17 julho 2010
por Alexandre Fugita
Tenho acompanhado de perto toda a história do iPhone 4, seu problema da antena, a repercussão e reclamações por parte de blogs e da mídia tech americana. Acabei de assistir à press conference que o Steve Jobs apresentou meros 22 dias depois do lançamento do iPhone 4 e simplesmente acho que a Apple viajou. Tanto que resolvi escrever aqui, meses depois do meu último texto.
A empresa da maçã chamou de última hora boa parte dos grandes da mídia e blogosfera tecnológica americana para uma coletiva para dar sua versão dos fatos: o iPhone 4 não tem nenhum problema. Mas logo se contradisse ao oferecer o tal do “free bumper”, um case de silicone para evitar que o sinal do smartphone caísse. Isso mesmo, diz que não há problema mas oferece solução para o problema que não existe.
Um dia antes desta coletiva a Apple soltou uma atualização do iOS4, a versão 4.0.1. O que ela faz? Deixa as barras de sinal mais altas e muda o algoritmo que calcula quantas barras devem aparecer na tela. Eu, como todo geek curioso, atualizei meu iPhone (3G) e as barras que ficam mais altas me deram impressão de que o sinal está melhor. Não está, são apenas barras!
Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato do Steve Jobs ter afirmado no início da coletiva que a Apple sabia que essa ideia da antena externa do iPhone diminuia o sinal. Mas no final da coletiva, na hora das perguntas dos jornalistas, afirmou categoricamente que a matéria da Bloomberg afirmando que a Apple sabia disso antecipadamente não era verdadeira. Percebeu a contradição?
Foi ainda estranho ver a Apple comparando seu problema com outros players do mercado de forma exagerada dizendo que todos os smartphones quando segurados de forma muito envolvente perdem sinal também. Perdem, é verdade, mas quando perguntaram se é diferente apenas encostar no “death grip” a envolver o iPhone como um todo, os executivos da Apple responderam pela tangente.
Pra finalizar, tem gente especulando que a Apple pode lançar uma versão corrigida do iPhone 4 em outubro. Por isso a data limite de 30 de Setembro para dar “free bumpers” aos compradores. Na própria coletiva Jobs ressaltou que após essa data eles reavaliariam a oferta. Seria o iPhone 4 v1.1? Ou como disse o sempre ótimo David Pogue: calma, pessoal, calma. É só um telefone…
Leia mais:
12 março 2010
por Alexandre Fugita
Uma das coisas que notei nos últimos tempos é que aplicativos usando geolocalização estão chegando para ficar. Um dos grandes destaques é o Foursquare, jogo social que envolve reviews de lugares pela multidão e que é bastante interessante. E como tudo que é legal e interessante eu acabo virando um evangelizador. E quando quero contar para as pessoas sobre o Foursquare, a primeira reação da grande maioria é perguntar sobre a questão da privacidade e os perigos de fazer ” broadcast” da sua localização. Existe mesmo este perigo?
Localização consentida
Uma das características do Foursquare e que você precisa aceitar novas conexões. Em tese você compartilha apenas com pessoas conhecidas sua posição no globo terrestre. E é aí que vou me aprofundar na questão da privacidade e a geolocalização. Você escolhe com quem compartilhar essa informação e bloqueia aquelas que não quer que vejam isso.
No Google Latitude é mais ou menos a mesma coisa. Cada novo contato exige autorização para se firmar. Se você só adicionar pessoas conhecidas em tese não há perigos em ficar divulgando onde você está. Além disso nas duas redes você pode escolher não dizer onde está, ou seja, tem controle total sobre o “broadcast” desta informação.
Localização obrigatória
Isso tudo é bem diferente daquela ideia maluca que nosso governo tem de colocar chips nos carros de todos os cidadãos que possuem um a partir de 2011. Dizem que é para diminuir roubos de carros, mas para efeitos práticos isso nunca vai acontecer. O grande problema é a obrigatoriedade de usar esse chip nos carros. A única escolha que você pode fazer é ter ou não ter carro. Tendo um carro sua localização será obrigatória. Péssimo!
Please, Rob me!
Claro, a geolocalização acaba criando novas aplicações interessantes. Uma delas é o Please, Rob Me!, que pega todas as tuitadas automáticas feitas pelos usuários de Foursquare e informa que a casa deles está vazia, hehehe! Genial!
Uma outra que descobri recentemente é o Where Do You Go, mashup que desenha sob o Google Maps uma camada com as regiões que você mais frequenta. O meu mapa está aqui. É interessante, mas deve causar calafrios em todos aqueles preocupados com a privacidade como eu. E por que estou divulgando? Trata-se de uma informação com delay, ou seja, não é em tempo real e portanto não indica onde estou neste momento, o que me deixa mais tranquilo.
Geolocation is the new black
Geolocation is the new black, exagerou a Molly Wood no Buzz Out Loud, um dos melhores podcasts de tecnologia, direto do SXSW. Então é isso, 2010 é o ano da geolocalização. Anotem aí!
Leitura recomendada:
5 janeiro 2010
por Alexandre Fugita
Um dos assuntos que vem me preocupando bastante e que na verdade nem é foco direto deste blog – aqui costumo falar mais de web e internet – é o caso das tomadas brasileiras. Eu sei que o assunto já está meio velho, que perdi o timing para publicar isso, mas convenhamos, essa ideia maluca do governo forçar um padrão de tomadas que não existe em lugar nenhum do mundo cheira a reserva de mercado sem reserva.
Explico: pelo que entendi e descobri nas lojas de material elétrico por aí, o governo, além de obrigar todos os aparelhos e tomadas a usar um padrão brasileiro, proibiu a venda de adaptadores entre os padrões existentes no Brasil e no mundo com o novo sistema brasileiro de tomadas. Está difícil encontrar tomada apropriada para aparelhos novos adquiridos no Brasil e futuramente os adquiridos no exterior.
Meu irmão comprou recentemente um notebook HP que veio com a nova tomada de três pinos brasileira. Chegou em casa todo feliz e… não conseguiu conectar em tomada alguma. Foi correndo a uma loja comprar um adaptador e… não encontrou adaptador algum em loja nenhuma… Ok, ele já tinha outro notebook HP e o carregador do antigo funcionou direitinho no novo mas deu para entender o drama, não?
Imagine agora nós, geeks, comprando o último lançamento da Apple ou o Nexus One do Google em uma viagem ao exterior. As tomadas deles são diferentes do Brasil, óbvio. Mas sempre foi possível comprar um adaptador e todos nós vivemos em paz. Mas daqui pra frente a tendência é que as tomadas com padrões antigos desapareçam tanto das casas quanto dos escritórios. Em alguns anos aquele gadget importado não mais funcionará no Brasil sem alguma gambiarra maluca.
Fica claro para mim que o que o governo criou foi uma reserva de mercado falsa. Ao invés de impor novas barreiras alfandegárias – que já existem e são altíssimas – inventaram uma tomada que não é compatível com nada que existia antes dela. É ou não é reserva de mercado?
11 novembro 2009
por Alexandre Fugita
Certamente o tuíter será rei de muitos textos do dia de hoje. Tudo por causa de um apagão de quase 4 horas (no meu caso) que o sistema elétrico brasileiro enfrentou no final da noite de ontem e início da madrugada de hoje.
Mas não é bem assim, diria a Marion Strecker, diretora de conteúdo do UOL. Nos portais de notícias houve apuração, entrevistas. Jornalistas foram a coletivas de imprensa para saber o que estava acontecendo. Mas não é bem assim, diria algum tuiteiro mais exaltado. Então como é que é?
Recentemente fiz um post sobre “O valor da informação“. Nele falo que a notícia, o registro simples e puro de um fato, está virando commodity. Mas também falo que se a notícia for uma informação em tempo real ela deixa de ser commodity. A cobertura jornalística feita pelos portais da internet, rádios e redes de TV tentaram ser o mais rápidos possível na divulgação de informações. Ótimo! Esse trabalho de apuração é importantíssimo e não será substituído.
O que acontece é que o Twitter realmente é ótimo para sabermos o que está acontecendo em tempo real. A característica caótica das mensagens postadas é suficiente para sabermos o que se passa em vários lugares diferentes. Em menos de 2 minutos percebi que a falta de luz não era do meu bairro, nem da minha cidade, mas muito mais ampla do que isso.
Já as notícias da grande mídia foram importantíssimas para suprir a minha timeline do Twitter com informações postadas por pessoas de todo o Brasil sobre o que de fato havia acontecido de acordo com informações de fontes confiáveis. E tudo trabalhou em conjunto para que meu vício por informação fosse suprido.
3G
E se não fosse o 3G e as torres de celular nada disso seria possível. Milhares de pessoas ficaram ligadas nas notícias através de suas conexões 3G dos celulares oumodens para notebook. As torres de celular aguentaram bem o apagão e, pelo menos no meu caso, permitiram navegar na internet, checar o Twitter e sites de notícias. Vitória da tecnologia.
9 novembro 2009
por Alexandre Fugita
A internets mudou a forma como a informação é distribuída. Os custos caíram a quase zero. Qualquer um pode ter um blog, twitter e, portanto, voz na multidão. Parece óbvio, ou melhor, é óbvio afirmar tudo isso que disse até agora. Mas nem todos perceberam essacaracterística da internet.
Lá no período feudal a distribuição de informações era complicada e cara. A igreja católica era uma das poucas instituições que tinha ocacife para bancar pessoas a publicarem conteúdo. Livros e todo o tipo de informação era registrada manualmente por escribas especializadíssimos. O mesmo ocorria em outras culturas como no Egito e outros lugares do planeta.
Daí veio o Gutenberg. Ele pegou várias tecnologias que existiam em sua época e juntou em um invento que chamou de tipo móvel. Revolução! A partir deste ponto a distribuição da informação nunca mais foi a mesma.
A igreja perdeu seu monopólio pois o tipo móvel permitiu a muito mais gente bancar a distribuição de informações. Essa tecnologia fez surgir editoras de livros, jornais impressos e barateou em muito a distribuição.
Alguns séculos se passaram e o Vint Cerf inventou a internets. Revolução de novo! Esse novo meio aberto permitiu uma série de coisas. Distribuir informação ficou mais barato de novo. Muito barato. Tão barato que permite a qualquer um divulgar suas ideias, textos, fotos, vídeos, etc. E essa é a revolução que hoje chamamos de mídias sociais.
Daí aparecem aqueles que não sabem que agora todo mundo tem voz na multidão. Vide o caso Uniban, impossível abafar um caso desses em tempos de youtube, twitter, blogs. E foi o que aconteceu.
obs: imagem deste post Series of Tubes, referência à declaração de um senador americano que virou piada nas rodinhas de internets, retirada deste blog.
Leitura recomendada:
- Uniban e gestão de crises pós-Internet, via Talk:2, texto do Juliano Spyer
- O código da discórdia, via Techbits, sobre indústria do DVD vs. Internet
- Só porque transou na praia quer tampar o sol com a peneira, via Meio Bit, sobre Cicarelli vs. Internet
- Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar), via Contraditorium, sobre o Pior bar do sistema solar vs. Internets
- Como a campanha “Xô Sarney” se espalhou pela blogosfera, via Pensar Enlouquece, sobre o Coroné vs. Internets