3 maio 2007
por Alexandre Fugita
Quem usava o Pandora aqui no Brasil vai ter uma péssima notícia a partir de hoje. Devido a problemas de licenciamento de conteúdo, o Pandora ficará disponível apenas para residentes dos EUA e alguns poucos países. Não é preciso nem dizer que o Brasil está fora. Veja a mensagem que foi enviada para os usuários não residentes nos EUA aqui. Para quem não conhece o Pandora é um serviço de recomendação musical, refinado através dos nossos gostos pessoais. Quando ouvimos uma música podemos dizer se ela faz nosso gosto ou não. Analisando diversos fatores do “DNA” da música, o Pandora determina quais bandas que se encaixam no seu perfil, tocando músicas delas e sugerindo novos sons.
Last.FM e Musicovery
Uma outra opção para quem procura rádios virtuais é o Last.FM. Diferentemente do Pandora no Last.FM é necessário instalar um software no computador. Devido a esse detalhe nunca utilizei o Last.FM. Leitores do Techbits sabem que prefiro softwares on-line. Outra opção é o Musicovery. Este é on-line e toca músicas seqüencialmente seguindo um padrão. Pena que a base de músicas seja muito pequena. Veja um review do Musicovery no Issamu.
Monetização
O modelo de monetização desses sites é o mesmo: referenciar para lojas virtuais compradores de música. Ao oferecerem gratuitamente música por streaming, atuam como uma rádio analógica normal. A qualidade não é excelente e serve muito bem para divulgar músicas. A grande vantagem é que você fica quase livre para escolher a programação que mais lhe agrada. Coisas da cauda longa.
Esse bloqueio será feito por IP e tem a ver com aquela nova lei americana que está ameaçando a existência de rádios on-line. Estou aqui curtindo os últimos momentos antes da caixa de Pandora se fechar…
2 maio 2007
por Alexandre Fugita
Hoje é um dia daqueles para se lembrar na história da web. Uma seqüência numérica está tirando muita gente do sério. Sim, é o código exibido imagem acima (via Download Squad): 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0. Trata-se da chave criptográfica que quebra o sistema AACS dos HD-DVDs. No dia 17 do mês passado, a associação que mantém o AACS enviou um ofício ao Google pedindo que retirassem alguns sites do Blogger do ar por estarem exibindo tal código. Só que acabaram ajudando a divulgá-lo. Da mesma forma que aconteceu com o DeCSS dos DVDs, esse código do AACS do HD-DVD vai virar uma lenda na história da tecnologia.
Digg fora de controle
O Digg é quase a expressão máxima da sabedoria das multidões, do crowdsourcing e da colaboração em tempo real. Lá as pessoas postam, votam e definem o que é importante para ir à página principal. Os usuários se auto-regulam e intervenções acabam causando coisas estranhas facilmente percebidas pela comunidade. É o que está acontecendo neste exato momento.
Durante os últimos dias várias histórias divulgando o código de quebra para HD-DVD foram sistematicamente apagadas pelos moderadores do site. O que aconteceu? A multidão se enfureceu e conseguiram armar um Digg-bombing no qual praticamente todas as histórias da página principal apontam para tal código (imagem acima).
Kevin Rose, fundador do site, jogou a toalha. A intervenção ativa causou tanta revolta que simplesmente o Digg acaba de perder credibilidade com o seu público potencial. Cavaram o próprio buraco.
09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0
Para evitar vandalismo e publicação do código, a Wikipédia bloqueou a edição do verbete referente ao HD-DVD. Isso já aconteceu antes quando um tema fica polêmico demais e todos começam a se guiar pela emoção. Até já criaram uma música cuja letra é exatamente o código proibido. Chama-se Oh Nine, Eff Nine e está no YouTube, veja aqui.
O famoso hacker DVD Jon foi o responsável pela quebra do código do DVD há alguns anos. Se não me engano acabou preso por isso, mas ficou famoso. Seu código logo virou camiseta e não duvido nada que daqui a alguns dias já tenha gente fazendo camiseta com 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0. Aquela outra seqüência numérica famosa, 4 8 15 16 23 42, perdeu a vaga dos números mais cools do mundo geek. Por enquanto…
Leia mais:
Na blogosfera brasileira:
- o bullying das massas, via Caveat Emptor
- Esqueça 4, 8, 15, 16, 23, e 42, via Cris Dias
- Digg sofre ataque. Liberdade ou intolerância?, via Tecnocracia
- 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0, via Eu podia ta matando
- E o Digg vai para o espaço junto com o DRM, via Blogoscopio
- Digg aprendeu o poder da comunidade, via Prática
- 09-f9-11-02-9d-74-e3-5b-d8-41-56-c5-63, via 1001 Gatos de Schrödinger
1 maio 2007
por Alexandre Fugita
Pouco mais de duas semanas após a aquisição da DoubleClick pela Google, a Yahoo! mostra suas garras e anuncia a compra dos 80% da RightMedia que ainda não era dona. A RightMedia é uma empresa de publicidade on-line e vem a se juntar ao projeto Panama, sistema de anúncios da Yahoo! em andamento há pouco tempo. A aquisição faz sentido já que a RightMedia atua na mesma área da DoubleClick. O curioso é que a publicidade on-line parece cansada da cauda longa (links patrocinados) e voltando para um modelo de negócios dito do século passado (banners). Vai entender…
Yahoo!: novo CEO?
A Yahoo! tem decepcionado os investidores nos últimos tempos. Tanto que alguns especulam que está na hora de trocar de CEO. Na divulgação dos resultados do último trimestre ficou 11% abaixo do que os analistas previam enquanto a Google e a Microsoft supreenderam com crescimento acima do esperado. Apesar da crise, um dos comentários no post em que Terry Semel anuncia a compra da RighMedia, um provável funcionário da empresa diz confiar totalmente em sua liderança e pede para ficar pelo menos mais 5 anos.
O projeto Panama levou muito tempo para entrar efetivamente no ar. A Yahoo! está em crise já faz um tempo e esse projeto seria a salvação para sua receita que não cresce. Além disso, o fortalecimento do Google na publicidade on-line tem sido uma pedra no sapato do, outrora, mecanismo de busca dominante.
Microsoft
As más línguas dizem que a Microsoft não perdeu o leilão pela DoubleClick e sim foi preterida em favor do Google. Todo dinheiro de Redmond não foi suficiente para vencer o pessoal de Montain View. Agora é esperar que a Microsoft faça algum movimento dentro do mercado de publicidade on-line, ramo no qual tem apresentado resultados pífios frente às rivais. Esse assunto está ficando cada vez mais interessante!
27 abril 2007
por Alexandre Fugita
[atualizado em 10/05/2007] Fui convidado esta semana para bater um papo com a equipe do Fiz, aquele canal de TV que a Editora Abril vai lançar em breve. O Fiz é uma tentativa de junção da velha mídia (TV) com a internet. Haverá um site nos moldes do YouTube, uma rede social de vídeos e os melhores vídeos poderão ser promovidos para passarem na TV. No primeiro texto que escrevi sobre eles, fiz uma crítica dizendo que a tentativa desta mistura pode resultar em algo que não dará certo. Após conversar com o Marcelo Botta (Gerente de Conteúdo) e a Patrícia Viera (Produtora), pessoas antenadíssimas com as tendências da tecnologia web, e principais responsáveis pelo “programação” do canal, tenho que fazer uma revisão daquela opinião.
Teaser
Essa informação é exclusiva do Techbits. O Fiz TV já tem um site e nele encontramos um teaser com 7 vídeos diferentes (imagem abaixo é de um dos teasers) e uma surpresa para quem possui web cam. Por enquanto é possível apenas se inscrever para receber informações em primeira mão do Fiz. Dentro de alguns dias será Já é possível fazer uploads de vídeos de até 50 MB que serão guardados para a estréia do site e canal. Assim que essa funcionalidade ficar disponível faço uma atualização neste post.
A equipe do Fiz já está em contato com universidades, bandas e produtores independentes para instigá-los a publicar material próprio no site. Quando estrearem já contarão com uma base interessante de conteúdo.
![[Fiz TV teaser: Playmobil] [Fiz TV teaser: Playmobil]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/fiz_tv_playmobil.jpg)
Canais
O Fiz TV terá vários “canais”, cada um voltado para um público de nicho diferente. Inicialmente serão Fiz.em casa, Fiz.doc, Fiz.anima, Fiz.curta, Fiz.humor e Fiz.clipe. Cada um desses canais terá um espaço na grade de programação da TV, passando os melhores vídeos seqüencialmente, sejam eles de 30 segundos ou 5 minutos. Por exemplo, no Fiz.humor pode haver 15 vídeos interessantes para passarem na TV, com tempos de duração variável. Já no Fiz.doc, um documentário pode ter quase uma hora, e se for de interesse do público, ganhará seu espaço na telinha.
O problema da grade de programação fixa será resolvido com reprises em horários e dias diferentes e também com a possível escolha pela audiência de qual horário é melhor para cada programa. Isso é uma solução intermediária já que o ideal seria escolhermos nossos próprios horários para assistir ao que quisermos. Nada impede, claro, de extrapolarmos essas limitações no site do Fiz, escolhendo nossa própria programação.
Datas
O teaser já está no ar, o recebimento de vídeos deve começar em breve, o site passará a funcionar efetivamente a partir de 1o. de junho e o canal estréia na TVA em 30 de julho.
Idéias, idéias
As idéias da equipe do Fiz não param. Há muita coisa interessante que discutimos na reunião. Vi uma apresentação com os moldes do Fiz, algumas vinhetas do canal e uma idéia geral de como funcionará o serviço. Na verdade o Fiz acaba agregando conceitos da web 2.0, cauda longa, crowdsourcing, rede social, social media, entre outros. Essa mistura deve resultar em um serviço interessante. Pelo menos na web.
O grande problema que ainda vejo é a distribuição na telinha da TV. Não há como evitar as restrições impostas pela escassez de espaço disponível. 24h de TV podem não ser suficientes para alocar toda a quantidade de conteúdo que o serviço pretende atingir. E também limitar pela grade da programação fixa soa século XX, coisas da mídia antiga. Como disse antes sempre existe a opção de esquecer o canal da TV e ficar só com o site da internet. Mas que sair na TV chama atenção, chama.
Leia também:
23 abril 2007
por Alexandre Fugita
Todos sabem que o Google tudo sabe. Onde você faz suas buscas? Google. Onde você lê seu email? Gmail. Onde você se relaciona virtualmente com as pessoas? Orkut. Qual o leitor de RSS dominante? Google Reader. Qual sistema de anúncios que retira o contexto de um texto para atingir melhor o alvo? Adwords/ Adsense… Tudo que o Google faz o tempo todo é analisar o comportamento on-line das pessoas e transformar isso em estatísticas ou melhorias em seus algoritmos. Na semana passada a gigante de Montain View anunciou o Web History, mais um desses serviços que junta dados sobre pessoas. Já se foi o tempo em que você sabia mais sobre você mesmo do que o próprio Google.
Web History
Até então já existia seu histórico de pesquisas na web, por meio do qual, acabo de descobrir que neste ano de 2007 só não pesquisei uma palavra no Google em 17 dos 113 dias decorridos até hoje. Mas agora isso foi englobado pelo Web History, que grava todas as URLs visitadas, com data, hora, número de visualizações… Claro, você é que opta por instalar o software que permite isso. E também opta por deixar a funcionalidade ativa. Eu que sempre apaguei os cookies do browser, jamais deixei rastros dos sites que visitei, dá um nó no cérebro pensar que acabo de ativar tal serviço no Google para testes. E pretendo mantê-lo, explico no final do post o porquê.
Base de dados das Intenções
Quem leu o ótimo livro A Busca, do John Battelle, sabe do que estou falando. O primeiro capítulo é dedicado à base de dados das intenções. É assim que Battelle define a gigante de Montain View. O autor percebeu isso ao analisar o Google Zeitgeist e segundo o livro, a base de dados das intenções…
“(…) é constituída simplesmente pelos resultados agregados de todas as buscas já feitas, todas as listas de resultados já oferecidas e todos os caminhos tomados em conseqüência delas. (…) Em conjunto estas informações representam a história em tempo real da cultura pós-Web – uma enorme base de dados de desejos, necessidades, vontades e preferências que podem ser descobertas, citadas, arquivadas, seguidas e exploradas para todos os fins.”
Ou seja, aquela caixinha de busca do Google sabe o que você quer, sabe o que você clicou, sabe o que você leu. Genial e ao mesmo tempo assustador…
Privacidade
O que o Google faz ao armazenar tanta informação sobre nós? Tem alguém lá lendo tudo que pesquisamos na web ou nossos emails? Creio que não. O Google manipula os dados eletronicamente. Não há pessoas envolvidas e sim máquinas traçando tendências, tipos de comportamento, essas coisas. Se as informações não são usadas por um ser humano, não configura invasão de privacidade.
É isso que me deixa tranqüilo em usar uma funcionalidade que grava tudo que visito no Firefox. Prefiro deixar assim, protegido por senha, ou seja, só eu tenho acesso, do que deixar histórico no navegador, que outras pessoas podem ter acesso.
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