fábrica infectado… Ledo engano. Exemplos não faltam. Os últimos dois envolvem a Apple e o McDonalds.
Apple com vírus de Windows
Alguns iPods fabricados em setembro saíram infectados com o RavMonE.exe, um vírus (na verdade um trojan) para Windows. A recomendação é usar um anti-vírus para removê-lo do PC e restaurar o iPod usando o iTunes 7. A restauração do iPod vale também para os usuários de Mac, apesar de seus computadores não serem afetados pelo problema. O motivo é que o iPod ainda contém um malware. Até o momento descobriram 25 casos… Sabemos que a Apple quer entrar na vida dos usuários de Windows. Abriram a porta errada.
Brinde do McDonalds com vírus
No Japão, uma promoção recente do McDonalds e Coca-Cola dava um mp3 player e um vírus de brinde… Foram distribuídas 10 mil unidades. Aparentemente trata-se de um trojan que rouba dados e senhas dos usuários após contaminar máquinas Windows. Eu não amo nada disso.
CDs da Sony com rootkit
Ano passado a Sony BMG distribuiu vários CDs que instalavam um software nos PCs dos usuários com a intenção de proteger contra cópias não autorizadas. Especialistas em segurança descobriram que tratava-se na verdade de um rootkit, software malicioso que consegue permanecer indetectável. Neste caso foi intencional.
Acho que aquele senhor que adorava DVD’s estava certo… Aquilo não era DRM. Era um vírus…
17 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Muitas empresas de tecnologia americanas estão sob investigação refente à compra retroativa de ações (backdating) por parte de diretores ou outros acionistas. O procedimento não é ilegal se corretamente documentado, mas pode levar a rápidos ganhos financeiros já que com o backdating compra-se ações, hoje valorizadas, por um preço antigo. Muitas demitiram seus CEOs. A Apple está no meio desse fogo cruzado e, diferentemente das outras organizações, não demitiu (e nem dá sinais disso) o seu CEO e principal executivo Steve Jobs.
Cabeças cortadas
Na semana passada algumas cabeças rolaram por causa deste escândalo. Caiu o fundador e diretor presidente da CNET, site de notícias e conteúdo variado sobre tecnologia, e também o presidente e CEO da McAfee, fornecedora de soluções de segurança em TI.
Até o momento um total de 17 empresas perderam diretores, presidentes, etc… por demissão ou renúncia ao cargo, devido ao escândalo do backdating. Empresas envolvidas correm o risco de serem tiradas da Nasdaq, a bolsa de valores da tecnologia, como aconteceu com três delas.
Enquanto isso lá na Apple
Para não dizer que não tomou atitudes, o antigo CFO (Chief Financial Officer), que até então era membro do conselho administrativo da Apple, foi demitido na semana passada. Mas isso não resolve o problema já que Steve Jobs é quem comanda a empresa, sabia do backdating, e talvez devesse ser responsabilizado.
Steve Jobs é a Apple, a Apple é Steve Jobs. Talvez isso tenha pesado na hora de decidir se o CEO deveria ser afastado ou não do cargo. Alguns sites até listaram possíveis substitutos. Resta saber se alguma outra atitude será tomada pela empresa da maçã.
17 outubro 2006
por Alexandre Fugita
O MMOG (Massively Multiplayer Online Game) mais quente do momento é o Second Life. No jogo, um mundo virtual 3D
, os residentes (jogadores) interagem entre si como se fosse um mundo real realizando negócios, construindo casas, emprendimentos, etc. O interessante é que existe até um dinheiro interno que pode ser trocado por dinheiro de verdade e vice-versa. Empresas do mundo real já perceberam o potencial lucrativo deste mundo virtual e começam a entrar no Second Life de olho nos US$ 350 mil de transações diárias. A última tacada é da Reuters, que abrirá uma agência de notícias dentro do jogo.
![[Cena do Second Life] [Cena do Second Life]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/secondlife.gif)
Reuters
A Reuters – uma das maiores agências de notícias do mundo – vai começa a operar nesta semana dentro do Second Life oferecendo notícias tanto do mundo real quando dos acontecimentos da economia e cultura do jogo virtual. Adam Pasik, repórter da Reuters que encarnará no game o personagem dirigente da agência virtual de notícias, disse que o mundo do Second Life em nada difere, do ponto de vista jornalístico, do que acontece aqui, fora da Matrix.
Há fatos, curiosidades, notícias a serem contadas. Uma equipe de jornalistas da Reuters real se dedicará a descobrir essas coisas e publicar no mundo virtual
. Os residentes do Second Life poderão acompanhar as últimas notícias através de um aparelho virtual que poderão carregar dentro do ambiente do jogo. O foco dos assuntos pode ser desde a crescente vida cultural e econômica do Second Life, quanto fatos importantes que estão acontecendo no mundo externo.
Economia
Várias empresas já estão dentro do jogo. A Adidas vende tênis esportivo para os residentes. A Toyota
vende um modelo de seus carros. Os próprios usuários criam empreendimentos e vendem produtos e serviços. O dinheiro local, chamado de Linden (L$), possui câmbio flutuante e pode ser trocado por dólares de verdade no mundo real. O fato da maioria dos habitantes do mundo virtual não possuirem fonte de renda dentro do jogo, e sim, colocarem dinheiro de fora, causa alguns fenômenos econômicos estranhos.
No Brasil…
Há residentes brasileiros no jogo. São poucos relativamente ao total da população. Mas isso está pra mudar. O jogo chegará oficialmente ao Brasil até o final deste ano e incluirá cenários nacionais como o Pão de Açucar (RJ) ou o Parque do Ibirapuera (SP). Como o brasileiro adora interagir em comunidades, o Second Life talvez faça muito sucesso por aqui.
14 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Em uma semana que fomos surpreendidos com a venda do YouTube para o Google, e em um mundo em que a distribuição de conteúdo enfrenta novos paradigmas, finalmente veio a declaração que todos esperavam: Anne Sweeney, presidente do grupo de TV Disney-ABC, que faz entre outras a série Lost, reconheceu que a pirataria é um modelo de negócios e que compete com os meios tradicionais de distribuição de conteúdo. E a constatação veio da observação de que 15 minutos após o término da transmissão de suas séries pela TV, arquivos digitais de alta qualidade já estavam disponíveis para download na internet.
A declaração
“Então, nós entendemos a pirataria como modelo de negócios. Ela existe para suprir uma necessidade do mercado, especificamente para aqueles consumidores que querem conteúdo de TV sob demanda, e compete conosco da mesma forma que fazemos, através de alta qualidade, preço e disponibilidade. Nós não gostamos da pirataria, mas percebemos que se trata de um importante competidor. E nós criamos uma estratégia para contornar esta ameaça com meios atrativos e fáceis dos espectadores conseguirem o conteúdo desejado de nós, legalmente. Em outras palavras, manter pessoas honestas, honestas.”
Disponibilidade de conteúdo
A Disney reconheceu que o que o consumidor quer é disponibilidade de conteúdo. Talvez você tenha perdido sua série favorita na TV. Atualmente a Disney-ABC disponibiliza via internet, com propagandas, o mesmo episódio que passou na TV, horas após a transmissão original. A qualidade não é lá essas coisas, não é possível gravar em seu computador, e o serviço está restrito aos EUA. Mas já é um avanço.
Nas redes de BitTorrent, minutos após a transmissão de séries americanas de TV, já é possível baixá-las para assistir em qualquer lugar do mundo. A disponibilidade é o rei pois é isso que os consumidores querem. Ao invés de tratar os fãs como inimigos, que tal se juntar a eles? É isso que indica a nova postura da Disney-ABC. E essa disponibilidade, ao contrário do que se imagina, aumenta a audiência do programa de TV, que por conseqüência aumenta a receita com anúncios, e todo mundo fica satisfeito.
Só resta saber se essa declaração foi montada para agradar a audiência ou realmente trata-se de uma mudança na postura da indústria.
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