Patenteei o movimento de andar pra frente

por Alexandre Fugita

[IBM vs Amazon] O título deste post parece absurdo. Por que alguém iria patentear o movimento de andar para frente? Com certeza ganharia rios de dinheiro mas esse é um tipo de patente que não se aplica. A IBM acaba de iniciar um processo contra a Amazon por patentes que lhe pertencem e estariam sendo usadas indevidamente pela loja virtual. E o que essas patentes cobrem? Formas de armazenar dados, oferecer sugestões a clientes, de realizar uma compra virtual por catálogo eletrônico (leia-se site), etc… Ou seja, a IBM patenteou o andar pra frente e agora quer cobrar royalties.

Patentes liberadas

Ao longo dos últimos anos a IBM adotou uma política bondosa quando se trata de patentes. No ano passado, por exemplo, liberou para uso de desenvolvedores de código aberto (open source) cerca de 500 de suas patentes. Também no ano passado entrou em acordo com outras empresas para compartilhar algumas patentes de interesse mútuo. E mais recentemente resolveu ajudar o USPTO (escritório de patentes dos EUA) a organizar melhor seus registros e processos para patentes de software. Todas essas iniciativas têm o intuito de estimular a inovação.

IBM vs. Amazon

De acordo com a IBM desde 2002 tenta-se negociações com a Amazon, sem sucesso. Não restou outra opção se não processar. As patentes quebradas pela Amazon, segundo a IBM são (tradução aproximada, com original em inglês):

  • Apresentar aplicações em um serviço interativo (Presenting Applications in an Interactive Service)
  • Armazenar dados em uma rede interativa (Storing Data in an Interactive Network)
  • Apresentar propaganda em um serviço interativo (Presenting Advertising in an Interactive Service)
  • Ajustar links de hypertexto de acordo com os hábitos do usuário (Adjusting Hypertext Links with Weighted User Goals and Activities)
  • Comprar itens usando um catálogo eletrônico (Ordering Items Using an Electronic Catalogue)

Como é possível observar, todos os cinco itens são parte de qualquer loja virtual que se preze. Não há como montar um negócio on-line sem abordar tais patentes, principalmente a última. É como andar pra frente ou respirar.

Outras empresas

Não é só a IBM que patenteia situações que parecem óbvias. A Microsoft detém a patente do duplo clique com mouse, obtida em 2004. A Apple patenteou os temas de desktop, e a Netflix tem os direitos sobre uma forma de organizar uma lista de filmes… O Google deve ter suas patentes estranhas (não descobri apesar de passar um tempo pesquisando), etc…

Obviamente as empresas podem ter as patentes que quiserem, e cobrarem pelo uso delas. Mas o que se observa nas patentes discutidas neste post é que algumas são ações humanas e, tomadas as devidas proporções, quase que instintivas. Clicar com mouse, comprar em site de comércio eletrônico, organizar uma lista de filmes… são todas ações e não a tecnologia em si que foi patenteada.

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2 comentários
  1. 1. Moacir Freitas disse em 25 out 2006 - 11:45

    Creio que temos 2 coisas distintas: 1. O que pode ser patenteado? – parece que o equivoco e’ se deixar patentear as “ações humanas …quase que instintivas”. Deveria existir um criterio, aplicando o raciocinio do seu artigo, para evitar que se chegasse nesse ponto. 2. O segundo ponto seria respeitar o que foi patenteado de acordo com as leis. IBM, Microsoft, Google – todos eles teriam direitos, mesmo em coisas obvias como dar 2 clicks com o mouse – considere que nao existia mouse ha alguns anos atras e que foi uma grande ideia o lance dos 2 clicks (tao grande que incorporamos a coisa de tal forma que a achamos obvia demais pra ser patenteada :-). Mas alguem teve a brilhante ideia! Deveria receber por isso?

  2. Olá Moacir!

    Essa é a questão que tentei levantar. Qual o limite das patentes? O duplo clique do mouse foi uma invenção fantástica mas só foi patenteada depois de ter seu uso disseminado… As patentes da IBM cobrem coisas que todas as lojas virtuais e muitos sites fazem. Este blog, por exemplo, deve infringir três daquelas patentes…

    Acho que muitas vezes as empresas patenteiam essas “ações humanas” na intenção de se proteger no futuro a eventuais usos abusivos, algo assim. Temos que ficar de olho… daqui a pouco vão patentear modos de pressionar o botão de ligar um computador (se já não fizeram isso).

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