13 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
Uma das grandes críticas que o software on-line recebe é exatamante por ser on-line. E se a internet cair? E se o mundo acabar? E se a Cicarelli bloquear todo acesso internacional à grande rede? Como vou fazer nesses casos para checar meus emails, calendário, favoritos, documentos office, etc, etc, etc? Sim, essa é uma fraqueza que afasta muita gente desta idéia de manter tudo na web. Mas convenhamos, a possibilidade de acessar tudo de qualquer lugar é uma vantagem insuperável dessas aplicações. Bom, para os puristas do software off-line está para surgir uma ótima solução. O Firefox 3 terá suporte a aplicações web de forma off-line. As vantagens serão enormes e, quem sabe, seja aquilo que faltava para uma maior aceitação deste tipo de serviço.
Internet é serviço básico
Hoje em dia considero a internet com serviço básico, da mesma forma como são a água e a luz. Claro, você pode me criticar dizendo que a realidade pode não ser bem assim fora do meu mundinho sócio-econômico-cultural. De fato concreto, na minha interação com uma tela brilhante, um teclado e um mouse, praticamente acho inútil um computador sem conexão à internet. Como saída, se um desses desastres acontecer e a internet sumir, o Meio Bit publicou recentemente um ótimo artigo chamado Coisas para fazer sem internet.
Browser é a plataforma
Um dos assuntos que trato com freqüência no Techbits é o uso intensivo de softwares on-line para tudo que for possível. É o navegador da web como plataforma. Com esse suporte do Firefox 3 para aplicações web de forma off-line, muitas barreiras poderão ser quebradas. Segundo o responsável pelo motor do Firefox, Robert O’Callahan, isso poderá dar vantagem competitiva ao navegador da raposa frente ao Internet Explorer. Como o ciclo de desenvolvimento do browser da Microsoft é muito longo, e o Firefox 3 está pra sair, a adoção dos padrões do Firefox para aplicações web off-line tem o potencial de dominar este mercado crescente. O Google já sinalizou que adaptará rapidamente seus aplicativos à essa nova característica do Firefox.
No ano passado a Microsoft lançou sua plataforma Live de serviços, com uma interação entre aplicativos off-line e algumas coisas na web, mas o software padrão deles continua sendo aquele que você precisa instalar em sua máquina. É bem diferente do que muitas startups e até gigantes da internet como a Google e a Yahoo! fazem. Creio que o software on-line vai crescer cada vez com mais força e essa interação com o mundo off-line talvez seja o tipping point desta tecnologia.
12 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
Daqui duas semanas ocorre a cerimônia de entrega do Oscar. Creio que pouca gente consegue assistir a todos os filmes concorrentes antes da entrega do prêmio, nem o mais cinéfilo dos cinéfilos. Há vários fatores limitantes e o maior deles é a disponibilidade de um filme. No processo atual de distribuição de conteúdo, boa parte dos filmes concorrentes ao Oscar só foi exibida na sala de cinema, nada de DVD, nada de download legal via internet. Somente os sortudos que moram próximos às salas que passaram tais filmes, e conseguiram organizar seu tempo, puderam acompanhar essas manifestações da sétima arte. Mas isso agora é passado, conheça o OscarTorrents.com, onde é possível encontrar todos os filmes que concorrem ao prêmio deste ano.
A nova distribuição de conteúdo
A atual distribuição de conteúdo é péssima. Nos restringem por localização geográfica (filmes costumam estrear no exterior antes do que no Brasil), por opções disponíveis (alguns filmes só passam em salas específicas), por falta de escolha (só no cinema, nada de DVD ou download legal pela internet), etc, etc, etc… Essa é a velha escola, a economia do século XX, coisas da era industrial. Estamos em pleno século XXI na chamada era da informação (ou será que já passamos dela também?). Somos imediatistas e queremos recompensa instantânea. Não dá pra esperar a emissora local resolver passar o LOST meio ano depois que estreou na TV americana. Não dá pra esperar as distribuidoras resolverem passar um filme do Oscar naquela sala obscura, sabe-se lá quando, em horários rigidamente determinados por um curto período de tempo. Como já disse, somos imediatistas e queremos recompensa instantânea.
Já que a indústria não nos provê essa possibilidade, uma série de pessoas resolveu agir por conta própria. Dentre eles destaco o Shawn Fanning, o DVD Jon e o Mulix64. São quase visionários e arriscaram sua reputação em nome da revolução dos costumes. A indústria de entretenimento sabe do problema que eles causaram e que precisam mudar seus modelos de negócios. Mas são lentas, demoram para absorver novas tecnologias. Pra se ter uma idéia ainda discutem quem vai ganhar a guerra: HD-DVD ou Blu-Ray… Como? Mídias físicas estão mortas. Perderam tempo em discussões inúteis que daqui 5 anos serão peças de museu.
O site OscarTorrents.com é só uma evidência de que a multidão grita por mudanças. A indústria se faz de surda, finge não entender que a realidade do mercado mudou. Arriscam algumas coisas como vender filmes por download no Wal-Mart, Apple ou Amazon, mas continuam com aquela mentalidade de que consumidor é ladrão e tascam DRM. Sonho com o dia que a indústria de entretenimento mudar de visão e se aliar aos consumidores. Será benéfico a todos, com lucros para os estúdios e felicidade para os cinéfilos e audiófilos.
12 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
Algumas notícias circularam nos últimos dias dizendo que a Wikipédia poderia fechar nos próximos 3 meses por falta de verbas (desmentido pela RP da organização). Na verdade toda essa agitação ao redor do assunto surgiu a partir de uma interpretação errônea de uma declaração de Florence Devouard, chairwoman da Fundação Wikimedia, que gerencia a Wikipédia. Realmente neste momento tal fundação só possui dinheiro em caixa para os próximos 3 meses, mas isso não significa que fechará após esse período. O que não foi interpretado da mensagem é que esta é a margem de segurança que eles possuem, caso não arrecadem mais um mísero centavo. Claro, é arriscado, mas para uma organização que tinha apenas 1 servidor em 2003 e hoje possui 350 espalhados por três locais ao redor do planeta, dá pra imaginar que sabem como levantar fundos.
Propaganda não!
A Wikipédia vive de doações. Recentemente uma campanha arrecadou pouco mais de 1 milhão de dólares que podíamos acompanhar através de uma barra de progresso disponível no próprio site. Colocar propagandas no serviço gera uma série de discussões que no final concluem não ser apropriado pois poderia causar desvios de viés no conteúdo dos artigos. Pra ter uma idéia de como a mão de uma empresa causa controvérsias na Wikipédia, recentemente descobriu-se que a Microsoft pagou alguém para editar artigos que se referiam a seus produtos. A questão gerou polêmica e foi condenada pela comunidade wikipediana.
Campanha para doar fundos
Toda essa discussão trouxe pelo menos um benefício. Logo após a notícia do possível e iminente fechamento do serviço, o BR-Linux lançou uma campanha doação à Wikipédia. É uma atitude louvável e que tem apoio do Techbits. Para participar um blog precisa publicar determinado texto (que reproduzo abaixo), mandar um link e um trackback para o BR-Linux e, dependendo da quantidade de entusiastas, a quantia doada por eles aumenta. Só pra se ter uma idéia, em menos de 24h a reação da blogosfera tão grande e positiva que o BR-Linux já fez uma doação de 100 dólares. O objetivo agora é atingir 150 sites participantes para que a doação total seja de 300 dólares. Estou fazendo minha parte, faça a sua, e se puder, doe diretamente à Wikipédia.
Ajude a manter a Wikipédia no ar – mesmo sem colocar a mão no bolso!
O BR-Linux.org lançou uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation a manter a Wikipédia no ar. Se você puder doar diretamente, é sempre a melhor opção. Mas se não puder, veja as regras da promoção do BR-Linux e ajude a divulgar – quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux, e você ainda concorre a um pen drive!
9 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
[Atualizado] Lembro-me que antigamente vídeos pela internet eram terrivelmente ruins. Aquelas imagens em movimento com resolução 50 x 30 pixels não ajudavam em nada. Os tempos mudaram e veio o YouTube. Felizmente a tecnologia não pára e recentemente surgiu o Joost, uma forma inovadora de TV via internet. A distribuição de conteúdo se dá por P2P (Peer-to-peer) e o “sinal” chega de forma rápida e com boa qualidade. É provável que faça muito sucesso pois tem como criadores os mesmos gênios por trás do Skype
. A idéia em si é simples e a implementação, inovadora. Tem tudo para mudar radicalmente a distribuição de conteúdo nos próximos anos e talvez transformar o YouTube em peça de museu.
Como o Joost funciona?
Primeiro vamos olhar para o YouTube. Lá um vídeo é postado e quando você quer assistí-lo, o “sinal” (ou streaming) vem direto dos servidores do YouTube. No ano passado, quando o serviço ficou conhecido do grande público, uma das discussões intermináveis era como o YouTube estava pagando suas despesas com gastos de banda, pois os cálculos mostravam números gigantescos. Tempos depois o site foi comprado pela Google
e esses problemas, minimizados. Mas olhando o funcionamento do YouTube percebemos que quanto mais um vídeo é assistido, mais banda do site é gasta, gerando despesas.
O Joost (ex-Venice Project) adota uma forma diferente, mais eficiente em termos de gastos de banda, dividindo entre seus usuários esta carga. Como? Vem aí a “mágica” do P2P. Ao mesmo tempo que um telespectador do Joost recebe e consome megabytes de vídeo, está enviando outros tantos megabytes para os demais usuários. É mais ou menos o mesmo princípio de funcionamento do torrent. Para se ter uma idéia, uma hora de Joost consome entre 220 e 425 MB de banda, contando download e upload, dependendo da qualidade do vídeo. É uma quantidade enorme de dados, compensadas com a qualidade relativamente boa da transmissão.
Usando o Joost
Atualmente estão disponíveis 22 canais contendo 422 programas de TV, o que dá uma média de 19 atrações por canal. A duração de cada programa varia bastante, desde 3 minutos, chegando até quase 90 minutos. Há algumas propagandas, coisa de 2 segundos, só mostrando a logomarca do patrocinador. A transição entre um programa e outro demora alguns segundos, típico de transmissões digitais.
![[Telas do Joost] [Telas do Joost]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/joost_telas.jpg)
A variedade de assuntos vai de documentários, clipes musicais, desenhos, esportes com carros, mais clipes e desenhos… Por estar em teste beta, a variedade não é o forte. Creio que seja possível gastar umas 48h direto assistindo a todos os programas seqüencialmente, mas está longe do ideal. É bem provável que quando lançado oficialmente muito mais conteúdo esteja disponível.![[Plugin Joost] [Plugin Joost]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/joost_plugin.jpg)
O futuro da TV
Certamente o futuro da TV não está no VHF ou UHF. Nem na TV à cabo. Tudo será transportado pela internet. Problemas antes insolúveis como os gastos com banda acharam uma solução. A multidão pede programas via internet, vide o sucesso do YouTube e de downloads do Lost nas redes de bittorrent. Talvez o Joost represente a revolução que a TV necessita, uma quebra de paradigmas, sei lá. Vamos aguardar para assistir.
Requisitos mínimos
Seguindo sugestão do Sérgio Lima (comentário #6, abaixo), acrescento os requisitos mínimos de hardware. Por enquanto só funciona na plataforma Windows
. Mac e Linux estão em desenvolvimento.
- Windows XP SP2
- Pentium 4, 1GHz, 512 MB RAM
- Placa de Vídeo com 32 MB e que suporte DirectX 9.0c
- 500 MB livres no HD
- Banda Larga de 1 Mbit/s de download e 512 kbit/s de upload
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8 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
O fato é: em um futuro próximo as compras de música e filmes serão feitas, em sua maioria, através de arquivos digitais. Um exemplo da mudança nesta direção é o anúncio da Wal-Mart que agora passará a vender filmes por download ao mesmo tempo que vende em mídias físicas. No mercado de música a Apple é responsável por boa parte das vendas digitais através da sua loja virtual ITMS. Para se ter uma idéia, já venderam mais de 2 bilhões de músicas (com DRM) através deste sistema. Mas tudo isso traz um problema: antes a escassez era controlada pois era necessário fabricar mídias físicas para vender. Agora, a escassez é gerada artificialmente com o DRM. Restringir o uso é a função desta tecnologia. Alguns comentários como a recente carta do Steve Jobs e declaração similar do Bill Gates sinalizam uma mudança da escassez para a abundância. Será o fim do DRM?
DRM: inimigo número 1
O uso do DRM gera escassez em um ambiente puro de abundância: arquivos digitais. Até outro dia nós consumidores é que éramos contra o DRM. Dizíamos palavras impublicáveis contra essa tecnologia restritiva. Nos últimos tempos os supostos inimigos viraram nossos amigos. Gates e Jobs deram suas visões e ambos, pelo menos em público, são contra o DRM.
A carta aberta do Steve Jobs analisou três cenários futuros. O primeiro seria continuarmos do jeito que está, ou seja, cada mp3 player só toca músicas com DRM compradas da loja virtual correspondente. Nada mais restritivo do que isso. O segundo cenário analisado seria criar um DRM igual para todas as lojas virtuais, uma espécie de abundância controlada. Mas logo descarta essa possibilidade pois assim que alguém conseguir quebrar tal proteção, seria impossível atualizar todos os dispositivos, de todas as licenciadas com um novo DRM até que seja novamente quebrado. Uma briga de gato e rato.
O último cenário foi o mais discutido na blogosfera (1, 2, 3 e 4) e seria libertar toda indústria do DRM. Jobs exemplificou dizendo que os CDs, em sua maioria, são desprotegidos de DRM e ainda representam boa parte do faturamento da indústria. Essa seria com certeza a melhor opção já que eliminaria as restrições, dando aos consumidores exatamente o que queremos: abundância e possibilidade de escolha na grande variedade de arquivos digitais. Claro, o Steve Jobs está tirando o corpo fora e passando a culpa para os detentores dos direitos autorais. Não sei se isso é um sinal de fim do DRM ou apenas algo para ficar de bem com o público.