5 abril 2007
por Alexandre Fugita
Algo que vem me preocupando ultimamente é a forma como os novos browsers mobile mostram a informação. A Apple revelou o Safari do iPhone, com suas capacidades de zoom e de manter o layout original das páginas web em uma tela de 3,5 polegadas… A Microsoft lançou recentemente o DeepFish, navegador que pretende manter também o formato original das páginas web na mesma minúscula tela de PDAs e smartphones. Mas será que é isso mesmo que vai dar certo em navegação móvel? Como vou saber se aquele texto minúsculo é aquilo que quero ler? E toda aquela história de criar um CSS otimizado que se traduz em navegação mobile e desktop confortável? Apesar de achar interessante esses novos browsers móveis, ainda prefiro um sistema que mostre corretamente o conteúdo e não fique se preocupando com layout em telas minúsculas.
Um pouco de história
Houve uma época na qual quiseram criar duas webs: a normal, para computadores normais (desktop, notebooks) e outra mobile, para dispositivos móveis. Surgiu então o WAP, acrônimo para Wireless Application Protocol. As fabricantes começaram a lançar celulares com WAP, mas a tecnologia nunca vingou. O principal motivo: criar um site “normal” já é complicado, imagina criar uma versão wap da mesma coisa, ou seja, uma segunda internet, com seus próprios domínios, complicações, etc… Esse é o mesmo motivo que me leva a crer que a web semântica nunca vai conseguir implantar microformatos, etc… mas isso é outra história…
O ideal é ter uma coisa só, uma única página web que sirva para tudo. O Techbits e boa parte dos blogs que conheço por aí são otimizados para dispositivos móveis. Ninguém tem uma versão WAP do site e nem precisam. Com o uso de padrões web e CSS qualquer site fica leve e roda tranqüilo no celular, PDA ou smartphone. Além do que hoje existe o RSS e os sites que visitamos com freqüência podem ficar guardados no agregador de feeds mobile favorito, deixando de existir a necessidade de navegar naquelas telas minúsculas.
Safari mobile e Deepfish
O que esses dois navegadores querem fazer é transformar sua tela de dezessete ou mais polegadas em uma imagem de 3,5 polegadas… Tudo vai diminuir nesta proporção não será possível ler qualquer texto. É só ver o exemplo abaixo retirado do blog da Garota Sem Fio em seus testes iniciais com o DeepFish. Técnicas de aumento de texto como o duplo clique/ multi-touch do iPhone vem a resolver parte do problema mas ainda acho que a navegação fica comprometida.
Quando um site é visto sem CSS em um dispositivo móvel, tudo fica em uma única coluna (veja esta página sem CSS aqui). Se o site for bem feito, o conteúdo fica disponível logo no começo. Para ler é só rolar a tela pra baixo, nada de andar para os lados, ou dar zoom, o que complica demais a localização das coisas na tela.

Conclusão
A sua intenção com o dispositivo móvel não é substituir o desktop como meio principal de navegação e sim apenas consultar uma ou outra informação quando não existe um computador por perto. Ou seja, prefiro ainda a navegação móvel com otimização no CSS e não miniaturas inteligíveis de uma página web que precisam de técnicas de zoom complicadas. Pra finalizar, recomendo a leitura de um texto do Sérgio Lima sobre Computação Móvel Sensata, que não é exatamente a discussão do mesmo assunto, mas é relacionado.
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4 abril 2007
por Alexandre Fugita
Pragas virtuais existem aos montes, a internet é um lugar perigoso. Uma delas está chamando a atenção pela forma como se espalha. Você recebe um e-mail vindo de alguém que conhece convidando para entrar em uma nova rede social chamada Tagged.com. A mensagem contém um apelo, típico de SPAM, recomendando aceitar o convite sob o risco do rementente achar que você disse não. Clicando no botão sim o sistema pede seu endereço de email e sua senha para acessá-lo. Alerta! Alerta! Alerta! Só uma pessoa desatenta – para não dizer outra palavra – colocaria seu email e senha neste campo. E acredite, existem pessoas assim às centenas, milhares, talvez milhões. Pronto, você acaba de ajudar o SPAM se espalhar.
Convite, convite, convite
Não sou tão solicitado quanto o Marmota, que diz ter recebido dezenas desses convites. Pra falar a verdade não recebi nenhum. Mas pesquisei nos links deixados no texto dele e também no Technorati, e o Tagged realmente é o assunto do momento, não por essa característica SPAM e sim pois o povo fica feliz em receber um convite pra uma suposta rede social fechada. Aquela velha história de pertencer a um grupo enquanto os meros mortais lutam para entrar (vide caso Joost).
![[Tagged invite] [Tagged invite]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/tagged_invite.gif)
Segundo o Alexa – mecanismo que traça o ibope dos sites por aí – a visitação do Tagged.com está crescendo em progressão geométrica desde outubro de 2006 (selecione visualização de 3 anos para enxergar a curva), quando começou essa fase de recrutamento SPAM-like. Como a maioria das pessoas não sabe o que é privacidade e clica loucamente em qualquer link que apareça na tela, o serviço está crescendo da pior forma.
Ao se cadastrar e dar sua senha do serviço de webmail preferido, o Tagged entra em sua conta, suga todos os endereços de email e envia um convite em seu nome… Milhões foram cooptados sem saber que participam do novo neologismo da internet: SPAM 2.0, cunhado por uma das vítimas do serviço em seu blog. Isso lembra aquele SMS.ac que todo mundo se cadastrou mas ninguém jamais conseguiu mandar uma mensagem de texto grátis.
Para mim, esse tipo de e-mail não faz diferença. Assim como as correntes e hoax que recebo, vai direto para o lixo, sem ao menos abrir a mensagem. Se pedir minha senha então? Dou uma bela de uma risada… mas tem gente que leva a sério, e vira spammer.
Como cancelar o Tagged
O leitor do Techbits Douglas (comentário #33) dá a dica de como sair do Tagged. Siga as instruções:
- Vá à página Cancelar Conta;
- Selecione “YES, …”;
- Aperte o botão “Submit”;
- Digite a senha;
- Pronto, acaba de se livrar de uma fria;
Dica inserida no dia 07/05/2007, valeu Douglas!
2 abril 2007
por Alexandre Fugita
Os rumores da manhã se confirmaram. Hoje a Apple e a EMI anunciaram que todo o catálogo da gravadora passará a ser vendido sem DRM. Aquele discurso do Jobs dizendo-se contra o DRM era, afinal, uma antecipação deste acordo que estava por vir. Vitória, afinal. Esse pode ser o gatilho que faltava para que as outras geradoras de conteúdo sigam o exemplo e eliminem de vez o DRM.
A proposta da EMI/ Apple
Segundo o TechCrunch, as músicas serão vendidas a US$ 1,29, ou seja, 30 centavos de dólar a mais do que as músicas com DRM, estarão no formato AAC (proprietário da Apple) e codificadas em 256 Kbits/s, o dobro das faixas atuais. Quem quiser comprar o álbum inteiro, o preço não mudará, mas a qualidade será maior e livre de DRM, assim como os videoclipes.
A notícia realmente é uma vitória em direção ao que todos pedem: o fim do DRM. Segundo o Jobs há negociações com outras gravadoras e espera-se que até o final do ano 50% do catálogo da iTMS seja DRM-free. A EMI informa em seu pressrelease que músicas sem DRM serão vendidas futuramente em outras lojas on-line, mas que a Apple é sua primeira parceria.
DRM é restrição
No mundo digital as empresas tiveram que inventar um meio de evitar cópias ilegais de seus produtos. Criaram o DRM, que restringe a liberdade de quem compra músicas e filmes, a ser cliente para o resto da vida do mesmo fornecedor. Essa restrição é complicada pois se você foi sempre cliente da Apple e de repente resolve comprar o Zune (tem certeza?), todas as músicas compradas legalmente para o tocador da maçã ficam inválidos. Claro, aqui no Brasil não podemos comprar músicas da Apple, mas isso é só para termos uma idéia do problema causado. O início do fim do DRM está longe do ideal, mas já é um grande avanço.
1 abril 2007
por Alexandre Fugita
Pois é, aconteceu. O Google quer dominar o mundo e não existe melhor forma de fazer isso do que comprando a Microsoft. Por trocentos ziguilhões de caraminguás a empresa de Montain View comprou a gigante de Redmond. Até então a briga estava crescendo tanto nos setores de busca, quanto de suítes office e mais recentemente no mercado de vídeos. Agora tudo se juntou em um única operação. Aliás foi isso que o Sr. Orkut veio ao Brasil anunciar. E do encontro com Michel Levy e Alexandre Hohagen, ficou definido que ambos irão dividir o mesmo escritório como fazem os fundadores do oráculo lá no Googleplex.
Bill Gates
Agora sim ficam claros os motivos do Bill Gates se aposentar da Microsoft em 2008. Sua empresa estava em negociação de venda e com o anúncio da aquisição não há mais razões para continuar lá. O único problema que vejo é o Steve Ballmer. O executivo ama tanto a Microsoft que é capaz de pedir o afastamento após as notícias de hoje. É quase certo também que o Google adote algum tipo de sistema de geração própria de energia na sede da Microsoft em Seattle. Mas como lá chove muito, ao invés de painéis solares, farão uma usina hidrelétrica.
1o. de Abril
Claro, hoje é primeiro de Abril. Boa parte do que você leu é mentira, com fatos reais no meio. Tradicionalmente muitos sites de tecnologia divulgam notícias malucas nesta data. Quem quiser acompanhar mais,uma boa dica é o Google Discovery, hackeado para Yahoo Discovery no dia de hoje.
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28 março 2007
por Alexandre Fugita
Quando defendo aqui no Techbits que a indústria de entretenimento precisa mudar seu modelo de negócios, geralmente falo sobre distribuição de conteúdo. Uma coisa interessante que está acontecendo com pelo menos dois projetos de filmes atualmente é o uso de novos modelos de negócios para a produção e distribuição dos mesmos. Tudo está sendo feito com conceitos de crowdsourcing, o que é muito interessante. Se vai dar certo e sair um filme interessante é outra história…
Swarm of Angels
O Swarm of Angels é o mais crowdsourcizado dos filmes. O financiamento, a produção e a distribuição são realizados com ajuda da multidão. Atualmente há cerca de 900 investidores angel que contribuíram cada um com aproximadamente de 47 dólares. Todos eles tem acesso ao processo criativo, conteúdo exclusivo e podem até se tornar parte da equipe de filmagem. A intenção é arrecadar cerca de 2 milhões de dólares e criar um filme a ser distribuído livremente sob a licença creative commons. Veja uma entrevista com o Matt Hanson, idealizador do projeto (em inglês).
The 1 Second Film
A proposta do The 1 Second Film é estranha: uma animação de 1 segundo seguida de 90 minutos de créditos e um documentário. Neste projeto qualquer um pode contribuir com um dólar e se tornar produtor do filme. Kiefer Sutherland, astro da série 24 horas, foi o famoso que mais doou: US$ 600,23. O maior doador individual é uma empresa ligada ao cinema. A idéia vem também do crowdsourcing, segundo a própria descrição do projeto: “Usando micro- colaboração, o The 1 Second Film mistura rede social com a força colaborativa da arte e muitos pequenos contribuintes que fazem a diferença.”. Já conseguiram cerca de 150 mil dólares da meta de 1 milhão.
O que é crowdsourcing
Já falei deste conceito aqui no Techbits há algum tempo. Mas sempre vale a pena revisar pois é interessantíssimo. Várias organizações estão descobrindo o poder das multidões em realizar trabalhos e tarefas em seu tempo ocioso. Milhões de pessoas gastam uma parte de seu tempo e geram resultados em conjunto. A recompensa pode vir na forma de ranking, ou no caso dos filmes acima, como reconhecimento nos créditos/ influência no roteiro, etc… Esqueça o outsourcing. O negócio agora é o crowdsourcing.
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