Podemos dizer que TV = internet?

por Alexandre Fugita

u2webcastNa madrugada desta segunda-feira a banda irlandesa U2 fez um show que foi transmitido ao vivo pela internet no YouTube (imagem ao lado). Até aí nada demais, todo mundo transmite coisas ao vivo pela internet no Justin.tv ou Qik. O que impressiona no caso é a escala da coisa. É a segunda vez que o YouTube faz esse tipo de transmissão ao vivo. Na primeira vez 700 mil pessoas acompanharam o streaming do evento. Desta vez foi provavelmente algo bem maior. Daí vem a pergunta… TV? Pra mim TV já é igual à internet faz um bom tempo.

Muitos comentários no Twitter durante a transmissão já apontavam para esse fato impressionante. A transmissão de vídeo na internet é bem diferente da transmissão do sinal de TV. Na TV apenas um sinal é transmitido por uma antena e vários aparelhos exibem essa transmissão. Na internet é necessário transmitir um sinal para cada ponto que esteja vendo o vídeo. Imagina 1 milhão ou mais de sinais transmitidos ao mesmo tempo. E o tempo total da transmissão durar duas horas e meia… Impressionante, né?

Se já é possível transmitir pra tanta gente ao mesmo tempo um sinal de TV pela internet, daqui a pouco o sinal do cabo ou do espectro de frequências se tornará obsoleto. Eu, por exemplo, raramente assisto TV de verdade. Tanto que agora nem tenho mais TV à cabo e nem antena de TV normal.

Quando quero noticiários em vídeo vou ao G1. Quando quero assistir séries, TPB. Se quero ver um programa da TV aberta, YouTube. Um bom exemplo é o caso do Um Contra Cem, programa do Roberto Justus no SBT, só assisto no YouTube.

Na TV dependemos da grade imposta e programação, na interwebs não. Claro que a transmissão do show do U2 era em um horário pré-definido. Mas logo em seguida aconteceu o re-broadcast e o vídeo ficará disponível para quem quiser assistir quando bem entender. Claro que a TV aberta mudou. A Globo e Record transmitem seus noticiários em seus portais de notícias.

E tudo isso faz parte de uma discussão bem mais ampla que já rendeu muitos posts neste blog. A internet permite a distribuição da informação de forma bem mais barata que os métodos “convencionais”. É assim com o jornal de papel, com o DVD de plástico e também para o sinal da TV. O suporte físico tem maior percepção de valor. Mas acho que no fim os bits do TCP/IP vencem! É a velha escassez vs. abundância.

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E o Windows 7, vira?

por Alexandre Fugita

windows7Hoje foi lançado o Windows 7, a versão mais recente do sistema operacional mais usado no mundo. Em 2007 previ que essa nova versão não sairia em 2009. Errei feio mas a culpa não foi minha, foi do Windows Vista que quase foi um desastre gigantesco. A Microsoft correu e lançou antes das festas de final de ano o que pode ser seu produto mais importante e decisivo para o futuro da empresa.

O cenário atual é bem diferente do que era no início de 2007. Naquela época não existia o iPhone, o Ubuntu era um sistema operacional obscuro restrito a nerds e o Windows XP reinava soberano nos computadores de todo o mundo. Claro, o Windows ainda reina, mas o OSX da Apple e o Ubuntu fizeram avanços importantes. E nem falei do Google Chrome OS que deve ser lançado no ano que vem.

O Windows Vista foi visto como o patinho feio dos sistemas operacionais. A Microsoft errou feio ao lançar tal sistema tão cru e com vários problemas. Blogs e sites influentes de tecnologia recomendaram à MS que matasse o Vista e voltasse à prancheta. Não foi o que fizeram mas o resultado de um sistema tão ruim foi que muita gente preferiu fazer um upgrade para o XP ao invés de usar o Vista. Sim, upgrade.

Já o Windows 7 aparece bem melhor na fita. Tenho usado de vez em quando a versão beta ou RC – não sei ao certo – já faz alguns meses. A máquina que eu rodo esse sistema não é lá essas coisas, um Celeron com apenas 1 GB de RAM, e pra minha grande surpresa o Win7 roda de forma razoável. Se fosse o Vista acho que o hardware não aguentaria. Só para informar, meu SO de escolha é o Ubuntu por enquanto.

Muitas pessoas que conversei e que também testaram o Windows 7 disseram coisas parecidas, ou seja, pelo menos na percepção do público “early adopter” esse sistema está bem melhor que o Vista.

O lançamento de hoje é importante para a gigante de Redmond. Primeiro para tirar o peso do Vista dos ombros do Steve Ballmer. Alguns cogitaram até sua saída devido a fracos resultados de sua gestão. Depois porque a concorrência tem avançado ferozmente em vários campos da Microsoft. Se o modelo deles de Software + Services vai funcionar só o futuro dirá. E viva o Windows 7!

Curiosidade: por coincidência ou não o comprador número 2 do Windows 7 é o mesmo cara que foi o comprador número 2 do Vista. Ou o cara gosta mesmo do Windows ou ele foi contratado pela Microsoft para aparecer no jornal… :-)

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APIs abertas de dados do governo

por Alexandre Fugita

thackdayEm diversas conversas que já tive com o Pedro Markun do Jornal de Debates um assunto recorrente foram os dados públicos abertos. Nos EUA o presidente Obama determinou um prazo para que todas as esferas do governo abram seus dados publicamente através de APIs para que qualquer um possa usar essas informações como desejar em mashups, webapps, etc. Aqui no Brasil aconteceu no último fim de semana o 1o. Transparência HackDay com o objetivo de mostrar e criar aplicativos que tornem alguns dados públicos abertos.

O mais interessante foi ver que os desenvolvedores e entusiastas que participaram do evento conseguiram extrair alguns dados de bases públicas disponíveis mas não tão acessíveis assim. Mais ou menos como se criassem APIs para dados que não as tem. Genial, não?

Políticos API

Duas dessas iniciativas fizeram isso extraindo dados sobre políticos brasileiros. O projeto do Parlamento Aberto (Helder Ribeiro), listou todos os deputados brasileiros e extraiu uma lista de tudo que eles estão fazendo. Já o projeto Dados Públicos (Pedro Valente) “parseou” o site Transparência Brasil usando o YQL (Yahoo! Query Language) e extraiu informações sobre políticos brasileiros. Por enquanto tais dados limitam-se a uma foto do político e seu CPF. Mas muitas informações poderão ficar disponíveis por uma API.

Multimídia API

O projeto ABrCrawl (Fabricio Zuardi) é um robô que vasculha o site da Agência Brasil e disponibiliza as fotos do sistema para serem usadas por quem quiser. Como a Agência Brasil licencia seu conteúdo em Creative Commons, é possível usar as fotos até comercialmente desde que a fonte seja citada. Usando os dados do ABrCrawl eu imaginei um Agência Brasil Vision, ao estivo Flickr Vision ou Twitter Vision!

Já o projeto MetaVid (Pedro Markun) tem a ideia de se basear no MetaVid americano que pega os streamings do C-Span (uma espécie de TV Senado) e os disponibiliza na web. A ideia aqui é fazer exatamente o mesmo com a TV Senado e canais públicos que mostram sessões plenárias.

USP oauth API

A Universidade de São Paulo (USP) possui seu sistema de login que autentica seus alunos e funcionários quando entram em seu site. Mas e se você quiser autenticar um aluno para um webapp externo de qualquer natureza? Pois é, uma das criações foi um sistema que, dado o login e senha de um usuário, ele verifica se o sistema USP o autentica como válido. Claro, como todo espírito #hackday, não existe autorização prévia da USP para isso. A possibilidade mostrada é criar votações autenticadas mas em webapps externos. Quem sabe isso aumente a transparência da universidade?

Sustentabilidade API

Dois projetos envolveram preocupações com o meio-ambiente. Um deles, o Tr3e (Thiago Carrapatoso), trata os dados do INPE sobre desmatamento e apresenta de forma mais amigável para nós.

O outro projeto foi sobre lixo eletrônico (Maira Begalli). A Maira, idealizadora da ideia, nos contou que não há dados sobre lixo eletrônico (não é spam, e sim baterias, carcaças, essas coisas) disponíveis facilmente. Conseguiu depois de muito esforço uma planilha PDF com informações sobre o assunto. Então essa é uma crítica ao Ibama, Cetesb ou outro órgão que trate do assunto. Cadê as bases de dados? No final ela apresentou um vídeo sobre o assunto.

Educação API

O projeto Mapa da Eja (Bianca Santana) tem o objetivo de tornar disponível informações sobre escolas que promovem a Educação de Jovens Adultos. Esses dados são pouco divulgados e adultos que não terminaram os estudos não sabem onde procurar esse tipo de informação. Uma mapa já localiza as escolas que tem o EJA e futuramente a ideia é plotar também os adultos que precisam desta educação como forma de sensibilizar a sociedade para o problema.

Clone do Planalto

Claro, o blog clone do Planalto não é um projeto do Transparência Hack Day. Mas não poderia deixar de mencionar aqui tal acontecimento já que os criadores do clone são também os organizadores do #thackday. O Markun e a Daniela B. Silva criaram o clone do Planalto no espírito de transparência. Um blog que simplesmente clona todos os posts do blog oficial com a diferença de permitir comentários. Ótimo, não?

Governo API

Pois é, depois de toda essa discussão, cadê as APIs abertas do governo? Seria realmente interessante que todas as esferas da administração pública tornassem informações abertas através de APIs. Restaria aos cidadãos criarem ferramentas que utilizassem esses dados para os mais variados projetos.

Com a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016 no Brasil muita gente já começou a se mobilizar para que informações financeiras sobre esses dois projetos fique disponíveis e abertas à população e essa é uma grande oportunidade do Governo brasileiro adotar APIs abertas para dados públicos. Será?

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Naspers quer dominar a web no Brasil

por Alexandre Fugita

buscapeClaro, estou exagerando. Mas quem acompanhou as notícias de ontem sabe que a sul africana Naspers comprou 91% do grupo Buscapé por US$ 342 milhões. É uma quantia significativa por um negócio web brasileiro e mostra o quanto a Naspers/ MIH está interessada no mercado tupiniquim. A MIH é o braço digital e tem participações em outras empresas do círculo web brasuca como a WebCo e na Compera nTime, além da Abril Digital. Neste texto uma breve descrição dos interesses da Naspers no Brasil.

Buscapé

O Buscapé é o maior player do mercado nacional de comparação de preços. O site tem uma história daquelas das startups de garagem. Tudo começou com um servidor na casa de um dos fundadores e tornou-se um gigante do e-commerce brasileiro. A compra da participação pelo grupo sul africano é seu pontapé no mercado de comércio eletrônico brasileiro.

WebCo

A WebCo – o site deles está fora do ar – cuida de aplicativos sociais e web como o Blogblogs e o Brasigo. Com bastante dinheiro para investir a WebCo tinha um grande e impressionante escritório na Chácara Santo Antônio (bairro de SP) mas agora está no prédio da Editora Abril.

O Manoel Lemos, fundador do Blogblogs e hoje CTO da Abril Digital, criou o Blogblogs para aprender Ruby on Rails e conta que o primeiro robô que soltou para procurar blogs achou 40 mil deles enquanto ele tinha ido ao cinema.

O Brasigo existe faz cerca de um ano e é uma rede social de perguntas e respostas e concorre com pesos pesados como o Yahoo! Respostas, tradicional e bastante forte no Brasil.

Compera nTime

A Compera nTime produz aplicativos sociais e móveis como por exemplo o Diário Celular, um mix de Twitter com SMS que “roda” dentro do Orkut. Tem parcerias com operadoras de celular brasileiras para alguns aplicativos usados em suas redes que vão de quiz (perguntas e respostas) até softwares relacionados à música e ringtones. A Naspers detém 49% da Compera há cerca de um ano.

Abril Digital

A Naspers possui exatos 30% da Editora Abril. Provavelmente não detém mais pois a lei proíbe participação maior do que isso de capital estrangeiro em grupos de mídia. O provável interesse da Naspers na Abril é a área digital e não a impressa. Tanto isso é verdade que a Abril Digital é dona da WebCo e seu fundador é também CTO da Abril Digital como já havia citado.

Um aplicativo que surgiu dessa união é o PinFotos (já escrevi sobre ele aqui), uma espécie de Flickr, ou seja, novamente concorrendo com um produto Yahoo!.

Um possível resultado dessa parceria é a Naspers conseguir fazer o negócio digital da Abril começar a dar dinheiro para substituir o meio impresso como geradora de receitas.

Oportunidades

É sempre interessante ver grupos estrangeiros interessados no Brasil principalmente no mercado de internet. Aqui o mercado de startups web é crescente – eu sei, o Buscapé não é uma startup, vamos dizer assim – mas ainda está longe do que acontece nos EUA, por exemplo. A visibilidade que a Naspers deve dar ao Brasil com mais essa aquisição pode ajudar a desenvolver o mercado nacional de startups web. Que o Brasil tenha seu próprio vale do silício!

A questão da nuvem e o Gmail

por Alexandre Fugita

gmail-logoEstá virando rotina o Gmail sair do ar e o mundo todo questionar se o serviço é confiável para manter todos os seus e-mails e várias informações importantes em servidores na internet. Principalmente empresas que são o foco do Google Apps e que ao verem notícias deste tipo ficam com um pé atrás em confiar na nuvem.

O interessante a notar é que essas preocupações são na maioria das vezes exageradas. Sim, o Gmail já chegou a ficar mais de 2 horas fora do ar no início deste mês – na verdade foi só a interface web – mas quantas horas o sistema corporativo de e-mails da sua empresa ficou indisponível no último ano? Certamente muito mais do que isso.

O que acontece é que a percepção dos problemas no Gmail são amplificadas pelo fato de o tempo todo em todos os lugares do mundo alguém estar usando a interface web do serviço. Somos 150 milhões, e se o Gmail cai um monte de gente percebe em segundos.

A maioria dos sistemas corporativos não tem tantos olhos atentos assim. Cem, duzentas pessoas. Mil, talvez 5 mil. E se o e-mail dessas pessoas fica inoperante não vira manchete nos portais e blogs. Ou seja, sistemas corporativos de e-mail podem ser bem mais instáveis que um Gmail, por exemplo, mas os departamentos de TI continuam morrendo de medo dessa história de nuvem.

Além disso a maioria dos ambientes corporativos usa algum tipo de cliente de e-mail, em geral o Outlook da Microsoft. E pelo que notei em praticamente todas as quedas recentes do Gmail o problema sempre foi na interface web e não que usa pop, imap ou exchange no seu cliente de e-mail favorito.

E esse problema do Gmail me fez lembrar uma conversa que tive com amigos no final de semana. Um deles resolveu que vai começar a usar mais a nuvem para armazenar informações. O motivo foi a recente necessidade de mandar o notebook para a assistência técnica e a preocupação com anos de dados acumulados em seu HD aos olhos de estranhos. Já o outro ainda se diz cético em relação a manter seus dados em um servidor pela internets.

Claro, cada um faz do jeito que achar melhor. Eu já percebi que desde passei a usar o Gmail em Julho de 2004 – nossa, tanto tempo assim? – nunca mais precisei me preocupar com backups de mensagens ou e-mails perdidos. Enquanto isso milhares de HDs de computadores pessoais e notebooks pifaram e pessoas ficaram a ver navios. Pra que usar a nuvem se eu posso me divertir perdendo informações (fotos, emails, música) e fazendo backups?

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