O chip nos carros e a privacidade

por Alexandre Fugita

[O Grande Irmão está te olhando...] Foi aprovado essa semana pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) a instalação de chips eletrônicos (acho que um RFID) em toda frota de veículos automotores do Brasil. O objetivo é facilitar a fiscalização localizando veículos irregulares ou ainda prevenir roubos e ajudar na localização de veículos e cargas roubadas. São Paulo quis sair na frente e já anunciou a implantação do sistema dentro de dois anos. A tecnologia é muito legal mas, na medida que todo carro possa ser localizado a qualquer momento, como fica a privacidade?

Identificação na internet vs. Identificação dos carros

Talvez seja só eu (não, acabo de descobri que o Solon tem uma visão parecida…), mas para mim essa resolução de que os carros devem ser rastreáveis é igualzinha àquela outra proposta de identificar todo mundo na internet. A multidão esperneou pela blogosfera, grandes portais da internet fizeram campanha contra e o projeto de lei sobre a internet foi adiado. Agora querem chipar todos os carros e colocar antenas espalhadas pelas ruas, avenidas e estradas. Você foi para aquele bairro? Está registrado. Foi viajar no fim de semana? Sabem onde você está. Não duvido que em breve surjam empresas oferecendo serviço de visualização da posição do carro pela web.

Entendo que deve facilitar a fiscalização. Carros com IPVA vencido serão flagrados. Veículos roubados serão rastreados. Mas não é só tirar a tag eletrônica? Claro, se você tirar está comentendo uma infração e poderá ser parado pela fiscalização. Que fiscalização? Se já não existem recursos humanos para fiscalizar as ruas de hoje, imagina se existirão guardas suficientes para parar todos os carros sem o chip identificador. Tudo ficará como antes mas o governo terá gasto milhões em infraestrutura.

Tecnologia e privacidade

A privacidade é importante? Muita gente acha que não. A tecnologia avança e cria novos meios de rastrear, catalogar, guardar informações infinitas sobre tudo e sobre todos. Hoje é impossível não constar em algum banco de dados que pode analisar o seu perfil. Se você possui cartão do banco, toda compra cria seu histórico de uso. Se você já usou o Google, todas suas buscas estão atreladas a um perfil, mesmo que você nunca tenha se cadastrado em qualquer serviço deles. Eles sabem quem é você, o que procura, o que quer, o que faz. Tudo, tudo mesmo. No final das contas todos nos acostumamos e privacidade[bb] passará a ser uma palavra antiga do dicionário que as gerações futuras não saberão o significado.

Submarino e Americanas: a gigante do e-commerce

por Alexandre Fugita

[Amebarino ou Subericanas?] A Americanas.com surgiu como a operação virtual de uma loja conhecida no mundo real, com lojas físicas e tudo mais. O Submarino já nasceu virtual. Tudo isso em 1999, época da primeira grande onda da internet. Enfrentaram o estouro da bolha em 2000 e discutiram pela primeira vez a possibilidade de juntar as operações. Passada a crise cada uma foi para seu lado, crescendo de forma consistente. Agora os dois maiores players do mercado brasileiro se fundem em uma empresa (chamada de B2W) que, estima-se, venderá R$ 2 bilhões este ano.

Cauda Longa e Disponibilidade

Ambas as empresas já atuam na Cauda Longa. Possuem prateleiras gigantes, quase infinitas, na qual vendem milhares de produtos. Essa é a vantagem de ser virtual. Aparentemente, pelo que entendi dos press releases, as operações de lojas físicas da Americanas ficam de fora do negócio. Desta forma a empresa criada é totalmente virtual e, portanto, consegue tirar vantagem da Cauda Longa. Se bem que se usarem as lojas físicas da Americanas como estoque pode ajudar a diminuir custos de uma prateleira infinita.

Outro fato que se nota nesta fusão é a atuação múltipla da B2W. A Americanas havia comprado o canal de TV e e-commerce Shoptime. Por sua vez o Submarino agrega os serviços de vendas do Ingresso.com e da TravelWeb. A B2W atuará no comércio eletrônico de bens de consumo, ingressos, viagens e também tem um canal de TV para divulgar seus produtos. Ou seja, disponibilidade por vários meios. Uma verdadeira potência.

Amazon

Há rumores que a Amazon está se preparando para finalmente atuar no Brasil. Hoje só podemos comprar livros, se não me engano. Uma operação brasileira da maior do comércio eletrônico mundial seria ótimo para o consumidor. Seria a fusão uma indicação de que os rumores da Amazon são pra valer?

Do you Yahoo?

por Alexandre Fugita

[Do you Yahoo!?] O Yahoo! está em crise. Isso todos já sabiam há algum tempo. O novo projeto de propaganda atrasou e os lucros estão diminuido. Mas o buraco é mais embaixo: estão perdidos, não sabem que direção tomar, o que comprar, o que fazer com os diversos serviços conflitantes que possuem. Tudo isso era apenas especulação da blogosfera e da mídia mas parece que é pra valer. Há alguns dias “vazou” um memorando interno do Yahoo! detalhando pontos de preocupação de um VP Senior da empresa, e lá dizia: precisamos mudar!

Web 2.0 vs. Web 1.0

O Yahoo! tem feito várias aquisições de serviços da chamada Web 2.0. Entre as mais importantes podemos citar o Flickr e o Del.ici.ous. O grande problema é no geral os sites comprados entram em conflito com serviços que o Yahoo! já possui. Como todos sabem o Flickr é o expoente web 2.0 das fotos. Mas o Yahoo! já possui o serviço Fotos versão web 1.0 da mesma idéia. O Del.icio.ous pra quem não sabe é o expoente web 2.0 quando se fala de bookmarking social. Mas o Yahoo! já possui o serviço My Web, novamente a versão web 1.0 da mesma idéia.

E a lista é grande… Alguns podem dizer que o público dos serviços web 2.0 é formado por early-adopters (pessoas que adotam primeiro as novas tendências) e que o serviços web 1.0 tem como público a audiência menos antenada da internet e que, portanto, não há conflito. Bom, seria interessante ver características inovadoras entrando nos serviços antigos assim como uma melhor integração entre eles.

Comprar ou não comprar, eis a questão

Após a aquisição do YouTube pelo Google, os rumores indicavam que o revide da Yahoo! seria a compra do Facebook, rede social concorrente do MySpace e, digamos assim, do quase brasileiro orkut. O preço do Facebook foi às alturas e o Yahoo! não pagou pra ver. Alguns disseram que o problema foi que a tomada de decisões no board da Yahoo! é muito lenta e que isso prejudicou as negociações.

Fora isso a Yahoo! tem comprado propriedades na web de forma agressiva. Só na semana passada incorporou o Blix e o MyBlogLogs, mas sofre de problemas internos que dizem, ajudou a perder a oportunidade de comprar o YouTube em uma disputa contra o seu principal inimigo, o Google.

Mais recursos, menos produtos

Recentemente o Google declarou que precisavam de melhorar e aumentar os recursos de seus softwares do que ficar lançando novos serviços. O Google é famosos por lançar dezenas de serviços beta, alguns deles tão fracos que mais parecem uma versão alpha. O caminho a ser trilhado agora é melhorar o que já existe.

O Yahoo! parece que acordou para o mesmo problema. O tal do memorando, chamado de Peanut Butter Manifesto (algo como Manifesto da Pasta de Amendoim – americanos adoram Amendocrem), descreve que o Yahoo! está espalhando pasta de amendoim por vários e vários serviços sem se preocupar em desenvolvê-los adequadamente. E traça linhas gerais sobre o que deveria ser a nova estratégia da empresa em relação às suas propriedades web. Só espero que o Yahoo! não perca “a mão” e simplesmente mate os ótimos Flickr e del.icio.us.

Destrua o PlayStation 3

por Alexandre Fugita

[Smash my PS3] Tem maluco pra tudo neste mundo. Eu não lembro exatamente quando mas certo indivíduo teve a “brilhante’ idéia de criar um site pedindo arrecadações para comprar um iPod e destruí-lo em público. Conseguiu rapidamente as doações necessárias, foi a uma loja Apple levando a tiracolo uma equipe para filmar a façanha. Comprou e destruiu ali mesmo o iPod na frente de atônitos vendedores e clientes. O site, claro, chamou a atenção. O prato cheio está de volta. Essa semana dois grandes lançamentos serão destruídos: o PS3 e o Nintendo Wii. O Zune se salvou, ficou fora da lista de destruição.

PlayStation 3

Lançado no Japão e nos EUA, o PlayStation 3 já está em falta. Na verdade a demanda é muito maior do que a oferta o que gerou filas dias antes do lançamento em lojas, pessoas contratando outras para ficar nas filas, leilões do equipamento a preços exorbitantes. De resto, tudo normal: alguém já desmontou o aparelho, outros verificaram que o custo de produção do equipamento dá um prejuízo razoável à Sony. Para ver o site da destruição do PS3, vá em smashmyps3.com. Ou veja o vídeo da destruição no YouTube.

Nintendo Wii

Com um nome estranho o Wii será oficialmente lançado neste Domingo, dia 19. A Nintendo aposta em um videogame fácil de jogar para todas as idades. As demonstrações usaram pessoas pouco familizarizadas com videogames e deram certo. Muitos jogos exigem habilidades físicas – e não o pressionamento de botões – já que os controles sentem os movimentos que você imprime a eles. Veja um comercial do Wii no YouTube que ilustra exatamente isso que acabo de tentar explicar. O site para ver o Wii destruído: smashmywii.com. (obs: o Wii ainda não foi lançado na publicação deste texto, aguarde mais alguns dias) Ou o vídeo da destruição no YouTube.

Microsoft Zune

A Microsoft entra no mercado de mídia digital com uma aposta alta. O Zune traz embutido wi-fi para troca de músicas entre Zunes. Essa é a melhor e a pior característica do aparelho. A música transferida por wi-fi só pode ser tocada três vezes ou por até três dias além de vir embalada em DRM mesmo que use licensa Creative Commons. O site Engadget lançou um “desafio” que seria alguém encontrar, sem combinar previamente, outra pessoa para trocar músicas via wi-fi em locais públicos. Isso seria a prova do sucesso do aparelho. De resto, tudo normal: a instalação é complicada e trava o computador, além do que o Zune é incompatível com o Vista. Isso talvez justifique a falta de necessidade de destruir o aparelho.

A Singularidade está próxima

por Alexandre Fugita

[Evolução para singularidade?] Acabo de descobrir que Ray Kurzweil fez uma palestra virtual semana passada no Brasil. Para quem não sabe Kurzweil é autor de vários livros que tratam da evolução da tecnologia. Sua última obra – que há meses procuro nas livrarias mas ainda não foi lançada no Brasil – é The Singularity is Near (A Singularidade está próxima) citada recentemente no post que falei das tecnologias que estão morrendo. A Singularidade Tecnológica é o ponto a partir do qual a evolução da tecnologia ocorrerá de forma tão rápida, o impacto será tão marcante, que transformará a vida humana de forma irreversível.

A Singularidade Tecnológica

Em 1965, Irving J. Good descreveu algo muito parecido com o atual conceito da Singularidade Tecnológica. Ele previu que se em algum momento a inteligência artificial atingir equivalência à inteligência humana, as máquinas pensantes superarão rapidamente seus criadores. A tradução do conceito descrito por Good pode ser lido abaixo:

“Vamos definir uma máquina ultra-inteligente como uma máquina que pode superar de longe todas as atividades intelectuais de qualquer humano reconhecidamente inteligente. Como a criação de máquinas é uma dessas atividades intelectuais, uma máquina ultra-inteligente pode desenhar máquinas ainda melhores; haverá uma inquestionável ‘explosão de inteligência’, e a inteligência humana será deixada para trás. Ou seja, a primeira máquina ultra-inteligente será a última invenção feita pelo homem.”

Ficção Científica

Essa descrição parece exatamente o roteiro de muitos filmes. Desde o Exterminador do Futuro[bb], passando por Matrix, incluindo aí o Eu, Robô, baseado na obra de Isaac Asimov. Provavelmente os roteiristas de Hollywood tiveram inspiração nessa teoria que deu origem ao conceito de Singularidade Tecnológica.

[HAL 9000] Para quem não lembra, no Exterminador do Futuro, em 9 de Setembro de 1999 a Skynet torna-se operacional e começa a pensar por si própria, decidindo eliminar a raça humana. No filme Matrix a transição do domínio das máquinas é nebuloso mas no final os seres humanos são transformados em pilhas para fornecer energia aos robôs (quem analisar direito perceberá uma falha grave nesse argumento). Em Eu, Robô, o computador vilão entende que o único jeito de garantir as Três Leis da Robótica é eliminando a maioria dos seres humanos.

E claro, não poderia deixar de citar o filme 2001: Uma odisséia no espaço, clássico da ficção, na qual o computador de bordo de uma nave, o HAL-9000 (foto do parágrafo acima) fica maluco e resolve conspirar contra a tripulação.

2045, o ano da Singularidade Tecnológica

O gráfico abaixo mostra que a tecnologia evolui de forma exponencial. A cada grande mudança de paradigma, menos tempo entre elas. A previsão de Kurzweil aponta que a Singularidade deve ocorrer ao redor do ano de 2045. Sua teoria é uma extrapolação da Lei de Moore (a cada 18 meses dobra o poder de processamento dos computadores), juntamente com a sua teoria das mudanças aceleradas. De acordo com as previsões de Kurzweil a máquina tornará-se mais inteligente que o ser humano, surgirão organismos bio-cibernéticos e a evolução tecnológica ocorrerá muito rapidamente, em proporções inimagináveis.

[A Singularidade está próxima]

Teste de Turing

O teste de Turing foi criado em 1950 por Alan Turing em seu ensaio Computing machinery and intelligence. Trata-se de um teste para determinar se uma máquina consegue manter uma conversação enganando um ser humano de que está conversando com uma pessoa. Até hoje nenhum computador passou no teste de Turing mas robôs de chat como a A.L.I.C.E. já enganaram muitas pessoas ao fingirem serem humanos. Kurzweil prevê que neste século computadores conseguirão passar pelo teste de Turing pela primeira vez.

Conclusão

A tecnologia vai mudar radicalmente nas próximas décadas, talvez antes. Segundo Kurzweil, a Singularidade está próxima. Precisamos ficar preparados para as mudanças que estão por vir para não ficarmos para trás. Aprender e saber buscar informação é a chave para continuar na vanguarda. Mas não espere nada desastroso como nos filmes de ficção. Eles são exatamente isso: ficção.

[Atualização] Leitura interessante: Hoje vamos falar sobre: Singularidade Tecnológica

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