2 outubro 2007
por Alexandre Fugita
Ontem o Registro.br, órgão que faz parte das incontáveis entidades que cuidam da gestão da internet no Brasil, liberou uma lista com 78860 domínios que podem ser novamente registrados após passar um período no ostracismo, na geladeira. Há de tudo um pouco, muitos nomes que remetem a sexo, nome de tudo quanto é profissão ou tipo de negócio e domínios parecidos com sites conhecidos mas escritos de forma ligeiramente errada. Por exemplo, um dos domínios liberados é o 0rkut.com.br, com um zero no lugar da letra “o”.
O problema é alguns desses domínios tendem a nunca mais serem registrados depois que caem nesta lista do chamado processo de liberação. Tudo culpa de uma particularidade da regra que envolve o processo. Qualquer pessoa apta pode requer registro dos domínios liberados ontem. Mas se duas ou mais pessoas quiserem registrar o mesmo domínio, ninguém leva e o nome volta para a lista, aguardando um próximo processo de liberação. Seu sonho de ser dono do domínio youtubu.com.br e receber milhares de visitas por engano de quem procura pelo site de vídeos, jamais vai acontecer.
O mais estranho de tudo é como um nome vai parar nesta lista. Em algum momento alguém registrou os domínios que hoje estão presos neste beco sem saída. Passado um ano, que é o período mínimo de registro, esse alguém deixou de pagar o Registro.br para manter a propriedade.
Seria de se esperar que órgão regulador, ao notar a inadimplência, liberasse o site para outros registrarem, como acontece em qualquer país que não seja o Brasil. Mas não é esse o procedimento, o domínio fica congelado… por até 6 processos de liberação… algo que acontece umas duas ou três vezes por ano… até finalmente o Registro.br ter certeza que o antigo dono perdeu o interesse… (e todo mundo mais).
E aí esse nome cai no processo de liberação… Se for um domínio disputado pode ficar preso para sempre nesta lista. Ah, só para constar: se você quer um desses domínios da lista, faça a requisição em 50 formulários preenchidos à máquina via internet entre os dias 6 e 21 de Outubro de 2007.
Burocracia ponto com ponto bê-erre
No nosso país só existe um órgão que pode registrar domínios, não há concorrência. Fora do Brasil, várias empresas disputam esse concorrido mercado. Por conta disso um registro nos EUA, por exemplo, pode sair por cerca de dois dólares. A média é um pouco mais alta, ao redor de 7 dólares, mas mesmo assim é menos da metade que pagamos no Brasil – trinta reais.
Fora essa diferença de preços, no exterior é também menos burocrático. Ninguém precisa ter CNPJ para registrar um domínio. Não precisamos sequer morar nos EUA para fazer o registro. Basta pagar e escolher o nome. Aqui no Brasil, não. É necessário uma pessoa física e uma pessoa jurídica para registrar um simples domínio (*). E dá-lhe complicação.
(*) domínios .com.br.; pessoas físicas podem registrar .nom.br, agora mais barato, ou outras combinações… mas todo mundo quer mesmo é PONTO COM PONTO BR…
No país que mais horas usa de internet no mundo, abrir um simples site é uma via crucis. Enquanto o poder de registrar domínios continuar na mão de um monopólio estatal negócios pela internet ficam engessados. Milagreiros são aqueles que conseguem empreender em um país tão travado como este.
1 outubro 2007
por Alexandre Fugita
Talvez seja só eu, mas a nomenclatura de serviços na web está me deixando confuso. Não estou falando dos nomes esquisitos da chamada web 2.0. Estes, depois do estranhamento inicial, soam familiares. O que me preocupa é como as gigantes usam seus nomes. Tanto a Microsoft quanto a Google apresentam inconsistências. Quem perde é o consumidor. Enquanto uma peca pelos nomes longos e complicados, a outra peca por traduzir os nomes reduzindo o impacto da marca. Qual será a melhor equação?
Microsoft
Cada vez que a Microsoft cria um novo serviço, lança um nome mais comprido, principalmente em sua estratégia voltada para a internet. Há coisas que ganham o sufixo Live. Outras o nome MSN. Algumas ganham os dois como o MSN Hotmail Live. Essa confusão de nomes faz com que eu nunca entenda nada do que está acontecendo com os produtos web da gigante de Redmond. Por exemplo, a busca da Microsoft é MSN Search ou Live Search? Ou MSN Live Search?
Talvez seja falta de costume pois praticamente não uso qualquer produto online com a grife MS. Ontem lançaram um tal de Office Live Workspace. Até onde me lembro, já existia algum Live Office, mas que de online não tinha nada. Agora acrescentaram o Workspace que significa armazenamento de arquivos online, colaboração e sincronia para trabalhos em equipe, mais ou menos como fazemos no Google Apps. No press-release do lançamento citam duas linhas de serviços: Live e OnLine. Opa, OnLine? Mais um sufixo?
Google
A nomenclatura dos serviços da Google são um pouco mais simples. Docs, para textos. Spreadsheets para planilhas. Calendar para uma agenda. Reader para o RSS. Isso se você mora em um país que fala inglês. Para outros países como o Brasil os mesmos produtos ganham nomes locais traduzidos. Ok, fica simples de entender e os nacionalistas adoram. Mas a consistência da marca se perde. Quando cito o Google Docs, prefiro chamá-lo pelo nome original do que o traduzido para o português. O Calendar é Agenda no Brasil e Kalender na Alemanha.
Para a gigante de Montain View seria melhor manter um nome só para seu produto, qualquer que seja o país. Neste caso a recomendação é seguir o exemplo da Microsoft. O Word da não se chama Palavra aqui no Brasil e nem Wort na Alemanha. É só tomar o cuidado para não colocar dezenas de prefixos…
27 setembro 2007
por Alexandre Fugita
Em teoria a web semântica é fantástica, ou seja, redescrever toda a informação que já existe na web na tentativa de fazer os computadores entenderem o significado das coisas. Em poucas palavras, seria uma camada a mais na web com meta-informações sobre a informação. A busca seria beneficiada pelo uso da linguagem natural. Mas se a intenção da web semântica é fazer computadores conversarem entre si e se entenderem um com os outros, isso já está acontecendo e se chama mashup.
Como seria essa tal de web semântica…
Quando entramos em uma página web prontamente entendemos os seus elementos. Reconhecemos um texto, absorvemos as informações contidas nele, fazemos relações e depois da leitura talvez um conceito novo ou informação começe a fazer parte de nosso repertório. Se essa página for de uma loja virtual nosso cérebro é capaz de localizar o preço de um produto, sua foto, suas especificações, prazo de entrega, etc…
Já um computador, por exemplo, o robô de um mecanismo de busca, teoricamente não distingue nada disso. Para ele tudo não passa de um monte de caracteres organizados em uma certa seqüência. É aí que entra a web semântica. Através de tags é possível descrever que aqueles números são o preço, que aquele monte de letras é o nome do produto, que aquele outro conjunto de informações representam o prazo de entrega.
Ou seja, para a web semântica existir, teríamos que redescrever toda a informação da web com essas tags de microformatos. No mínimo isso parece inviável. E não é possível ser feita automaticamente por um software. Se esse software existisse na verdade não precisaríamos descrever a informação com tags, o problema já estaria resolvido.
APIs, mashups e os dados semânticos
Uma coisa que está acontecendo é a transformação da web em real plataforma. As APIs, antes escondidas nos recantos dos sistemas operacionais, agora estão livres destas amarras, acessíveis pela internet. Serviços web conseguem se comunicar entre si, trocar informações e gerar novas e excelentes aplicações. O vídeo abaixo, que circulou tempos atrás pelos blogs, explica muito bem o que quero dizer.
[youtube U9sENSA_sjI]
Veja esse vídeo direto no YouTube.
Aquela visão do Tim Bernes-Lee do software semântico que conseguiria marcar uma consulta médica e ao mesmo tempo agendar uma viagem de negócios cuidando sozinho da logística praticamente já é possível. Mas esses serviços não dependem exatamente das páginas web serem semânticas e sim da semântica que existe no formato XML (para troca de informações), algo previsto na teoria da web semântica. Isso sim faz sentido, troca de dados entre aplicações. Mas transformar páginas de conteúdo em algo inteligível por máquinas está longe de acontecer. Será mesmo?
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25 setembro 2007
por Alexandre Fugita
Já faz um tempo que estou colecionando artigos sobre o Facebook. Meu interesse surgiu em Maio deste ano quando essa rede social lançou sua plataforma de aplicativos web. O hype ao redor do Facebook que já era grande só tem crescido desde então. O serviço já foi alvo de vários rumores de aquisições e agora dizem que vale até 15 bilhões de dólares após possíveis conversas com a Microsoft. A grande vantagem do Facebook – e talvez ao mesmo tempo sua desvantagem – é que as aplicações web estão todas dentro de um mesmo site. A desvantagem ocorreria no caso de pessoas não usarem seu aplicativo por ele estar preso dentro de outro site.
Andando pelos aplicativos descobri que alguns que eu já conhecia fora do Facebook rodam também dentro da plataforma. Um exemplo é o PicNik, editor de imagens on-line bastante útil e que já foi usado várias vezes para formatar imagens a serem exibidas no Techbits. Outro é o Stumbleupon, serviço de recomendação de sites baseados em suas preferências de navegação. Não vasculhei muito mais do que isso pois a interface de busca e o método de adicionar uma aplicação ao seu Facebook são um tanto complicados, ou seja, são necessários muitos cliques para pouca ação… Talvez por isso a MS queira comprar sua participação na plataforma… De qualquer forma a Cynara do MundoTecno compilou uma lista dos melhores aplicativos do Facebook.
A grande sacada é que agora podemos desenvolver aplicativos web que terão muita visibilidade dentro da plataforma Facebook. Se for algo que realmente chame a atenção é possível até conseguir investimentos de VC para portar seu aplicativo para fora do sistema e começar uma startup. A visibilidade resolve um dos grandes problemas para a maioria dos serviços web 2.0 que surgem todos os dias: a falta de usuários. Será então o Facebook a nova plataforma?
24 setembro 2007
por Alexandre Fugita
![[blog peppers] [blog peppers]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/blog_peppers-techbits.jpg)
Um sujeito resolveu processar o Google em 5 bilhões de dólares. Para você ter uma idéia esse valor equivale a 3 YouTubes. Pelo que pude entender, o processo se deve a possíveis problemas de privacidade. O número de social security do cidadão está exposto no nome do Google quando o logo é virado de cabeça para baixo. O quebra-cabeça matemático é tão complexo que é necessário evocar o time da sua cidade, o 76ers. Juntando os números invertidos obtidos com o nome da Google mais o número 76, em um combinação arbitrária, obtemos o social security do sujeito… Devido a essa exposição, o Google está sendo processado por 5 bilhões de dólares… O ponto central de tudo é a privacidade exposta.
obs: imagem do começo deste post veio do Infoblog, do amigo-blogueiro de longa data Jonny Ken, licença Creative Commons by-nc-sa, no post Blogger Peppers.
Organizar toda informação do mundo e torná-la disponível
O pessoal da Google leva sua missão muito a sério. Mas o grande benefício que os mecanismos de busca trouxeram para a humanidade foi a redução drástica nos custos na procura por informações. Hoje, para a maioria dos assuntos, conseguimos achar informação na internet sempre começando por aquela caixinha enigmática em branco que espera pelos nossos mais profundos questionamentos…, por exemplo, quem matou a Taís?
O fato é, qualquer informação nossa que estiver exposta de alguma forma em algum site pela internet, certamente será indexada pelo Google ou outros mecanismos de busca. Caiu na rede, é peixe, isso é quase inevitável. Mas e quando o site que divulga uma informação sua não está no seu controle? Por exemplo, um jornal. Ele pode chamá-lo de macaco algo que provavelmente você não concorda. Como fazer para eles tirarem essa informação da internet? Não dá.
Um amigo certa vez me questionou… Um professor da faculdade colocou as notas da turma na internet para facilitar a consulta. Vamos supor que aquela nota em específico não seja favorável a você. O RH do emprego dos seus sonhos certamente vai vasculhar seu nome no Google, Orkut e todos lugares possíveis. De repente encontra aquela nota ruim que pode lhe prejudicar em um desempate. Quem errou? O Google ao indexar o conteúdo ou o professor ao disponibilizar informação sensível na rede? Fico com a segunda opção e concluo: uma vez indexado, já era. Nossa única arma é ficar bem na foto. A foto, não tem jeito, ela sempre vai existir…
![[Fala sériio...] [Fala sériio...]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/76ers.png)
Já o cara do processo dos 5 bilhões que me desculpe. Veja acima o raciocínio de gênio para que tenha concluído que o nome Google é uma ameaça à sua privacidade. Piada? Não, é verdade… Só que como em um mundo digital de zeros e uns tudo vai parar na interweb, inclusive cópias de processos judiciais (sim, tribunais possuem web sites!), no final o sujeito acabou expondo outras informações pessoais como data de nascimento e endereço que antes não figuravam na grande rede… E agora, vai processar o tribunal?