10 julho 2007
por Alexandre Fugita
O Google fornece para pequenas e médias empresas um pacote chamado de Google Apps, que consiste em gerenciamento de email, documentos, calendário e mensageiro instantâneo. Se o cliente tem poucos usuários (caso do Techbits) o serviço é gratuito. Para operações um pouco maiores custa 50 dólares anuais por usuário, uma barganha (*). O grande problema é a segurança da informação. Os dados ficam armazenados em servidores do Google, em algum lugar do mundo. Como convencer os CIOs de que essa é uma solução segura? Ontem foi anunciada a compra da Postini, empresa especializada em segurança online.
A idéia do Google é convencer grandes empresas a migrar suas plataformas para o Google Apps. Atualmente cerca de 1000 pequenas empresas começam a usar o Google Apps todos os dias. Mostrar que a plataforma é segura pode facilitar a venda de pacotes pagos. Um dos fatores que fazem a TIC manter os sistemas legados é que conseguem gerenciar razoavelmente bem as regras de negócios. Se o Google mostrar que sua plataforma pode substituir com segurança esses sistemas, está aberta a porta para conquistar fortemente o mercado corporativo.
O interessante é que o Google não mantém apenas uma cópia ou duas das informações. O sistema deles funciona em uma espécie de grid computing, com sistema de arquivos próprios chamado de GFS (Google File System, o que mais poderia ser essa sigla?). Mesmo que um servidor pegue fogo, pife, seja destruído, várias outras cópias dele rodam em outro lugar e assumem imediatamente, sendo totalmente transparente para o usuário.
Um organização que queira ter um sistema seguro para evitar perda de informações teria que investir milhões e assim mesmo ficaria vulnerável caso mantenha poucas cópias backup, mesmo em lugares distantes. Obviamente não adianta manter o backup no mesmo prédio da cópia principal. E seu datacenter for vítima da síndrome do Boeing? Claro que a solução que o Google implementa não é perfeita. Mas possui um ótimo custo-benefício para a maioria das organizações.
[Atualização]: (*) O Alex Hubner do CFGigolô informa que o Google Apps não aceita pagamentos de empresas brasileiras, o que é um problema para a expansão do serviço aqui no Brasil. Assim o Google Apps fica restrito apenas à versão gratuita, ou seja, para microempresas.
9 julho 2007
por Alexandre Fugita
Na semana passada descobri no blog do Alessandro Martins que o email do governador do Paraná, Roberto Requião, estava retornando respostas mal educadas. Um eleitor enviou uma reclamação para o email oficial do governador do Paraná e recebeu de volta, como resposta, uma só palavra: “Imbecil”. Isso foi no dia 2 de julho. Resolvi fazer um teste no dia 5 de julho, dei o benefício da dúvida, vai que no dia 2 de julho o email do governador do Paraná estava hackeado. Surpreendentemente respostas mal educadas aconteceram novamente. Uma coisa é certa: não importa quem esteja respondendo, seja um assessor, seja um hacker, isso é inadmissível vindo de um email do tipo governador@pr.gov.br. Duvido que tenha sido o próprio Requião a responder esses emails, não seria tão descuidado assim. A dúvida persiste: o governo do Paraná foi hackeado ou a internet é uma série de tubos?
molequinho safado.bobinho procurando promocao com estripulia.
Sim, esse subtítulo acima foi uma das respostas que recebi do email oficial do governador do Estado do Paraná. Em seguida liguei para o gabinete do governo do Paraná e fui atendido por duas moças simpáticas e que prometeram averiguar minha hipótese de hacker na linha. Disseram que retornariam a ligação. Estou esperando desde quinta-feira. Já que estava com espírito investigativo, recrutei dois bloggers-amigos para me ajudarem a decifrar algumas coisas. Pedi para que cada um deles enviasse um email para o mesmo endereço que eu havia escrito antes. Um deles enviou uma solicitação de esclarecimento sobre mensagens mal educadas. O outro enviou um elogio. O pedido de esclarecimento foi respondido, negando qualquer conhecimento sobre o assunto. O elogio não foi respondido. Confesso que foi difícil encontrar algo a elogiar.
Curiosamente a mensagem respondida possui endereço IP quase idêntico a de uma das respostas mal educadas que recebi. Só difere no último número. Ao invés de .50, é .49, ou seja, ali do lado… A assinatura de ambos os emails é idêntica e revela que quem responde é um orgulhoso dono de um Blackberry. Um outro email que recebi vindo dos endereços oficiais do governo do Paraná aparentemente foi respondido de um desktop pois usa IPs e assinaturas diferentes, mas mesmo assim são provenientes de servidores de dentro do governo do Paraná. Deixo aqui cópias em texto dos headers originais (com rotas IPs, etc.) dos emails recebidos para análise de quem quiser. Tirem suas próprias conclusões.
![[Emails] [Emails]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/email_governo_pr.png)
3 julho 2007
por Alexandre Fugita
Na semana passada fiquei boa parte da quarta, quinta e sexta-feiras longe do meu PC usado para blogar. Fui a diversos eventos como o lançamento da Eonde, encontro da Mozilla, Microsoft Remix e lançamento do Fiz.TV blog. Mas mesmo assim consegui postar textos no Techbits e Meio Bit desses lugares. Vários complicadores surgiram no meio do caminho. E todos tem a ver com a falta de infra-estrutura nesses locais para permitir acesso contínuo à internet.
Ematoma na Eonde
Eu e a Marisa Ematoma éramos os únicos bloggers no lançamento da Eonde. Os dois levaram o notebook, ela um Mac e eu um PC. O evento aconteceu no prédio da Microsoft, no andar destinado a coletivas de imprensa e outros eventos. Infelizmente não há rede wi-fi aberta para os visitantes no local. O Galileu, nosso contato na gigante de Redmond, emprestou seu notebook para a Marisa e eu fiquei dependente da rede celular usando meu Treo como modem.
A Marisa estava empolgada, escreveu um compêndio sobre a Eonde. Perto do momento em que iria postar, a bateria do notebook morreu. Depois disso minutos de desespero se seguiram pois não havia cópia daquele texto em qualquer lugar se não na página do Movable Type aberta no finado laptop. Até este momento eu havia escrito apenas 2 linhas sobre o mesmo assunto. No final, com ajuda da rede celular e do notebook com bateria suficiente, consegui postar no Meio Bit antes da Marisa, hehehe!
Meio Bit no Remix
Eu e o Cardoso fomos ao MS Remix 07, em São Paulo. A briga por uma conexão lá estava complicada. No primeiro dia ocorreram momentos de instabilidade no qual o sinal era cortado e depois restaurado. A casa que abrigou o evento não queria liberar o wi-fi para seus visitantes. No meio da tarde do primeiro dia alguém conseguiu convencê-los de que wi-fi era algo importante.
Mas no segundo dia o wi-fi foi simplesmente cortado, sem esperança alguma de voltar. Até uma das palestras sofreu com problemas de internet quando a demostração precisou da rede e nada de funcionar. Ainda bem que eu estava lá com um Treo atuando de modem e pude fazer uns posts aqui e no Meio Bit.
Tiago Dória no Fiz.TV
O Tiago Dória é o mestre do live-blogging aqui no Brasil. Durante o BarCamp postou ao vivo sobre todas as discussões interessantes que presenciou. Lá tinha rede wi-fi liberada para os participantes. Na noite da última sexta-feira 20 blogueiros foram convidados pelo Fiz.TV para um bate-papo e conhecer esse projeto da Editora Abril. Como todos estavam preocupados com o social, não vi um blogueiro sequer com pretensões de live-blogging. Pudera, a pizza e a cerveja estavam muito boas e os papos também.
Lá pelas tantas fui perguntar ao Dória se ele já tinha blogado, ao vivo, sobre o Fiz.TV. E o pior que tinha mesmo! Na verdade não fez um post no seu blog e sim atualizou seus leitores através do Twitter, provavelmente usando rede celular. Legal, Tiago Dória é o mestre do live-blogging no Brasil. Não podemos esquecer, claro, da Bia Kunze, a Garota Sem Fio, pioneira em moblog e na divulgação desta tecnologia.
MediaOn desconectado
Semanas antes eu havia comparecido a um evento de jornalismo on-line, o MediaOn. Incrivelmente não havia sequer a possibilidade de blogar ao vivo do auditório do Itaú Cultural já que rede wi-fi deve soar como palavrão por lá, assim como alguns acham as redes colaborativas uma aberração. O evento era patrocinado pelo Terra, grande portal da internet brasileira. Jornalismo on-line, só off-line mesmo.
Enquanto isso lá nos EUA…
O que vemos nos EUA é totalmente diferente. Lá quando há um lançamento importante, um keynote imperdível, uma simples coletiva de imprensa, vemos os bloggers postando direto do local. O Engadget faz isso com maestria, seu site tem picos de audiência exatamente no momento dos keynotes mais importantes. É possível saber via Engadget do lançamento que aconteceu menos de um minuto antes. Tudo graças ao live-blogging e à infra-estrutura montada para quem cobre esses eventos.
Aqui no Brasil é complicado. Não existe rede wi-fi (aberta ou fechada) em lugar algum ou ainda uma tomada para os gadgets sedentos por energia. Internet em eventos deveria ser como água, item básico. A graça do live-blogging está exatamente em fazer tudo ao vivo. Se for pra postar depois, quando todo mundo já leu os press-releases e a novidade já é história velha, melhor trabalhar em um jornal.
2 julho 2007
por Alexandre Fugita
A última sexta-feira aconteceu o lançamento do mega-super-hiper-ultra-hype e aguardado-tudo-em-um-iPhone. Um dos problemas que todos já vinham falando é a falta de suporte a aplicações de terceiros. Jobs veio com a solução mágica, certa vez discutida aqui no Techbits: use a web 2.0, softwares on-line, ajax. Pronto, está aí seu SDK, tudo rodará no Safari. Ao assistir a este anúncio na WWDC, logo percebe-se que não agradou o desenvolvedor da Apple. Ninguém aplaudiu, nenhum UAU foi ouvido, murmúrios desapontados ecoaram ao fundo.
Muitos cliques
Desde então alguns web services surgiram para o iPhone , nenhum mirabolante e todos com um complicador a mais para usar: rodam dentro do Safari. Não há a possibilidade de criar ícones para ir direto a uma aplicação web do iPhone o que significa muitos cliques para se chegar a eles. Muito complicado para um produto vindo do loop infinito.
A falta de botões físicos parece ser algo bastante interessante, mas mostra-se um problema sério. Quer fazer uma ligação? No mínimo uns 6 movimentos entre botão físico e toques na tela. Se sua lista tiver 300 contatos, o que não é incomum, lá se vão vários segundos e muitos toques tentando achar alguém no meio de tantos nomes. No Treo consigo achar um contato, a partir do telefone travado pressionando 4 botões.
Ajax, web 2.0 e a limitação dos softwares on-line
Apesar de ser um entusiasta do software on-line – defendo esse tipo de aplicação várias vezes aqui no Techbits – acho que para um smartphone por enquanto não funciona. Mesmo o iPhone tendo wi-fi, a maior parte do tempo estará sob rede EDGE, que é lenta. Um software on-line, pra ser minimamente usável precisa de uma internet razoavelmente rápida. Por isso funciona perfeitamente no desktop e não no iPhone. Wi-fi está fora de questão. A rede, em qualquer lugar do mundo é fixa a poucos locais e não permite deslocamentos entre elas. Nem mesmo as redes mesh parecem vingar.
Mas o ajax comunica-se através de XML, não? Só a informação trafega, correto? Mesmo assim continua lento. Não tem jeito. Software on-line exige banda relativamente larga. Ou ficaremos submetidos a lags de desempenho terríveis. Jobs, cadê o SDK?
29 junho 2007
por Alexandre Fugita
Estava esperando o dia em que veria algo parecido com o efeito Digg. E esse dia chegou. Esta semana o Techbits foi citado, elogiado, recomendado por nada mais, nada menos que a Rosana Hermann do Querido Leitor. Fui avisado por um amigo da citação, fui ver o post indicado e UAU, entrei em êxtase. Fui logo ver as estatísticas do blog e realmente o efeito Rosana Hermann atuou com toda força. A visitação por hora triplicou em relação à quantidade normal, isso nunca tinha acontecido antes em função da citação em outro site.
A citação
Claro, fiquei tão lisonjeado com a citação que reproduzo um trecho abaixo:
“Mergulhe em todos os arquivos, delicie-se com o texto claro e preciso, ajoelhe diante da tela e agradeça a Santa Arroba dos últimos cliques ou simplesmente monte um altar em volta da tela neste endereço.”
Leia o post completo no Querido Leitor.
Agradecimento
Agradecimento especial à Rosana Hermann, pelos elogios, pelos leitores que vieram prestigiar, pela citação. Espero que os leitores dela tenham gostado do Techbits e continuem visitando este blog.