7 março 2007
por Alexandre Fugita
Pois é… Quando achava que não poderia mais surgir alguma idéia para redes sociais, descubro no Techcrunch que existe uma para documentos .doc, .xls, .pdf, etc… Depois dessa acho que qualquer coisa pode virar rede social. O serviço chama-se Scribd, é interessante, está na estrada há algum tempo e tem razoável conteúdo enviado pelos usuários. Há livros, textos, tabelas, etc… Assim como no YouTube é possível colocar um documento “embedded” em uma página html, usar tags para classificar o material, fazer download do arquivo em vários formatos. Uma coisa interessante é a possibilidade de ouvir um audio ditado do documento, feito por uma máquina, o que significa uma voz muito estranha. O serviço chamou a atenção inclusive de um VC e recebeu essa semana investimentos de capital de risco.
Compartilhar
A idéia de toda rede social é o compartilhamento de informações e a interação entre os usuários. Em termos de interação, há um sistema de votos para indicar que você gostou daquele texto. No caso de compartilhar um livro ou texto, é interessante, mas isso será feito publicamente. Há outras formas de fazer sua equipe ter acesso a um mesmo documento, via web, sem se expor ao público. Um grande exemplo disso é o Google Documentos e Planilhas.
Um dos problemas que vi no Scribd é que há material protegido por direitos autorais. Uma rápida pesquisa mostrou que um dos campeões de venda do ano passado, o Freakonomics, está na íntegra disponível no site.
Shelfari
Uma outra rede social de livros, mas desta vez sem nenhum conteúdo disponível na internet, é o Shelfari. Trata-se de uma estante virtual na qual você pode catalogar sua biblioteca, compartilhar a lista de livros com amigos, sugerir e receber sugestões para leitura. Bastante interessante.
Leia mais:
O YouTube dos textos, via futuro.vc
5 março 2007
por Alexandre Fugita
A cada dia, mais e mais informação é disponibilizada na web, o crescimento é exponencial. Uma notícia, que tinha vida útil de várias horas na era do jornal, na web, passa a ser importante apenas por alguns minutos. A todo momento estamos procurando por novidades. O jornal impresso de hoje só trás notícias de ontem. Ultrapassado. Em tempos de web as pessoas só vão ler algo quando encontrarem informação relevante que valha seu precioso tempo. Blogs surgem aos montes, sites de notícias conheço às duzias. Todas competem pelo mesmo “produto”, nossa atenção, nossos eyeballs.
RSSzando suas leituras
Pra quem lê muita coisa ou precisa acompanhar várias fontes de informação ao mesmo tempo, nada melhor que o RSS. No começo é uma maravilha. Todo aquele tempo que você gastava entrando de site em site para descobrir coisas novas pode ser resumido a uma passada pelo seu agregador favorito. Aqueles que têm novidades ficam em destaque e não perdemos tempo. O problema chega quando o número de feeds que se acompanha toma proporções gigantes (meu caso). Significa que chegou a hora de cancelar a assinatura de alguns sites, algo que pouca gente faz.
Filtros de conteúdo
Há muitos serviços que filtram conteúdo e oferecem assuntos mais relevantes para determinado público. É o caso dos sites de notícias colaborativas como o Rec6 que, dependendo do que os usuários acharem das matérias lá postadas, pode cair no ostracismo ou ser promovida à página principal.
Mas nem sempre o que é relevante para os outros é relevante para você. Então é hora de criar o próprio filtro. O Yahoo! Pipes cumpre bem este serviço, filtrando ainda mais informações das mais variadas fontes. Não entendeu nada como funciona? O Bruno Alves fez um tutorial.
Busca automática e filtrada
Na verdade seu hábito é sempre procurar os mesmos determinados assuntos nos mecanismos de busca. É possível automatizar isso. O Technorati, buscador de blogs, oferece feed RSS de cada pesquisa que você faz. Criei, por exemplo, um feed de tudo que sai sobre MSX (aquele micro de 8 bits da década de 1980) na blogosfera brasileira.
Se quero pesquisar notícias em andamento, como por exemplo, o caso Vivo, Portugal Telecom e grupo Sonae, posso criar um feed (este aqui) com essa pesquisa no Google News. Simples, fácil, e se você souber usar essas e outras ferramentas conseguirá informações relevantes, com pouco ruído e poderá gastar o precioso tempo dos seus eyeballs com o que realmente interessa.
2 março 2007
por Alexandre Fugita
Quem se lembra do Babelfish do Altavista para traduzir páginas web? Quando surgiu, muito tempo atrás, as traduções eram sofríveis e creio que melhoraram com o passar do tempo. Ferramentas automáticas dificilmente conseguem fazer um bom trabalho quando se trata de transformar uma língua em outra. O Google, que quer dominar o mundo, naturalmente possui um tradutor. Só que agora, se não gostarmos do resultado podemos sugerir uma melhor tradução. Não está disponível em todas as combinações de línguas mas, ainda assim, interessante pois esse novo sistema usa conceitos de crowdsourcing e sabedoria das multidões.
Inteligência Artificial na infância
Apesar de todo desenvolvimento tecnológico, ainda não se conseguiu produzir uma máquina inteligente de verdade. Coisas como tradução de textos e a busca semântica não conseguem encontrar nos bits e bytes um sistema ideal. Então precisamos apelar para os humanos. Na medida que o Google classifica as sugestões de tradução enviadas pelos seus milhões de usuários, é possível refinar o mecanismo para dar resultados melhores.
Isso está na essência do crowdsourcing, pessoas ao redor do mundo disponibilizando parte de seu tempo para executar uma tarefa em conjunto. O resultado – uma melhor tradução – pode ser considerado como o que as pessoas acham que está correto e, portanto, enquadra-se perfeitamente na sabedoria das multidões. Enquanto as máquinas continuam burras, nada melhor que um ser humano para cuidar das coisas complexas…
1 março 2007
por Alexandre Fugita
Softwares on-line definitivamente são o futuro, vários sinais apontam nesta direção. O mais recente deles é o anúncio feito pela Adobe de que criará uma versão web do seu editor Photoshop. O conceito de SaaS (Software as a Service) está ganhando força não só no mercado voltado para o usuário final como em softwares corporativos. É o que eu sempre digo: tudo que preciso é de um browser, nada mais.
Os movimentos da Adobe
Não faz muito tempo que a Adobe comprou a Macromedia. Talvez essa já fosse uma indicação de que a empresa estava muito interessada na web. Nos últimos tempos muitos serviços foram convertidos para sistemas on-line. Hoje não faz sentido ir a uma agência bancária só para tirar o extrato. Leitores de RSS são em grande parte, baseados na web. Editores de texto e planilha estão migrando para este novo espaço. Nada mais natural que a gigante dos softwares de edição de imagem entrasse no jogo.
A versão on-line do Photoshop será bem mais simples, gratuita e financiada por anúncios. Um dos paradigmas que os serviços web estão mostrando é que não é necessário a mesma complexidade de funções que seus similares em desktop. O motivo é simples: quase ninguém usa mais do que 10% do que um programa gigante e pesado oferece. Concordo com os que disserem que a indústria de publicidade não vai abrir mão de seus Macs com Photoshop. Mas para o usuário comum só os recursos essenciais fazem sentido.
Concorrentes
No mercado de editores on-line de imagens há várias startups. Imagino que todas elas tenham tremido ontem com o anúncio da Adobe. O mais recente deles e bem recomendado é o Picnik. O Diogo Azevedo fez um ótimo review do Picnik. No Techcrunch é possível encontrar uma lista de concorrentes e uma visão geral de cada um.
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28 fevereiro 2007
por Alexandre Fugita
Atualmente fazer um trabalho escolar deve ser muito fácil. É só procurar no Google, clicar no primeiro link e fazer um copy/ paste. Mais fácil ainda: segundo matéria da Carta Capital, os alunos vão direto à Wikipédia. “No Google aparecem várias coisas e a gente não sabe qual está certa… Já na Wiki vai diretinho!”, diz alguém citado pela revista. É evidente que há falhas na informação disponibilizada nesta enciclopédia on-line. Mas o mesmo mecanismo que permite alguém postar informações erradas é a forma de corrigir e melhorar o conteúdo colaborativo.
Aprenda a aprender
O artigo da Carta Capital critica a Wikipédia e nivela por baixo todos os seus colaboradores e usuários. Só esquece de dizer que o importante é pesquisar várias fontes de informação antes de entender completamente algum assunto. Da mesma forma, critica os alunos que fazem uso da Wikipédia, mas não dá uma solução. Na minha opinião os alunos devem sim consultar a Wikipédia mas não como fonte única. Devem aprender, acima de tudo, assimilar pedaços de informações daqui e dali, para criar um resultado único. Aparentemente nem o jornalista pesquisa muitos lugares. Uma das poucas fontes citadas pelo autor do texto é de extrema confiança: orkut. Sinceramente, fico com a Wikipédia.
Colaboração
A base da chamada web 2.0 é a colaboração e interação entre usuários. Não existe mais essa de criar um texto e, pronto, aquela é a verdade absoluta. Blogs estão aí para provar isso. Tudo que escrevo passa pelo escrutínio público e quem não concorda está livre para se manifestar nos comentários abaixo. Uma revista não tem o mesmo espaço quase infinito que disponho para discussão. Recebe centenas ou milhares de cartas (!) e emails e precisa escolher algumas para, após editá-las, publicar.
Um dos comentários do post Wikipedia e a Educação na Era da Informação, do Sérgio Lima, que discute o mesmo artigo da Carta Capital, diz “Vergonha deveria ser encontrar verbetes errados e não corrigir”. Este é o ponto. O jornalista que criticou a Wikipédia não entendeu nada. Pegou uns três artigos que segundo ele contém “tolices e contradições” e os deixou do mesmo jeito, com os erros. Ao corrigir e melhorar o conteúdo, estaria contribuindo para a Sabedoria das Multidões. Só espero que pelo menos não continue acreditando que o orkut é melhor do que a Wikipédia…
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