20 setembro 2006
por Alexandre Fugita
Há algumas semanas muitos ficaram animados com o surgimento de um navegador da web que se dizia proteger a privacidade. A máscara caiu dias depois ao descobrirem que o Browsar era na verdade um adware. Agora surgiu um novo navegador que promete privacidade. E parece que desta vez estão corretos.
Torpak
O Torpak é uma navegador baseado no Portable Firefox (versão portátil do Firefox, que permite instalar o programa em um pen-drive). A navegação é anônima pois os dados trafegados entre você e o site que está visitando passam por uma espécie de VPN (Rede Privada Virtual) criptografada
através da rede TOR (The Onion Router). Portanto, em tese, não há como saber sua localização. Mas se você entrar no seu email, ou qualquer outra página que exija login, saberão que é você.
TOR – The Onion Router
O TOR é um sistema de colaboração que permite aos usuários navegarem anonimamente na internet. Trata-se de um projeto financiado pela Electronic Frontier Foundation (EFF), entidade que luta pelos direitos digitais na era da informação. O TOR funciona roteando o seu tráfego criptografado através de vários computadores
espalhados na internet e liberando finalmente para a web em algum ponto aleatório. Isso torna difícil saber a quem pertence aquele tráfego, aumentando dessa forma a privacidade na rede.
O Torpak facilita as coisas para o usuário. Instalar o TOR “na mão” é um pouco complicado (como já fiz há algum tempo atrás). Outro problema do sistema é a velocidade. Como os dados são criptografados e passam por vários computadores antes de cair definitivamente na internet, os gargalos ficam por conta do tipo de conexão
que os usuários disponibilizam para contribuir com o serviço. Em geral tudo fica lento, muito pior que uma conexão discada à internet.
Privacidade vs. Legalidade
Privacidade
é importante. Nem todos acham assim. Na medida que este sistema impede a localização do IP de quem está acessando sites, pode permitir o uso ilegal da ferramenta. Essa é uma questão complicada: privacidade vs. legalidade. Tanto é que recentemente a polícia alemã desligou alguns servidores do TOR (os nós por onde o tráfego finalmente sai para a internet) sob alegação de que uma investigação sobre pedofilia apontava para seus IP’s. Mas como o TOR foi concebido para manter seus usuários no anonimato, apreender tais máquinas não acabou com o problema.
18 setembro 2006
por Alexandre Fugita
Parece óbvio, mas não é. Vejo pessoas maravilhadas com o wi-fi. Dizem checar e-mails durante o almoço, fazer ligações via Skype
lá na cafeteria, milhões de coisas. Dão os créditos à mobilidade que a tecnologia proporciona. Eu também acho interessante e uso esporadicamente redes sem fio espalhadas pela cidade. Só existe um problema: o wi-fi, restrito aos hotspots, não pode ser considerado a verdadeira internet móvel.
A mobilidade fixa
Os hotspots wi-fi (802.11b e g) possuem alcance teórico máximo de 100m de raio ao redor da antena. Na prática, com as paredes e outras influências do ambiente esse raio fica bem menor: em torno de 40 m. Chamo o wi-fi de mobilidade fixa pois o seu equipamento é móvel (notebook
ou pda) mas o ponto de acesso é fixo e de tamanho limitado. Não dá pra acessar a internet via wi-fi de qualquer lugar. Você precisa se dirigir a um hotspot que , em geral, é pago e fica dentro de um estabelecimento comercial (café, restaurante, bar, universidade, hotel, aeroporto). E para “não ficar chato” você acaba consumindo algo, quase que um tipo de venda casada, afinal você já pagou por seu provedor de wi-fi (Vex ou Telefônica).
As vantagens da rede celular
Imagine dois estabelecimentos próximos que disponibilizam redes sem fio da mesma empresa, por exemplo a Vex. O sinal de um estabelecimento não é captado no interior do outro, mas na rua há um ponto em que se capta ambos os sinais. Vamos supor que você esteja no Skype
em seu pda. Está em um dos estabelecimentos e resolve ir ao outro, andando. Apesar de existir uma intersecção válida entre as duas redes, sua conexão cairá. Não existe transição suave mesmo que as redes sejam fornecidas pela mesma Vex. Será necessário logar-se novamente ao chegar ao segundo estabelecimento.
Isso não ocorre em uma rede celular. Em qualquer lugar que houver sinal contínuo, será possível passear por dezenas de antenas e sua conexão com a internet não cairá. Essas redes wi-fi ainda não possuem uma tecnologia capaz de fazer essa transição suave e transparente. A solução está nas redes sem fio do tipo mesh, que já existem mas são raras.
Outra vantagem da rede celular é a ampla disponibilidade, ou seja, uma mobilidade móvel. Não é necessário encontrar o hotspot mais próximo. Não é necessário entrar em algum estabelecimento e consumir algo. A internet está disponível até no meio da rua e em qualquer lugar que tenha rede celular compatível. O problema agora seria abrir o notebook e sentar-se na calçada… (por isso leve sempre um pda no bolso!)
Segurança
O wi-fi oferecido pela Vex e Telefônica não é criptografado (rede aberta) e por este motivo, inseguro
. Não há criptografia pois seria um complicador a mais para o usuário dos serviços. O tráfego de dados fica exposto. Qualquer um com o software correto consegue “ver” o que está passando pela rede. Pode capturar senhas, ler e-mails. Um atentado à privacidade. Por isso tome cuidado quando for usar wi-fi em redes abertas.
Já a rede celular é mais segura. “Invadir” o sinal para saber o que está trafegando exige muito mais trabalho. Mas mesmo assim todo cuidado é pouco. Sinais de rádio trafegam pelo ar. E o ar, todo mundo sabe, é livre… o sinal pode ser captado e desembaralhado.
Preço vs. Mobilidade
A decisão por qual tecnologia usar leva em conta o equilíbrio entre preço, mobilidade e necessidade. Uma rede celular para acesso à internet é cara mas ao mesmo tempo, ampla e segura. Uma rede wi-fi é mais barata e restrita a poucos lugares. A sua necessidade é que fará você escolher entre uma ou outra. Na dúvida, use um smartphone com wi-fi. Terá em mãos o melhor dos dois mundos
e viverá conectado. Ou aguarde o WiMax.
17 setembro 2006
por Alexandre Fugita
Lançado na semana passada, o tocador portátil de músicas e vídeos da Microsoft foi bem recepcionado pela multidão. Passado o encanto inicial, começaram os problemas. O Zune foi considerado inovador pois consegue enviar via wi-fi músicas para outros Zunes. Mas também inova em outra categoria: põe DRM até nas músicas e vídeos criados pelo próprio usuário.
O que está acontecendo…
Quando era apenas um rumor, a idéia de compartilhar músicas via wi-fi era ótima. Quando foi mostrado na última quinta-feira, pareceu muito legal. Após passar pela análise da multidão, tornou-se a pior característica do Zune. Se você compra uma música na loja da Microsoft, eles têm todo o direito de proteger o arquivo digital com DRM. Mas e se você mesmo compôs e gravou a música? E se você mesmo gravou aquele vídeo no fim de semana na reunião com amigos? Tudo isso ganha DRM quando transferido pelo wi-fi do Zune.
Microsoft DRM vs. Creative Commons
No MySpace muitas bandas desconhecidas divulgam música usando a licença Creative Commons. Se a banda usar a mesma licença que este blog usa para seu conteúdo, a música pode ser compartilhada e alterada, desde que o autor seja citado, o trabalho resultante use o mesmo tipo de licença e que o uso não seja comercial. Pois bem: o blog dos criadores do Zune informa que não há como saber que tipo de arquivo está sendo transferido e, portanto, tudo fica dentro do envelope do DRM da Microsoft. Mesmo uma música sob licença Creative Commons fica restrita ao prazo de três dias ou tocar três vezes (o que vier primeiro) do DRM da Microsoft.
Fizeram quase tudo certo. Menos isso. Quem disse que o Zune é um iPod killer? Está mais pra Zune killer mesmo…
Um blog sobre DRM…
De tanto escrever sobre o assunto, quase dá pra ter um blog só sobre DRM. Todo dia ia ter o que escrever. A nuvem de tags (coluna à direita nesta página) dá uma idéia da freqüência em que os assuntos são discutidos. O DRM, pelo menos no momento da publicação deste post, está entre os favoritos. A “luta” não é só minha. Uma infinidade de blogs mostra que o desejo das multidões é uma mudança nessa tecnologia e que o fair use deveria ser considerado pela indústria de filmes e músicas. Existe até um protesto, no estilo flash mob, contra o DRM marcado para o dia 3 de outubro de 2006.
Na blogosfera:
- Meio-Bit: Microsoft vs O Mundo: Zune viola Creative Commons
- Media Loper: Zune’s Big Innovation: Viral DRM
- ElasPod: podcast sobre Creative Commons
16 setembro 2006
por Marco Arribas
[Original English version here]
Por várias vezes amigos me perguntam qual processador é melhor: Sempron, Athlon, Pentium, Celeron, etc. Na verdade uma variedade de opções está disponível hoje em dia: velocidade (freqüência) do processador (CPU), cache L1 e L2, tecnologias dual core e Hyper-Threading. Isto se torna complicado já que o usuário precisa ainda escolher o tamanho da RAM e do disco rígido (HD). Sendo o trio processador, memória e HD os itens básicos para se levar em conta na hora de comprar um computador novo, irei explicá-los brevemente na tentativa de ajudar o usuário médio a se decidir e não ser enganado pelos vendedores, cuja única intenção é vender o sistema mais caro.
A memória
Primeiramente, o que chamamos de memória ou RAM (Memória de Acesso Randômico) é a memória usada quando o computador está ligado e é medida em megabytes (MB) ou gigabytes (1 GB equivale a aproximadamente 1000 MB). Se você é o tipo de usuário que roda muitos programas e não pretende fechar seu navegador para abrir o processador de textos ou escanear uma foto, precisa de mais RAM. E também, se você costuma deixar seu computador ligado por muitas horas ou não o desliga nunca (assim como eu), precisa de mais RAM1 ainda.
A razão para tamanha necessidade de memória não é que você ficará impossibilitado de rodar suas aplicações, mas o desempenho de seu sistema será prejudicado pelo fato de que o sistema operacional terá que “paginar” os dados extras. Paginação é o processo pelo qual, devido à falta de memória física, o sistema operacional escreve os dados extras no HD. O movimento da cabeça do HD para ler e escrever dados é medido em milionésimos de segundo, enquanto que no caso da RAM, isso ocorre em bilionésimos de segundo. É um milhão de vezes mais rápido! Portanto, se você está planejando comprar um computador com 256 MB de RAM, esqueça; o desempenho do seu sistema será severamente comprometido mesmo com o mais rápido processador no mercado. O mínimo para o Windows XP é 512 MB, mas eu recomendaria 768 MB. A menos que você seja um jogador fanático, ou goste de viagens virtuais com o Google Earth, 1 GB ou mais não irá melhorar necessariamente o desempenho de sua máquina.
O processador
As coisas ficam um pouco mais complicadas quando tratamos de processadores, pois há muitos deles no mercado apesar de serem produzidos por apenas dois fabricantes: Intel ou AMD. Primeiro, veja a freqüência do processador, que é medida em gigahertz (GHz – bilhões de “pulsos” por segundo). Você pode achar que quanto maior, melhor; entretanto isto nem sempre é verdadeiro. De fato você sempre precisa verificar a memória cache (especificamente o cache L2). Memória cache é um tipo muito rápido de RAM que está dentro do processador e é útil quando uma aplicação necessita que um conjunto de comandos seja repetida. Ao invés de requisitar tais comandos da RAM, lê do cache. Por exemplo, mesmo rodando na mesma velocidade, os processadores Pentium D são mais rápidos que os processadores Celeron D considerando que os Pentium possuem cache L2 de aproximadamente 1000 KB, enquanto os Celeron possuem 256 ou 512 KB. Este também é o caso de processadores de notebooks: apesar da velocidade do processador ser mais baixa para salvar energia, possuem um cache L2 maior, o que não prejudica o desempenho.
Como já mencionei, a escolha do “cérebro” dos computadores é um assunto complicado. Processadores novos são lançados a cada mês. Uma nova leva de processadores está agora no mercado: processadores de núcleo duplo (dual core) que têm a mesma estrutura de um processador de núcleo simples (velocidade, memória cache), mas possuem duas unidades (CPUs) no mesmo chip. Claro, isso não faz o computador rodar duas vezes mais rápido, mas a eficiência aumenta consideravelmente, assim como o preço. Adicionalmente há a tecnologia Hyper-Threading da Intel (não confundir com o Hyper-Transport da AMD, que trata de outro assunto) que trabalha fazendo o uso mais eficiente dos ciclos sobressalentes, processando mais de um thread (algo como uma outra parte do mesmo programa) ao mesmo tempo.
O disco rígido
Pra finalizar, a capacidade do disco rígido (HD) depende do que você quer gravar em seu computador. Recomendo um disco rígido rápido como os SATA (Serial ATA; praticamente todos os computadores de mesa usam essa tecnologia hoje em dia) e uma memória cache grande para o HD (8 MB ou 16 MB). Geralmente 60 GB é mais do que suficiente para instalar todos os softwares que você precisa, incluindo 10 GB de mp3, ou seja, aproximadamente 7 dias de músicas sem parar. Claro, 80 GB ou mais parece melhor, especialmente se você quiser ter muitos filmes no seu disco rígido e não pretende ficar navegando por eles em mídias físicas (CDs ou DVDs). E também o problema de espaço no HD pode ser contornado com a compra de um disco rígido USB externo (e mais lento) com 160 GB ou mais.
Conclusão
Espero que este artigo tenha respondido algumas questões para os usuários novatos sem ser muito técnico, mas talvez você tenha outros questionamentos. É isso. Escreva seus comentários!
1. Para saber quanta memória você possui, pressione CTRL+ALT+DEL e clique na aba “Desempenho”. Em “Memória física” você pode verificar a “Total” de memória em kilobytes (KB – 1000 KB é aproximadamente 1 MB) em seu sistema. Também nessa mesma aba verifique “Memória usada pelo núcleo”, que é a memória que está sendo usada naquele momento.
15 setembro 2006
por Alexandre Fugita
Imagine a cena: sexta-feira… depois do almoço… A essa altura ninguém mais trabalha. A agitação cresce. Todos estão pensando em como “descansarão” no exígüo fim de semana que se aproxima. Hoje em dia combinar as atividades com os amigos é tarefa do MSN. E-mail é para os dinossauros… Aí surge o problema: devido à política da sua empresa, é proibido o uso de mensageiros instantâneos no ambiente de trabalho… Mas existe solução fácil, rápida e que não necessita instalação de software.
meebo
O meebo é um mensangeiro instantâneo baseado na web que pode ser usado de qualquer computador com um browser e uma conexão à internet e não é bloqueado por firewalls. O nome é estranho mas está totalmente dentro do padrão da web 2.0 para nomes esquisitos. A vantagem é que integra vários serviços em uma única interface: MSN, ICQ, Yahoo! Messenger e Google Talk.
A questão da privacidade
Ao entrar no serviço você terá que digitar seu login e senha… do MSN… Se a palavra privacidade está no seu dicionário, dá um frio na espinha…
O meebo é uma startup que acaba de fazer o primeiro aniversário. Não houve até o momento qualquer tipo de escândalo envolvendo a privacidade dos usuários do serviço, como já ocorreu com a AOL. O meebo segue alguns princípios de privacidade que aparentam estar corretos. Você usa email? Confia no seu provedor de internet que nada do que passa pela redes dele é interceptado? Tem certeza que nunca ninguém foi “dar uma olhadinha” no seu orkut apenas por curiosidade? Falando sério, o meebo, neste caso, deve ser o menor dos problemas…
isolatr
Se você é do tipo anti-social também existe uma solução. Está na moda na web essa história de rede social, colaboração, interação entre desconhecidos… Se essa não é a sua, vá para o isolatr. Não esqueça de consultar o faq deles. É esclarecedor…
Outras alternativas