9 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Na sexta-feira isso era apenas um forte rumor. Alguns até duvidaram dizendo que a fonte do rumor era um blog. Mas era verdade. O Google acaba de anunciar aquisição do YouTube. As notícias do dia já mostravam essa tendência. Pela manhã tanto o Google quanto o YouTube anunciaram separadamente uma série de parcerias com a indústria de filmes, músicas e entretenimento. E finalmente aconteceu.
Direitos Autorais
Um dos grandes problemas que críticos apontavam para uma possível aquisição do YouTube era a questão dos direitos autorais. A maioria dos vídeos do site tinham de alguma forma conteúdo ilegal, seja pela música de fundo, seja por trechos de filmes ou programas de TV. Parte disso foi resolvida hoje com os acordos do YouTube com a Sony BMG, Universal e CBS. Os conteúdos delas estarão disponíveis no YouTube de segundo acordo selado pouco antes nesta segunda.
Google vs. Yahoo
O Techcrunch, o mesmo blog que propagou na sexta-feira os rumores de compra do YouTube pelo Google, informa que o Yahoo! esteve até o último momento dando seus lances para aquisição do maior site de vídeos do mundo. Perdeu para o Google que resolveu bancar US$ 1,65 bilhão.
Google Vídeo e YouTube
O Google já havia lançado no começo deste ano o Google Vídeo, exatamente para concorrer com o YouTube. As notícias de hoje evidenciavam que algo estava ocorrendo. Tanto o Google Vídeo quanto o YouTube anunciaram parcerias similares em termos de conteúdo. Horas depois foi feito o anúncio da compra. Por enquanto o YouTube continuará como operação separada do Google Vídeo.
É interessante notar que o YouTube, startup que iniciou suas operações em 2005, não tinha até o momento uma forma de gerar receitas consistentes. Exatamente como era a startup Google anos atrás. A história se repete e provavelmente será de muito sucesso.
9 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Na semana passada o mundo da segurança em desktops entrou em guerra. A McAfee diz que a colaboração da Microsoft na área de segurança mudou e está diminuido. E aponta o motivo: OneCare, serviço de anti-vírus lançado pela gigante de Redmond há alguns meses. A questão que surgiu naquela época e que voltou à tona agora é: dá pra confiar a segurança do seu computador à Microsoft, sabendo que é ela mesma quem produz o Windows cheio de problemas?
Windows Vista: mais seguro
Uma das fraquezas do Windows XP é no quesito segurança. Somente após o patch SP2 é que a segurança parece ter ficado forte. Faça um teste: coloque uma máquina com o Windows XP recém instalado na internet. Não dá 5 minutos e começam a aparecer estranhas mensagens, sinal de que seu computador foi de alguma forma invadido. E você nem navegou na web. Isso não acontece com o XP SP2, ainda bem.
No Windows Vista a segurança é prioritária. Talvez isso explique os seguidos atrasos no lançamento do sistema operacional. A característica que a McAfee está reclamando é o acesso ao kernel, algo como o núcleo do sistema operacional. No Vista, a Microsoft fechou esse acesso de tal forma que complicou a vida de concorrentes. Mas faz todo sentido: a segurança aumenta.
Segurança fora de vista
Em junho deste ano a Microsoft lançou o OneCare, seu próprio serviço de segurança para o Windows. Na época as discussões giraram em torno da confiança que deveríamos dar ao OneCare, já que foi criado exatamente para proteger o Windows, ambos produtos da mesma empresa. Ou seja, você cria um produto com problemas de segurança e vende a solução para tapar os buracos. Faz sentido? Seria melhor colocar esforços em criar um Windows com menos problemas a vender separadamente uma forma de saná-los.
O medo da McAfee e outras fornecedoras de anti-vírus e firewalls, é ficar para trás no mercado de segurança. Injustificado. Sempre vai existir mercado para ela. Duvido que o Windows Vista não tenha problemas de segurança e não creio que o OneCare consiga lidar com todos eles. Ah, e dá pra confiar na segurança do Vista? Só o tempo dirá…
6 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Os rumores mais quentes indicam que o Google pretende comprar o YouTube. Pelo menos é isso que está pipocando pela web nesta sexta-feira. O crescimento surpreendente do Google desde seu surgimento, há 8 anos, é motivo de previsões bem humoradas de fusões, aquisições e domínio dos mercados. Se realmente os rumores se concretizarem, só uma coisa: don’t be evil.
GoogTube (Google + YouTube)
O TechCrunch, blog voltado para discussão da web 2.0, colocou lenha na fogueira ao dizer que, conversando com empreendedores de capital de risco, há indícios do interesse do Google na aquisição do YouTube. Mark Cuban, um investidor bilionário pontocom e que dedica parte de seu tempo a um blog que analisa tecnologia, diz que só um idiota compraria o YouTube. Lista os problemas com direitos autorais e gastos com banda, entre outros. Analistas dizem que se alguém comprar o YouTube, e tirar todo o material que de alguma forma fere direitos autorais, o site ficará sem graça.
Gapple (Google + Apple)
Virou esporte criar nomes para possíveis associações do Google. Um desses nomes surgiu há pouco mais de um mês quando a Apple anunciou que Eric Schimidt, CEO da Google, passaria a integrar o conselho administrativo da empresa da maçã.
Googlezon (Google + Amazon)
No final de 2004 um vídeo divertido foi divulgado na internet prevendo várias coisas. Entre elas estava a fusão do Google com a Amazon e o fim dos jornais de papel como conhecemos. Assista: EPIC 2014 e 2015 (original em inglês | dublado para o português)
Don’t Be Evil
O grande problema para o Google é crescer e continuar com boa fama. Episódios recentes mostram conflitos com o seu lema interno. Aceitaram as condições do governo chinês para atuar naquele mercado (Yahoo! e Microsoft já tinham aceitado as mesmas condições antes), evitam a todo custo colaborar com a justiça brasileira no caso do orkut (parece que o problema está no MP que não sabe fazer as requisições corretas), negaram ao governo americano o acesso a dados aleatórios e anônimos de buscas feitas por seus usuários.
O primeiro caso envolve um tipo de censura. O Google diz que é melhor os chineses terem acesso a algumas informações do que a nenhuma. Os outros dois casos envolvem a privacidade. E como já disse, defendo a privacidade.
5 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Na Futurecom, evento de Telecom e TI que termina hoje em Florianópolis, surgiram discussões sobre unificar redes celulares da nova geração, a chamada 3G. A idéia, que visa reduzir custos e manter o foco das celulares em seu core business, foi defendida pela Vivo e Anatel. Com a implantação de uma rede W-CDMA unificada as empresas poderiam se dedicar mais à prestação de serviços e melhoria de metas de qualidade. E o melhor: a competição aumentaria o que sempre traz benefícios a nós, usuários.
Amortização e subsídio
A tecnologia evolui muito rápido. Aqui no Brasil os celulares analógicos surgiram na década de 1990. Em 1996 a concorrência aumentou com a entrada da banda B e seus celulares digitais. Em 2002 começaram as operações GSM. Agora já se fala em implantar uma rede 3G real no padrão W-CDMA. Cada mudança de tecnologia exige grandes investimentos, com prazo cada vez mais escassos para amortizar isso no balanço das empresas.
Outro fato que gera buracos nas celulares é o subsídio a aparelhos. Já se fala em sair do mercado de aparelhos celulares e deixar isso nas mãos dos fabricantes. Foi o que a Oi fez meses atrás. Não dá pra ficar tomando prejuízo em um setor altamente competitivo.
Os motivos da Vivo
A Vivo recentemente resolveu implantar uma rede GSM em paralelo à sua rede CDMA. Estava perdendo market share e dinheiro. Compensa mais à Vivo construir uma nova rede GSM do que ficar bancando subsídios dos caros telefones CDMA. Segundo o presidente da empresa a proposta de rede unificada para o W-CDMA não tem a ver com o mudança da empresa para o GSM. Vale lembrar que o W-CDMA é a evolução natural do GSM.
Então quais seriam os motivos da Vivo? Já que estão construindo uma rede GSM, ou seja, investindo pesado, vem a calhar o compartilhamento de uma futura rede 3G W-CDMA no sentido de diminuir custos. A Vivo cita o sucesso da Visanet e Redecard. Elas administram redes de transmissão de informações financeiras para cartões de crédito e débito e foram criadas em conjunto, por empresas concorrentes, para diminuir custos com a sobreposição de infra-estrutura.
Serviços, o pote de ouro
Rede celular unificada, ou seja, o sinal de todas vai ser o mesmo. W-CDMA, ou seja, a mesma tecnologia. Call center terceirizado ruim… Puxa, então qual a diferença em comprar um celular de uma ou outra operadora? Serviços, essa é a resposta. O desafio das celulares é conseguir aumentar a receita média por assinante. Oferecer serviços diferenciados e um melhor atendimento é a solução.
(*) o blogueiro do Techbits não viajou a Florianópolis a convite de ninguém. Ficou em sua cidade mesmo…
4 outubro 2006
por Alexandre Fugita
Hoje estréia nos EUA a terceira temporada da série Lost. O que isso tem a ver com tecnologia? Fora o fato de todos os geeks assistirem, a pergunta é: como esses geeks vão assistir se a temporada, como já disse, estréia nos EUA e não no Brasil…? Fácil: BitTorrent. Pra quem não sabe o BitTorrent é uma forma rápida de compartilhar arquivos. Claro, a indústria de filmes, músicas e seriados enxerga essa tecnologia como o inimigo. Mas chegou a hora de eles entenderem que o modo tradicional que usam para distribuir conteúdo precisa de uma reviravolta urgente pois estão sendo atropelados pela tecnologia.
O novo broadcast
As formas tradicionais de distribuição estão com os dias contados. Nos dias atuais ser fã de um programa de TV é um problemão pois o tempo é escasso e nem sempre estamos disponíveis para ver a transmissão. As emissoras de TV e rádio também sofrem do mesmo problema pois o tempo disponível em suas grades de programação limita-se às 24 horas do dia. Ok, existe o videocassete pra gravar tudo isso. Existe? Atualmente aqui no Brasil as TVs a cabo distribuem conversores digitais que, entre outras funções, também gravam programas. Uma espécie de TiVo, muito comum nos EUA. Parte do problema está resolvido.
Mas vem da internet a solução completa: o tempo não é mais um problema pois assistimos de acordo com nossa disponibilidade e não seguindo as vontades do programador da emissora de TV. O conteúdo pode ser refinado de acordo com os gostos pessoais, ou seja, vamos gastar o tempo disponível apenas com o que realmente nos interessa. Achar tal conteúdo é facilitado pelos mecanismos de busca. Isso tá com cara de economia da Cauda Longa…
O fim das mídias físicas
Ontem mesmo saiu um artigo no qual um executivo da Sony prevê o fim das mídias físicas no prazo de 5 anos. Estranho… deixa eu entender: não é a Sony que está gastando bilhões para emplacar o Blu-Ray? Mas então o que esse executivo da Sony está falando? Parece que eles finalmente entenderam que ninguém se importa com a guerra particular do HD-DVD vs. Blu-Ray. Que as mídias físicas descansem em paz (e se possível levem o DRM junto…).
Apesar de já existirem exemplos do novo broadcast (Amazon Unbox ou a Apple ITMS, entre outros) a indústria ainda teme entrar de vez neste mercado. Quanto mais demorarem, pior. A estréia da terceira temporada do Lost, que deveria ser restrita aos EUA mas pode ser considerada mundial, é uma prova disso.