7 setembro 2006
por Alexandre Fugita
O filme Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane) estréia hoje em todo o Brasil. Serpentes atacando os passageiros de um avião… De novo, o que isso tem a ver com tecnologia? O filme é digital? Tem efeitos especiais? Mostra muitos gadgets? (aparece um Treo no meio do filme). Pode até ser que sim, mas o motivo principal é que mesmo antes de ser lançado o filme já era um enorme sucesso na internet.
Marketing viral
Há meses ouço falar deste filme, tanto em blogs quanto em podcasts. E estreou somente há 3 semanas nos EUA. Fora a Bruxa de Blair não conheço outro filme que tenha gerado tamanha agitação na internet. Espontaneamente surgiram paródias, concursos, vídeos e tudo isso se espalhou rapidamente, com uma base de fãs crescendo sem terem visto o filme. A produtora New Line Cinema até modificou o roteiro com base no feedback dos internautas. É a multidão agindo na criação do marketing viral do filme.
Sinopse
O Serpentes a Bordo é um filme trash de ação. Basicamente um criminoso tenta derrubar um avião soltando serpentes em pleno vôo sobre o oceano Pacífico. Para os curiosos, vale a pena conferir a lista de cobras que participam do filme.
5 setembro 2006
por Alexandre Fugita
A tão esperada guerra entre formatos de discos de alta definição não empolga. Primeiro pois foi um grande erro não entrarem em acordo sobre um único padrão. Já vimos essa história antes. Em segundo lugar aparentemente a qualidade dos novos discos não é tão superior assim em relação aos atuais DVDs. Por fim, com o advento da banda larga
e da possibilidade de distribuição de conteúdo digital pela internet, quem se importa?
Bit torrent
Filmes, seriados, tudo mais são distribuídos pela internet via bit torrent. Na maior parte isso é ilegal e a indústria do entretenimento combate fortemente via RIAA (a associação desta indústria). Mas o problema não está aí e sim no modelo de negócios adotada pelos grandes estúdios: distribuição lenta, restrições tipo DRM, mídia física (CDs e DVDs). Creio que chegou a hora de tudo isso mudar. É quase impossível combater a distribuição ilegal de filmes via internet. Bloquear o bit torrent é questionável pois nem todo conteúdo que circula por esse protocolo é ilícito. Aumentar o poder do DRM também é questionável pois não vale a pena gastar milhões em P&D e alguém, em algum lugar do mundo, desbloquear essa nova tecnologia em questão de dias. O que a indústria precisa é de um novo modelo de negócios
.
iTunes Movie Store
Eis que surge a Apple
. Os rumores indicam uma probabilidade muito grande de que no próximo dia 12 a Apple lance uma loja de filmes no iTunes. Essa é a sacudida que a área de entretenimento precisa para acordar para o novo modelo (*). Inclusive, os rumores indicam os estúdios que já fizeram acordo de distribuição com Steve Jobs. Claro, todos são coligados à Disney (da qual Jobs faz parte do conselho): Disney, Pixar, Miramax e Touchstone. Bom, mas se os rumores não se confirmarem (as últimas apresentações da Apple foram fraquíssimas), fica aqui a “dica” para os empreendedores.
(*) vale lembrar que a iTunes já vende seriados em episódios.
O futuro segundo Bill Gates
Pois é, como disse Bill Gates recentemente, em relação a essa guerra: “Entenda que esse vai ser o último formato físico [de discos para armazenar filmes/ mídia]. Tudo será feito por streaming ou ficará em seu HD. Portanto não está claro se esses formatos são importantes.”. Concluindo: Blu-Ray vs HD-DVD, quem se importa?
2 setembro 2006
por Alexandre Fugita
[Atualizado] Esse foi o maior golpe dos adwares (software malicioso que exibe anúncios) que conheço. Uma empresa britânica acaba de lançar um navegador que deveria proteger a privacidade de seus usuários na web. Primeiro nota-se que o software em questão nem é um navegador, e sim uma camada (skin) que roda sobre o Internet Explorer, com todos os seus defeitos e problemas de segurança. Só isso já acabaria com essa história de proteger a privacidade. Mas ao usá-lo a situação piora: o Browzar é um adware disfarçado. Achei que não existia nada pior que o Internet Explorer. Mas existe.
A enganação
A licença de uso do Browzar diz que é um freeware. A página de download do software informa que não contém spyware, malware ou adware de qualquer tipo. Ok, pode ser que seja verdade. Mas ao usá-lo, percebe-se o golpe. A página inicial, que não pode ser mudada, é do mecanismo de busca do próprio Browzar. Ao fazer qualquer pesquisa os resultados, em sua maioria, são anúncios. Não há distinção entre o que é resultado normal ou propaganda. E as propagandas são da Overture, empresa do Yahoo! Search Marketing. Ou seja, é um adware disfarçado. Ninguém percebeu e o Browzar ganhou manchetes na mídia.
O software ainda aproveita do caso da AOL para se promover. Diz, em seu press-release: “…o Browzar surge após a publicação de dados pessoais pela AOL…”.
Repercussão
[incluído em 4 setembro] O fim de semana deve ter sido agitado na sede da Browzar. O seu fundador negou que o software seja um adware. A repercussão negativa foi tão forte que apenas 4 dias após seu lançamento, tiraram do ar o mecanismo de pesquisa que retornava somente anúncios. Mas um fato ainda continua: o Browzar não é um navegador e sim uma camada sobre o Internet Explorer.
Como proteger sua privacidade na web
A maioria das páginas da internet grava um cookie em seu computador. O cookie é uma forma de saber que você já passou por lá. A cada visita seus hábitos são monitorados, o que permite traçar um perfil. Quando uma página possui um campo a ser preenchido (por exemplo: página de login do seu webmail, ou do orkut), deixar o navegador completar informações automaticamente, é fatal no que diz respeito à privacidade. O ideal é apagar sempre que possível suas pegadas (cookies e informações de formulários). Veja abaixo como fazer isso (*):
No Internet Explorer
- Apagar os cookies: menu Ferramentas, Opções da Internet, aba Geral, botão Excluir Cookies;
- Apagar formulários: menu Ferramentas, Opções da Internet, aba Conteúdo, botão Auto Completar, botões Limpar Formulários e Limpar Senhas
No Firefox
- Apagar todos os rastros: pressione CONTROL + SHIFT + DEL, selecione o botão Limpar Dados Pessoais.
No Safari
- Apagar todos os rastros: menu Safari, Reset Safari, e confirme no botão Reset.
(*) Na verdade isso só apaga seus rastros no computador que usou para navegar na web. Suas pegadas continuam no provedor e em todos os serviços que entrou. Se não quer deixar migalhas por aí, não use a internet.
29 agosto 2006
por Alexandre Fugita
Uma das discussões intermináveis do mundo da tecnologia, ganhou novos contornos esta semana. O DRM sofreu um novo ataque. Não, isso não é o nome de uma banda. DRM é a sigla para Gestão de Direitos Digitais (Digital Rights Management, em inglês). Trata-se de um conjunto de tecnologias que visa proteger direitos autorais e de cópia de arquivos digitais como músicas, filmes, fotos e e-books. Foram divulgadas formas de contornar arquivos protegidos do Windows Media Player e do iTunes, dois dos tocadores de mídia mais usados atualmente.
Gravadoras vs. Consumidores
Os detentores de direitos autorais têm, como o próprio nome diz, direito sobre suas obras. Quanto a isso não há discussão. Músicas, filmes, fotos, livros, tudo isso está protegido de alguma forma por leis, mundo afora. Uma das formas de monetizar (dinheirizar, diriam os mais xenófobos alguns) tais obras é cobrando do consumidor final uma quantia pelo direito de uso. É aí que surge o problema quando tratamos de arquivos digitais. Não estou falando de preço, e nem de cópias ilegais.
Se você compra uma música na iTunes (nós brasileiros não podemos fazer isso), só poderá ouví-la em seu iPod. “E daí?”, você pergunta. Atualmente iPods são acessórios da moda, todos querem ter um. Vamos supor que daqui a alguns anos você resolva trocar seu iPod por um mp3 player de outra marca… Aí vem a lembrança: foram milhares de “dinheiros” com música legalizada na loja da Apple. O que fazer? A resposta simples é: comprar todas as músicas de novo. A resposta ruim é: ficar preso aos iPods para sempre.
O DRM e Marisa Monte
A reinvidicação dos usuários é simples: que tal se pudéssemos usar a mesma música comprada para o iPod, no Zune, no PC/ Mac (*), no CD do carro, no mp3 do celular? Isso se chama fair use, ou o uso justo. Não se trata de pirataria. É apenas o direito de usufruir da forma que bem entender por aquilo que se pagou.
Recentemente tivemos o caso da Marisa Monte que bloqueou a tranformação de seus CDs em mp3 para fair use no iPod, por exemplo. Causou polêmica, mas nem tanto quanto o caso do rootkit da gravadora Sony-BMG.
(*) na verdade dá pra usar no PC e no Mac, desde que se use o software da Apple (iTunes) e que o computador seja o mesmo que foi usado para comprar a música.
28 agosto 2006
por Alexandre Fugita
O Google acaba de lançar um pacote que concorre com soluções vendidas pela Microsoft e IBM. Trata-se do Google Apps for your Domain (aplicativos Google para seu site), que nada mais é do que algumas de suas melhores ferramentas (Gmail, Calendar, Google Talk e Page Creator) integradas para uso corporativo. Deve entrar em breve nesta lista o Writely e o Spreadsheets (editor de textos e planilhas on-line respectivamente). Dentro das organizações esses aplicativos são caminho freqüente de informações estratégicas.
O problema
A Microsoft e a IBM oferecem soluções corporativas de email, calendário e integração. A grande diferença de ambas para o Google, é que em geral a solução está implantada em servidores próprios das empresas que compraram o produto(*), ou seja, o controle delas sobre as informações é total. O e-mail, parte central da comunicação interna e externa da maioria das organizações, fica vulnerável se estiver em poder de terceiros. O mesmo vale para calendário, planilhas e documentos. Você confiaria seus dados ao Google?
Universidades
Aparentemente o Google é uma empresa confiável, e seus serviços fazem enorme sucesso entre usuários finais. Internamente o lema corporativo informal é Don’t be evil (não seja mal). O serviço lançado agora é uma extensão do que já existia antes (Gmail for your Domain, desde fevereiro) com a integração de outras ferramentas.
Segundo Dave Girouard, VP de negócios corporativos do Google, o Gmail já é utilizado por centenas de universidades para prover email aos seus alunos e colaboradores. Essa é uma forte indicação de que provavelmente não há o que temer em relação à segurança da informação. Resta ao Google Apps a difícil tarefa de convencer CIOs de que sua ferramente é confiável.
(*) a Microsoft possui uma suíte on-line de aplicativos chamada Windows Live.