Radar Cultura e o Twitter

por Alexandre Fugita

Radar Cultura Ontem a noite vários blogueiros foram convidados pela rádio Cultura AM para o lançamento de um novo serviço chamado Radar Cultura. Lembra que antigamente nós ligávamos para a rádio pedindo uma música na tentativa de fazer tocá-la no dial? Pois é, com o Radar Cultura isso foi transferido para a internet, sob a forma de um serviço tipo Digg no qual votamos nossas preferências musicais – só música brasileira.

Quem esteve nos acompanhando via Twitter, percebeu que a interação é em tempo real e que alguns flashmobs foram possíveis para emplacar esta ou aquela música. A música do Tom Zé, Sem a Letra A, foi postada como preferida pela blogueira Lúcia Freitas – presente no evento – e divulgada no Twitter. Em 12 minutos recebeu 27 votos e foi ao ar na rádio Cultura, lá pelas 20h15. Parecia que estávamos no antigo Você Decide, mas com possibilidade de interação em tempo real com outros usuários via Twitter.

Pessoas por todo o Brasil, como o Manoel Netto diretamente de Londrina, a Lu Monte, de Brasília, e o Wagner Tamanaha, de São Paulo, participaram votando ou sugerindo músicas. O programa acabou ao redor das 23h e muitas músicas, todas escolhidas pelos internautas, foram ao ar.

Jogando com o sistema

O Radar Cultura ainda está no começo, achei bem interessante, e ao abrir a possibilidade de votação pela internet, permite que um maior número de usuários tenha poder de decisão. A minha preocupação surge do fato de aparentemente ainda não existir um sistema anti-fraude das votações. Claro que ontem ninguém fraudou o sistema para que a música X ou Y fosse ao ar. Mas tendo em vista que é possível combinar com um monte de gente para votarem todo mundo em uma seqüência combinada de músicas, fica claro que podemos jogar com o sistema.

A maioria das músicas emplacadas no programa de estréia contou com votos invariavelmente das mesmas pessoas. O Digg, sistema um pouco mais refinado na mensuração da sabedoria das multidões, acaba dando peso menor para votos em massa vindos sempre de um mesmo pequeno grupo de pessoas. Com o crescimento do número de usuários na base do serviço, o problema fica minimizado. Mas, claro, a iniciativa é bem vinda!

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6 comentários
  1. Pois é Fugita, o problema é a possibilidade de fraudar o sistema. E eu nem me refito à possibilidade de várias pessoas combinarem seus votos.

    Pior ainda é a possibilidade de umas poucas pessoas criarem várias contas (no caso, do Twitter) e assim manipularem os resultados sem grande esforço.

    Como resolver isso?

    Bom, o Google faz isso usando as URLs como proxies para os votos de pessoas reais por trás dessas URLs (os links que partem dessas URLs) através do seu PageRank.

    Eles usam portanto a própria arquitetura da WWW nesse sentido. O “U” de “URL” é de “universal”, ou seja, único.

    E ainda assim o Google precisa tomar uma série de medidas contra os mais variados tipos de black hat SEO/SEM. Segundo a própria empresa, já são empregados mais de 200 critérios diferentes além do PageRank no rankeamento dos seus resultados de buscas na web.

    Bom, muito da Web 2.0 tem haver com crowdsourcing e com geração de conteúdo pelos usuários.

    Se por um lado, o PageRank do Google é uma forma de crowdsourcing bem sacada, hoje não dá mais pra esperar que todo usuário tenha uma URL própria através da qual ele possa votar no que acha mais interessante e nem os serviços de crowdsourcing são arquitetados pra isso.

    O que me leva de volta ao começo desse comentário. Como resolver isso?

    Essa pode ser a pergunta de US$ 1 bi (ou mais!) da mesma forma que, anteriormente, o PageRank do Google foi a resposta pra o enigma de como tornar resultados de busca na web relevantes de verdade.

    Eu ainda não vi ninguém com sequer um esboço de solução nesse sentido. Se alguém tiver visto, por favor, avise. =)

    Pra encerrar, segue abaixo um link recente sobre como funciona o algoritmo de análise dos votos no Digg.

    http://searchengineland.com/071128-122432.php

    Abraço!

  2. 2. Lucia Freitas disse em 19 dez 2007 - 23:09

    Então, Fugita. Acompanhei o programa ontem – hoje não deu, infelizmente, tive reunião – e sabe que os usuários já mudaram? Muita gente participando, podcasts sendo postados. Acho que a questão vai além do voto combinado. Passa pela comunidade. Se o RadarCultura forma uma comunidade – e ela gera conteúdo e vota – não há fraude, há participação e da mais legítima.
    A questão é que mesmo no Digg, ou no Slashdot, que também funciona com sistema de votação, estas comunidades se formam mesmo. Acho que, à medida que o sistema for testado e usado, outras questões surgirão.
    E quando se expandir para os outros setores da Cultura – Rádio FM e TV, como disse o Paulo Markun lá no lançamento – aí é que eu quero ver o que vai acontecer. Já pensou a gente interagindo com o acervo de gravações da TV Cultura (tem preciosidades únicas por lá)?

  3. Agora todo mundo acha que os blogueiros têm “sex apeal”… OS blogs estão se tornando relevantes a ponto de serem cortejados pelas empresas (vide o caso da AXE, fotografando blogueiras) e pela mídia tradicional. Vamos ver no que dá tudo isso.

  4. […] implantado por Juliano Spyer e André Avorio, foi testado por todos nós: Rosana Hermann, Mobilon, Fugita, Rafacst, Baunilha, Daniela Silva, Ana Carmen, Tom Zé, Sérgio Amadeu, Gustavo Jreige, Pedro […]

  5. […] http://techbits.com.br/2007/radar-cultura-e-o-twitter/ > Blog relacionado. […]

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