A Última Hora

por Alexandre Fugita

[Blog Action Day 2007: meio ambiente] Isso aqui é um blog de tecnologia, creio que todo mundo aqui usa ou já usou um gadget movido a bateria. Vou pegar como exemplo o seu celular. Imagine que ele esteja totalmente carregado e você vai viajar. Durante a viagem não existem tomadas fáceis e você só tem a possibilidade de carregar a bateria por 20 minutos a cada 4 horas. Se você usar muito, toda aquela energia da bateria cheia, vai embora, mesmo que a carga de tempos em tempos aumente esse prazo. Se você gasta mais energia que consegue repor, em breve terá um celular morto. Mas que diabos o Fugita está falando? Volto neste assunto daqui a pouco.

Blog Action Day e A Última Hora

Segunda-feira foi o Blog Action Day, dia que toda a blogosfera mundial – e isso inclui o Brasil – trata de um tema específico. Para o ano de 2007 o assunto foi o meio ambiente. Só para lembrar da importância desta discussão, semana passada o Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, e ativista ecológico, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. O mundo está atento. E não se trata de salvar as baleias ou as árvores, coisas isoladas. É um problema global,uma verdade inconveniente.

[A Última Hora] Hoje assisti à pré-estréia de um filme que estará na 31a. Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Trata-se do filme-documentário A Última Hora (The Eleventh Hour), que trata desse assunto delicado que influencia nossas vidas. Uma frase me chamou a atenção e gerou idéias para este post. A última hora que o filme discute é esse último momento da humanidade que ainda dá tempo de fazer algo.

Nossa energia vai se esgotar

Voltando ao caso da bateria que se esvai de um celular, quero transpor aquele raciocínio ao meio ambiente. Toda a energia da Terra vem do Sol. A energia é armazenada aqui – enxergue a Terra como uma grande bateria – através da fotossíntese das plantas, do aquecimento das águas, etc… Isso vem ocorrendodesde que a Terra existe. A energia acumulada aqui durante esse tempo deixava a “bateria” quase sempre carregada no limite.

Mas aí resolvemos queimar combustíveis fósseis. Resolvemos fazer as revoluções industrial, da informação, e tudo mais. Isso é ótimo para a humanidade, mas estamos gastando a energia acumulada das baterias. Atualmente gastamos mais do que conseguimos repor. É a bateria do celular ficando sem energia. Fácil entender: se gastamos mais do que ganhamos… um dia acaba.

Carbono Zero

Por isso existem essas campanhas de tentarmos zerar nossa “pegada” de carbono. Se cada indivíduo na Terra conseguir neutralizar a energia que usa diariamente – isso se calcula no “gasto” de carbono – a bateria da Terra pode aguentar mais. O Protocolo de Kyoto, apesar dos falsos-liberais torcerem o nariz, é coisa séria. Vamos diminuir o gasto da bateria da Terra. Você com certeza faria isso pelo seu celular, por que não pela planeta?

YouTube, a multidão é incontrolável…

por Alexandre Fugita

[YouTube] Ontem o YouTube, a central de vídeos na internet, finalmente recebeu o filtro de material pirateado que a Google tinha prometido implantar. Por enquanto aparentemente todos estão felizes. As gigantes da mídia aprovaram, os testes foram satisfatórios. Mas isso vai resolver o problema?

A grande graça do YouTube é exatamente ter vídeos subidos aleatoriamente pelos usuários. Cada um disponibiliza o que acha legal – até o Techbits já postou coisas lá – e o complexo sistema de interação social da multidão promove os mais interessantes. Não é por acaso que o Evolution of Dance já foi visto mais de 60 milhões de vezes.

O sistema de filtro do VocêTubo exige que o dono do material protegido por direitos autorais faça um upload do conteúdo que quer verificar. O YouTube cria uma impressão digital matemática (hash) desses vídeos e também daqueles retirados por problemas de copyright. Essa técnica parece falha. É só mudar um único bit do vídeo proibido que o sistema não mais reconhece. Acho que perdi algo…

Espero também que os donos do material filtrado deixem ele no ar ao invés de retirá-lo sumariamente e concordem em monetizá-lo através da plataforma do YouTube. Retirar do site de vídeos é ruim como um todo. Quem se lembra do Jon Stewart – Comedy Central, Viacom – satirizando o “Series of Tubes”? Era impagável… mas foi retirado… Infelizmente.

Iniciativas web (2.0) brasileiras

por Alexandre Fugita

A maioria de nós que esta acostumada a usar serviços web, procuramos soluções estrangeiras. Mas há muita coisa interessante sendo criada no Brasil. Fora os serviços que já citei algumas vezes aqui no Techbits, parei para olhar algumas outras iniciativas web 2.0 tupiniquins. O empreendedorismo[bb] está florescendo na web brasileira. Eis alguns serviços interessantes, há outros, essa é apenas uma compilação:

OlhaOnde.eu

[Olhaonde.eu]O BigBrother na web ganha mais um aliado. O OlhaOnde.eu é um mashup do Google Maps no qual podemos apontar coisas que fizemos e sua localização. Por exemplo, vamos supor que você foi viajar e quer tornar público o roteiro. É só criar um olhaonde.eu/viajei e apontar no mapa a localização. Aparentemente o negócio de localização 2.0 está fervilhando. Ontem mesmo o Google incluiu no Google Earth vídeos do YouTube localizados geograficamente.

Descolando

[Descolando] Na escola/ universidade sempre quem nos avalia são os professores. Pois com o Descolando a moeda se inverte. Nesta rede social os alunos avaliam os professores e dão dicas valiosas para enfrentar a matéria. Isso já acontecia no orkut, mas agora fica tudo centralizado em um único lugar. Se a qualidade do ensino melhor, está valendo.

Gozub

[Gozub] O Gozub é uma espécie de Twitter, mas em português. Tem praticamente as mesmas funcionalidades do irmão famoso, só que não existe versão mobile. Como a maioria das pessoas que conheço usa muito a versão mobile do Twitter, o Gozub perde pontos nesta área. Mas segundo o FAQ do serviço, uma versão móvel está a caminho. Enquanto isso dá pra se virar configurando seu IM no celular para conversar com a API do Gozub.

Tuangr

[Tuangr] O Tuangr – nome estranho, não? – se propõe a juntar compradores (consumidores finais) para conseguir preços melhores na compra de coisas como impressoras, computadores, essas coisas. Há alguns fornecedores selecionados que dão desconto a medida que mais compradores se interessam por um produto. Por exemplo, um servidor HP pode variar de 1600 a 1770 reais, dependendo do número de compradores.

Orangotag

[Orangotag] Para quem curte séries de TV, o Orangotag é o lugar para organizar o que você já assistiu, suas tags. Por ser uma rede social você fica sabendo o que seus amigos andam assistindo, quando isso ocorreu, etc… A idéia é interessante mas levando-se em conta que as séries demoram um tempo para chegar ao Brasil, quem assistiu ao último episódio do Heroes[bb] e marcou isso no Orangotag, pode estar afirmando que compartilha arquivos pelos meios obscuros.

O poder do consumidor 2.0

por Alexandre Fugita

[Techbits na Época Negócios] Este é um quase-ego-post, pule se preferir. Enquanto existe aquela polêmica de qual blogueira irá sair em uma revista (Playboy), um blogueiro saiu em outra revista, no caso a Época Negócios. Fui “entrevistado” (foto acima) para uma matéria que estavam fazendo sobre “O Poder do consumidor no mundo digital“. A reportagem tem cerca de 20 páginas e conta também com a presença de outra blogueira, a Patrícia Müller, do Sinestesia.

O texto é interessante, vale a leitura. O objetivo é abrir para o leitor da publicação – executivos e pessoas interessadas em negócios – esse mundo novo que é a web colaborativa, redes sociais, blogs, que se convencionou chamar de web 2.0. Aquele personagem polêmico, o Andrew QUEM?, autor do “The Cult of Amateur”, crítico feroz de toda essa bolha 2.0, tem também seu espaço.

O caso Estadão é citado algumas vezes. O Rodrigo Lara Mesquita, acionista do jornal, figura na reportagem devido ao seu texto pró-blogueiros publicado na Peabirus, sua startup. Outro caso discutido é o do Boticário, que entrou em contato com uma consumidora-blogueira, a Patrícia, depois dela ter postado sobre uma linha de produtos que só era vendida em uma certa época do ano. Também fala-se da Microsoft[bb], que convidou blogueiros para uma aproximação meses atrás.

Lá quase no final da matéria, a Época traz um guia para executivos se aventurarem no mundo dos blogs. Nada de press-releases, nada de marketing gratuito. A conclusão é seja honesto e transparente, interaja com os leitores-consumidores e torne-se um executivo-blogueiro respeitado. As vendas agradecem.

A nova distribuição de conteúdo

por Alexandre Fugita

[Distribuição de conteúdo na forma de bits e bytes] Dias atrás, quando defendi o YouTube frente à TV digital, alguns não entenderam que a minha crítica ia para a forma de distribuição de conteúdo. Não acho que os tradicionais produtores de conteúdo vão deixar de existir. Acho que terão de formular uma nova forma de distribuição. O Tiago Dória, comentando o caso da Madonna que vai abandonar a tradicional Warner pela Live Nation, tirou as palavras do meu teclado:

“(…) na parte de distribuição [as gravadoras], já perderam o bonde da história para a internet – já não têm controle sobre como e onde o seu conteúdo será distribuído. Aliás, o que a internet vem mudando é muito mais a indústria da distribuição do que a de produção de conteúdo.”, Tiago Dória

Somos ladrões?

A indústria de entretenimento considera seus consumidores ladrões. Processam pessoas que querem seu produto, mas que estão cansadas da mídia física, que exige, por exemplo, comprar várias músicas ruins quando só queremos uma única faixa. Quando colocam em lojas virtuais como a iTunes, enchem o arquivo de DRM. Ao invés de confiar naqueles que geram sua receita, desconfiam. Sua incompetência em entender que o mundo mudou é transformada em processos. Não é à toa que a troca ilegal de arquivos pela internet corre solta.

O blog Torrent Freak diz que uma banda de rock propôs que todos nós roubemos mesmo música das gravadoras, pois para a banda, dinheiro da venda de CDs nunca aparece. A idéia é mais ou menos essa: se algum fã quer mesmo que o dinheiro chegue ao artista, roube música das gravadoras para acabar de vez com elas, vá aos shows, compre uma camiseta e entoe a canção. Pelo menos o dinheiro entra.

A mensagem é clara: a distribuição de conteúdo, do jeito que está hoje, não funciona mais como modelo de negócios. Radiohead sabe muito bem disso e publicou seu último álbum somente on-line. Sem falar do caso “Tropa de Elite”, que ia cobrir aqui, mas acabou ficando para trás.

Barateamento dos meios de distribuição

Antes só a Big-Company-Inc-S.A. tinha dinheiro para bancar a distribuição de informação, seja ela um texto, uma música ou um filme. Todo mundo está cansado de ouvir, hoje todos podem ter um blog, distribuir músicas, fotos, vídeos. Ficou barato.

O meio internet, os bits e bytes da grande rede, transformaram a distribuição em commodity, algo que a indústria custa a aceitar. Não é à toa que minha TV, meu jukebox, meu livro, meu jornal, todos são a internet. Continuo aceitando pagar para receber conteúdo como filmes, livros, etc… Mas prefiro a internet como meio. Ponto final.

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(*) imagem deste post, via Flickr

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