Naspers quer dominar a web no Brasil

por Alexandre Fugita

buscapeClaro, estou exagerando. Mas quem acompanhou as notícias de ontem sabe que a sul africana Naspers comprou 91% do grupo Buscapé por US$ 342 milhões. É uma quantia significativa por um negócio web brasileiro e mostra o quanto a Naspers/ MIH está interessada no mercado tupiniquim. A MIH é o braço digital e tem participações em outras empresas do círculo web brasuca como a WebCo e na Compera nTime, além da Abril Digital. Neste texto uma breve descrição dos interesses da Naspers no Brasil.

Buscapé

O Buscapé é o maior player do mercado nacional de comparação de preços. O site tem uma história daquelas das startups de garagem. Tudo começou com um servidor na casa de um dos fundadores e tornou-se um gigante do e-commerce brasileiro. A compra da participação pelo grupo sul africano é seu pontapé no mercado de comércio eletrônico brasileiro.

WebCo

A WebCo – o site deles está fora do ar – cuida de aplicativos sociais e web como o Blogblogs e o Brasigo. Com bastante dinheiro para investir a WebCo tinha um grande e impressionante escritório na Chácara Santo Antônio (bairro de SP) mas agora está no prédio da Editora Abril.

O Manoel Lemos, fundador do Blogblogs e hoje CTO da Abril Digital, criou o Blogblogs para aprender Ruby on Rails e conta que o primeiro robô que soltou para procurar blogs achou 40 mil deles enquanto ele tinha ido ao cinema.

O Brasigo existe faz cerca de um ano e é uma rede social de perguntas e respostas e concorre com pesos pesados como o Yahoo! Respostas, tradicional e bastante forte no Brasil.

Compera nTime

A Compera nTime produz aplicativos sociais e móveis como por exemplo o Diário Celular, um mix de Twitter com SMS que “roda” dentro do Orkut. Tem parcerias com operadoras de celular brasileiras para alguns aplicativos usados em suas redes que vão de quiz (perguntas e respostas) até softwares relacionados à música e ringtones. A Naspers detém 49% da Compera há cerca de um ano.

Abril Digital

A Naspers possui exatos 30% da Editora Abril. Provavelmente não detém mais pois a lei proíbe participação maior do que isso de capital estrangeiro em grupos de mídia. O provável interesse da Naspers na Abril é a área digital e não a impressa. Tanto isso é verdade que a Abril Digital é dona da WebCo e seu fundador é também CTO da Abril Digital como já havia citado.

Um aplicativo que surgiu dessa união é o PinFotos (já escrevi sobre ele aqui), uma espécie de Flickr, ou seja, novamente concorrendo com um produto Yahoo!.

Um possível resultado dessa parceria é a Naspers conseguir fazer o negócio digital da Abril começar a dar dinheiro para substituir o meio impresso como geradora de receitas.

Oportunidades

É sempre interessante ver grupos estrangeiros interessados no Brasil principalmente no mercado de internet. Aqui o mercado de startups web é crescente – eu sei, o Buscapé não é uma startup, vamos dizer assim – mas ainda está longe do que acontece nos EUA, por exemplo. A visibilidade que a Naspers deve dar ao Brasil com mais essa aquisição pode ajudar a desenvolver o mercado nacional de startups web. Que o Brasil tenha seu próprio vale do silício!

A questão da nuvem e o Gmail

por Alexandre Fugita

gmail-logoEstá virando rotina o Gmail sair do ar e o mundo todo questionar se o serviço é confiável para manter todos os seus e-mails e várias informações importantes em servidores na internet. Principalmente empresas que são o foco do Google Apps e que ao verem notícias deste tipo ficam com um pé atrás em confiar na nuvem.

O interessante a notar é que essas preocupações são na maioria das vezes exageradas. Sim, o Gmail já chegou a ficar mais de 2 horas fora do ar no início deste mês – na verdade foi só a interface web – mas quantas horas o sistema corporativo de e-mails da sua empresa ficou indisponível no último ano? Certamente muito mais do que isso.

O que acontece é que a percepção dos problemas no Gmail são amplificadas pelo fato de o tempo todo em todos os lugares do mundo alguém estar usando a interface web do serviço. Somos 150 milhões, e se o Gmail cai um monte de gente percebe em segundos.

A maioria dos sistemas corporativos não tem tantos olhos atentos assim. Cem, duzentas pessoas. Mil, talvez 5 mil. E se o e-mail dessas pessoas fica inoperante não vira manchete nos portais e blogs. Ou seja, sistemas corporativos de e-mail podem ser bem mais instáveis que um Gmail, por exemplo, mas os departamentos de TI continuam morrendo de medo dessa história de nuvem.

Além disso a maioria dos ambientes corporativos usa algum tipo de cliente de e-mail, em geral o Outlook da Microsoft. E pelo que notei em praticamente todas as quedas recentes do Gmail o problema sempre foi na interface web e não que usa pop, imap ou exchange no seu cliente de e-mail favorito.

E esse problema do Gmail me fez lembrar uma conversa que tive com amigos no final de semana. Um deles resolveu que vai começar a usar mais a nuvem para armazenar informações. O motivo foi a recente necessidade de mandar o notebook para a assistência técnica e a preocupação com anos de dados acumulados em seu HD aos olhos de estranhos. Já o outro ainda se diz cético em relação a manter seus dados em um servidor pela internets.

Claro, cada um faz do jeito que achar melhor. Eu já percebi que desde passei a usar o Gmail em Julho de 2004 – nossa, tanto tempo assim? – nunca mais precisei me preocupar com backups de mensagens ou e-mails perdidos. Enquanto isso milhares de HDs de computadores pessoais e notebooks pifaram e pessoas ficaram a ver navios. Pra que usar a nuvem se eu posso me divertir perdendo informações (fotos, emails, música) e fazendo backups?

Leitura recomendada:

Sinais de que Google = Skynet

por Alexandre Fugita

A mais recente compra do Google é o reCaptcha. O que parece ser uma simples compra de um serviço interessante indica uma tendência que a gigante de Montain View tem de querer fazer as máquinas entenderem o mundo. E é bem diferente da forma como o Wolfram Alpha vem fazendo. Seria tudo isso um protótipo da Skynet? Acompanhe os sinais desse enigma.

ReCaptcha: leitura

O ReCaptcha é um serviço que se utiliza do captcha – aquelas letras tortas ou embaçadas que só um humano consegue entender – para ajudar no reconhecimento de palavras escaneadas de livros antigos e irreconhecíveis por softwares de OCR (reconhecimento ótico de caracteres).

É bastante simples e toda vez que é acionado mostra duas palavras “tortas”. Uma delas o ReCaptcha sabe qual é e a outra o serviço quer reconhecer. Se você acertar a palavra que eles sabem qual é, possivelmente a palavra não identificada também está correta. Joga-se isso algumas vezes para seres humanos e respostas idênticas indicam mais uma palavra reconhecida.

É o bom e velho crowdsourcing. Ou seja, com ajuda de humanos o ReCaptcha permite às máquinas identificarem palavras borradas de livros velhos.

Google Voice Search: fonemas

A busca por voz que existe no Android e no iPhone, nada mais é do que, além de uma coisa legal para mostrar para os amigos, uma forma de capturar fonemas dos mais variados sotaques, entonações, emoções. Cada busca que alguém faz neste aplicativo móvel ajuda de alguma forma aos computadores do Google a melhorar o reconhecimento da voz humana.

Um sinal de que esse reconhecimento de voz está muito bom foi o fato do Google, no ano passado, ter transcrito discursos dos candidatos à presidência dos EUA no Youtube. Ou seja, computadores entendendo todos os sotaques e trejeitos da nossa fala.

Google Translate: poliglota

O tradutor do Google utiliza de um algoritmo matemático poderoso que analisa as palavras em conjunto e tenta mostrar a melhor tradução possível. Claro que comete erros banais mas não deixa de ser interessante que cada vez mais novas línguas são adicionadas. Surgiu até um serviço que tenta achar o equilíbrio em uma tradução do Google, do inglês para o japonês e vice-versa. O sistema usa o Google Translator para traduzir uma frase digitada pelo usuário de uma língua para a outra e vice-versa até achar o equilíbrio.

Mas o que isso tem a ver com a Skynet? Bom, a gigante de Montain View está construindo uma máquina que fala qualquer língua e já implementou no novíssimo Wave permitindo conversas instantâneas entre pessoas que falam idiomas diferentes. Imagina isso junto com o reconhecimento de voz…

Primeiro de Abril?

Como de costume o Google fez as suas brincadeiras de primeiro de Abril. E uma delas foi o CADIE, uma máquina que tomou consciência de sua existência e novídeo que divulga isso dá um toque de Exterminador do Futuro (Skynet), junto com 2001: Uma Odisséia no Espaço (HAL) e resolve assumir a direção da empresa, no caso o Google… Claro que é uma piada mas não seria algum projeto dos 20% que quase escapou do controle? :-)

Marissa Mayer

A super executiva do Google Marissa Mayer em uma entrevista com o fundador do Digg foi perguntada se o Google é a Skynet (sim, link para o vídeo). A resposta foi não, óbvio, as máquinas não deixaram, mas o que ela disse em seguida é interessante. Marissa diz que o Google acredita em fazer os computadores ficarem mais espertos, no sentido de entender o mundo ao nosso redor. Isso dá um basta na questão… por enquanto!

Web 101 na Teia

por Alexandre Fugita

encontros-na-teiaEm junho fui à Teia MG para participar de um dos Encontros na Teia, projeto interessante desenvolvido pelo pessoal do Peabirus e que entrevista ou faz um bate-papo com hubs da web. Já passaram por lá pessoas como o Gil Giardelli, da Permission, Edney Souza, do Interney Blogs ou ainda o Marcelo Tas, do CQC.

O formato da minha participação foi uma apresentação sobre conceitos básicos de web. Essa parte acho importante para todos que trabalham ou pretendem trabalhar neste mercado. E é por isso que estou republicando os vídeos aqui, três meses após a transmissão, pois é como se fosse uma recapitulação de vários posts deste blog. Falo de colaboração, crowdsourcing, cauda longa, economia da atenção, sabedoria das multidões, etc.

Em seguida respondi a perguntas enviadas pelos internautas que, ou acompanharam ao vivo ou haviam enviado questionamentos para votação antes. Se tiver um tempinho e não viu isso antes quando publiquei no Startupi, dê uma olhada. O tempo total deve ser cerca de oitenta minutos, a parte dos conceitos web fica na primeira metade. Os vídeos estão após a quebra de página ou na página do blog do Encontros na Teia. Aliás, no post deles tem uma historinha curiosa que aconteceu comigo e que envolveu café, uma Ferrari e Twitter e quem conta é a entrevistadora Juliana Lima!
(Leia o restante aqui…)

O valor da informação

por Alexandre Fugita

Se hoje a informação é de graça...Faz uns três anos que parei de ler diariamente jornal, daqueles impressos. Isso não quer dizer de forma alguma que fiquei sem me informar. Naquela época comecei a notar que a maioria das notícias do jornal acabava lendo no dia anterior na interwebs e que não fazia mais sentido acompanhar o mundo com um dia de atraso. Hoje enxergo três tipos de informação que consumo: as em tempo real, as opiniões e as notícias. E cada uma tem o seu valor. Neste post vou tentar explicar como enxergo esse valor e o impacto que a internet tem em cada uma delas.

Notícias

Um jornal impresso é repleto de notícias. Tem outras coisas mas o seu principal material são as notícias. Do dia anterior… quando não tem dois dias de atraso como é o caso do volumoso jornal de domingo. O grande problema é que com a internet a notícia simplesmente virou commodity. E é isso que tem incomodado os grandes grupos de imprensa do mundo.

Quando abrimos o Google News, por exemplo, vemos lá que o Steve Jobs voltou a apresentar um keynote (imagem abaixo). Ok, notícia interessante, mas onde ler? O Google News dá algumas opções principais e coloca no final um link para mais 171 artigos semelhantes. Praticamente todos eles devem falar quase a mesma coisa: Steve Jobs apareceu, Apple lançou iPod nano que permite filmar e atualizou o sistema do iPhone para versão 3.1. Tanto faz se você ler no G1, no Estadão, no Terra, no… pois é… em qualquer lugar.

Google News e seus 1758695 links

Como disse a notícia por si só é commodity, tanto faz o lugar que você a está lendo. E isso se for na internet. Imagina esperar para ler só no dia seguinte que é o que um jornal faz. Realmente não dá certo e é esse um dos motivos de eu achar o jornal impresso algo ultrapassado.

Antes que alguém reclame nos comentários, não estou dizendo que a mídia tradicional morreu e sim que o formato jornal impresso não é o mais apropriado para esse tipo de informação.

Tempo real

Um dos grandes benefícios que o Twitter trouxe certamente é a distribuição de informação rapidamente e muitas vezes em tempo real. Um outro é a possibilidade de controlar a taxa de sinal e ruído. O fato do tempo real estar na essência do Twitter torna esse tipo de informação muito valiosa.

Em geral os acontecimentos em tempo real também são notícias. Tanto é que alguns canais como blogs se utilizam do recurso de live-blogging para narrar acontecimentos como as apresentações do Steve Jobs. Aqui no Brasil o Henrique Martin do Zumo estava em São Francisco fazendo a cobertura. E o tradicional Engadget é quase sempre meu ponto de apoio quando quero acompanhar grandes lançamentos e eventos em tempo real.

Muitos tuiteiros brasileiros quando vão a eventos como um recente, o Digital Age 2.0 ou ainda o Blogcamp RJ, inundam seus streamings públicos do Twitter com atualizações de quase cada palavra de um palestrante, além de outros detalhes.

O Read Write Web já fez vários artigos dizendo que o real time é o “the next big thing”. Até o Google começou a se preocupar com isso pois seu mecanismo de busca sempre foi ótimo para coisas que aconteceram mas muito ruim para coisas que estão acontecendo naquele momento. E melhoraram o algoritmo de busca para absorver melhor o tempo real.

O grande diferencial da notícia ser dada em tempo real é que não deu tempo ainda de ela virar commodity. Mas meia hora depois 3517 links no Google News irão aparecer e daí concorrer a um lugar ao Sol. Mas é sempre bom saber que no Twitter sempre vai ter alguém em todos os lugares, até mesmo quando um avião cai por acidente em um rio em Nova York.

Opinião

Certa vez conversando com o Eric Messa, professor da Faap e interneteiro, chegamos ao entendimento que para um blogueiro é melhor ser mais parecido com um colunista do que um repórter atrás de notícias. Isso por que como já foi discutido neste post a notícia é commodity, e o grande diferencial que alguém pode tratar uma notícia é se divulgá-la em tempo real ou antes de todo mundo. E blogs não tem estrutura para isso. Ou pelo menos a maioria não.

Então o que resta ao intrépido blogueiro? Opinião. Tá certo que o Andrew Keen já disse que qualquer opinião não quer dizer nada e só posso concordar com ele. Mas uma opinião bem fundamentada, daquelas de dissertação da aula de redação do colégio sempre são bem vindas. E é esse o nicho que recomendo aos blogueiros, a parte mais difícil, reservada aos colunistas, que é a opinião.

Claro, um blog não precisa ser só opinião. É interessante a forma como o Tecnoblog tratou a sua reestruturação de conteúdo, algo que já pensei em fazer no Techbits (ei, Mobilon, posso copiar a ideia?). Lá existe a home com colunistas e em outra área do blog as notícias sendo alimentadas. Faz todo o sentido para atingir uma grande público.

Acho que faltou citar aqui neste post coisas como revistas – boas para reportagens e análises aprofundadas – e também notícias locais, um nicho interessante a ser explorado, bem como a personalização das notícias. Mas o texto já está grande demais para discutir mais coisas.

E pra finalizar, o grande valor da opinião é que ela não vai virar commodity e também não é efêmera quanto a informação em tempo real. E em um mundo de Google News e Twitter essa é a forma que diferencia qualquer um da multidão.

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