Desabafo de um blogueiro
Olá a todos! Eu sei que faz muito tempo que não escrevo nada aqui no Techbits. Toda vez que encontro leitores, tuiteiros, blogueiros, amigos e até minha família, sou cobrado dos motivos de não mais escrever aqui. Bom, posso dizer que o Techbits é muito importante para mim e que pretendo continuar o trabalho sério que mantive neste espaço nos anos anteriores. O blog estava morto e este é o post que o trará de volta. Mas antes preciso desabafar.
Startupi
No ano passado, mais ou menos nesta mesma época, um pouquinho depois talvez, recebi uma proposta para ser editor de um blog sobre startups web brasileiras. Achei a ideia ótima e depois de muitas conversas resolvi aceitar o desafio. Na época trabalhava na Polvora!, agência de mídias sociais do poderoso chefão da internet Edney Souza e do grande Mario Soma.
Não sei se todo mundo sabe mas o blog que estou falando é o Startupi. Antes de aceitar criar o Startupi muitas coisas pesaram na minha avaliação. Consultei amigos e amigas sobre o que deveria fazer. Uma das coisas que me falaram foi “você tem capacidade de criar esse blog sozinho, não? Será que você precisa mesmo de sócios?”. Deveria ter escutado essa pessoa e vou explicar os motivos ainda neste texto.
Bom, para quem acompanhou o meu trabalho como blogueiro sabe que meu assunto principal sempre foi web, internet e coisas relacionadas. Adoro o assunto e leio muito sobre tudo isso. Para vocês terem uma ideia eu já votei em mais de 10 mil itens no Digg e já mandei mais de 3 mil links para o delicious. Isso significa que eu devo ter clicado em pelo menos três vezes mais links do que isso no Digg, ou seja já abri mais de 30 mil textos selecionados no Digg e devo ter passado o olho em mais de 100 mil itens neste mesmo serviço. Fora o RSS, os links do Twitter e outros filtros. Ou seja, muita leitura e uma pegada de carbono gigantesca.
O Startupi – eu que criei este nome – foi apenas uma consequência de todo esse conhecimento e interesse acumulado. Antes mesmo de abrir o blog já conhecia muitos empreendedores web brasileiros, conhecia a história de suas ideias e como tudo se desenrolou. Nada mais natural do que ser editor do Startupi.
Objetivos atingidos?
As coisas estavam indo bem até onde eu sei. O blog estava com cerca de 7 meses quando escrevi lá meu último post. Nesses 7 meses várias coisas apontavam para o sucesso do blog.
Primeiramente os leitores. Não poderia querer leitores mais bem qualificados. Estavam lá, lendo, muitas pessoas ligadas a startups no Brasil, empreendedores, interessados, ou seja, todo o ecossistema, ou como se diz por aí no mundo corporativo, todos os stakeholders. Para se ter uma ideia da qualidade dos leitores do Startupi, o presidente do Mercado Livre Stelleo Tolda era leitor e frequentemente comentava nos posts que achava mais interessantes.
Além disso, pelo que sei conversando com empreendedores, alguns negócios foram gerados após posts do blog. O migre.me, por exemplo, ficou sabendo do Microsoft SOL através do Startupi, candidatou-se e conseguiu apoio da gigante de Redmond. Esse é apenas um dos exemplos que fiquei sabendo de negócios que o blog proporcionou.
Para comprovar o bom andamento do blog outras coisas aconteceram. Fui convidado para ser juiz de uma competição de startups da Unifacs em Salvador, BA. Estive lá com tudo pago pelos patrocinadores do evento. Também participei como juiz de uma das etapas da apuração do Desafio Brasil 2009, competição da FGV – escola da qual fui aluno, que está em andamento.
Como parte da repercussão do blog, o Startupi foi citado em algumas matérias da grande mídia como o Estadão, a Folha, a revista Isto É, além do Venture Beat um blog americano especializado em empreendedorismo. Claro, também já foi citado por muitos blog brasileiros o que demonstra que o trabalho estava sendo bem feito.
Um último item que mostra o sucesso que o blog tinha atingido foi o fato de eu ter sido convidado pelo Bob Wollheim para escrever uma coluna do Startupi na ResultsON. Mas infelizmente acabei quebrando a mão nessa parceria pelos motivos que descreverei a seguir. O que seria uma grande honra precisa agora de muitas desculpas ao Bob e equipe.
O fim
Um belo dia – que na verdade tornou-se um péssimo dia – em uma reunião com o “staff” do Startupi fui avisado de que o blog não tinha mais um único centavo para investir. Bom, um dos motivos de eu ter pedido demissão do meu antigo emprego na Polvora! foi ter apostado e arriscado meu pescoço para criar um blog que teria um investidor por trás. Isso daria uma segurança financeira para mim enquanto fazia o blog atingir seus objetivos.
Não havia mais dinheiro para pagar o meu “fee” mensal, mas eu deveria continuar escrevendo no Startupi. Ok, eu era sócio do blog, deveria prever ficar um tempo sem rendimento, mas como todas as pessoas do mundo tenho que pagar o leitinho das crianças. Se fosse pra ficar sem receber nada por que diabos eu criaria um blog com sócios? E esse foi o meu aprendizado. Se você sabe fazer uma coisa muito bem – e entre outras coisas eu sei blogar – faça você mesmo para você. Foi assim com o Techbits, deveria ter ouvido aquele conselho de criar uma área de startups sozinho aqui.
Low profile
Essa história me deixou de certa forma revoltado com a internets, tanto que resolvi ficar um bom tempo em “low profile” na grande rede. Deixei de ler meus e-mails, de acompanhar o tuíter, acabei quebrando a mão com um grande fabricante de eletrônicos e sua respectiva agência em um trabalho que seria bastante interessante.
Pessoas ficaram preocupadas, me mandaram e-mails, directs, sms e até tentaram me ligar. Ignorei a todos pois estava em uma fase de repensar a minha vida on line. Parei de ir a eventos ligados à tecnologia, parei de aparecer nos #nobs e outras coisas mais. Espero que ninguém tenha levado isso para o lado pessoal mas estava desestressando dos caminhos que segui e que se mostraram errados.
Nas últimas duas semanas conversei com algumas pessoas. Resolvi que já era tempo de sair do low profile. Agradeço a todas essas pessoas – elas sabem quem são – por terem me ouvido. Deixei de ser um holograma para voltar ao mundo dos bits.
Whuffies
Lembro até hoje da apresentação que o Cris Dias fez no Intercon 2008 sobre um tal de whuffie. O termo, cunhado pelo Cory Doctorow do Boing Boing, finalmente explicava aquilo que todos nós tentávamos entender mas não conseguíamos traduzir em palavras. Nas mídias sociais o que importa são os whuffies, simples assim. O termo quer dizer capital social, nada a ver com o conceito contábil e sim o quanto de influência uma pessoa tem dentro das mídias sociais. Achei fantástico.
O Techbits me trouxe muitos whuffies. E isso se traduziu em muitas coisas boas nos últimos três anos. Mas como em um elemento radioativo a quantidade de whuffies decai com o tempo. E como disse no início deste parágrafo, foi o Techbits que me trouxe boa parte dos whuffies. Então preciso continuar o trabalho aqui para preservar e aumentar essa milhagem em capital social. E essa é minha promessa depois deste post. O Techbits está de volta! Ou você acha que eu iria me expor deste jeito pra não continuar mais?
Pra finalizar, desejo ao Startupi toda a sorte pois se não vão ter competição do Techcrunch verdadeiro, talvez tenham aqui do Techbits. Ainda bem que os whuffies são pessoais e intransferíveis.
(*) foto deste post é da matéria da Revista Época Negócios da qual fui personagem.

Na madrugada de 11 de Novembro de 2008, ao redor das 3h50 (hora de Brasília, ou 5h50 GMT), alguém mandou a bilionésima mensagem do Twitter desde sua abertura. Eu como bom geek, fiquei acordado até o momento da virada para ver se conseguia mandar a histórica mensagem. Não consegui, minha twittada foi de número
Essa semana o tal do G1, da HTC, o primeiro smartphone rodando Android finalmente foi lançado. Esse produto não carrega o mesmo grau de hype que o iPhone teve quando chegou às lojas com 
