19 janeiro 2007
por Alexandre Fugita
A chamada web 2.0 tem seus críticos e adoradores. Os críticos dizem que web 2.0 não significa nada. Provam dizendo que todas as tecnologias usadas já existiam previamente ou ainda que a única diferença para a web 1.0 é a maior quantidade de pessoas acessando a rede. Por sua vez, os entusiastas idolatram serviços na web, mágicas com Ajax e querem tudo on-line. As tecnologias todas realmente já existiam. Mas é necessário aquele estalo de criatividade para compreender, juntá-las e criar todo um novo modelo de negócios.
Web 2.0, tecnologias antigas
Um texto criticando a web 2.0 no Webinsider, “Web 2.0 é uma revolução? Então me deixem criticar”, chamou a atenção. É uma leitura interessante, mas a idéia de criticar a web 2.0 não é nova e já tinha sido feita pelo blog Revolução Etc um ano atrás. A crítica principal do Webinsider é que todas essas tecnologias já existiam.
Segundo o texto, a colaboração já ocorria nos tempos de newsgroups. Sim, verdade: evoluíram para fóruns, listas de discussão e mais recentemente tomaram conta da internet. Um bom exemplo de colaboração na divulgação de conteúdo são sites como o Digg ou a Wikipédia, coisas bem diferentes de um newsgroup. No mesmo texto fala-se da inteligência coletiva, também chamada de sabedoria das multidões. Diz que isso já existia e cita como exemplo antigo a Amazon que, não por acaso, tornou-se um dos expoentes da chamada web 2.0.
Discutindo sobre a web como plataforma, as críticas relembram que o conceito foi desenvolvido na década de 90. Sim, mas naquela época não era possível a criação de tudo isso pois não existia uma rede forte e rápida como encontramos hoje. Ajax e RSS são tecnologias derivadas de outras que já existiam. Também é verdade, mas foi só recentemente que começaram a ser usadas de forma útil. Propaganda por links patrocinados não foram inventados pelo Google mas foi essa empresa que, desenvolvendo a idéia, tornou esse mercado possível.
Idéias sem rumo
Certa vez li em um clássico da literatura (seria Machado de Assis?) que uma laranja só passa a existir a partir do momento que alguém a encontra e colhe da árvore. Fazendo uma analogia com as idéias discutidas aqui, pergunto: se já sabíamos que tudo isso existia, por que não fizemos nada para ganhar rios de dinheiro no desenvolvimento da agora chamada web 2.0?
Uma idéia, um conceito, precisam de um visionário que enxergue além do que os outros. A maioria de nós não possui esta dádiva, e ficamos achando que só porque algo já existia mas era visto de outra forma, o desenvolvimento daqueles conceitos em coisas úteis não valem nada. Pra mim a web 2.0 é alguma coisa, é a realização de uma visão de empreendedores. E também não existe outra buzzword melhor para nos referirmos a essa “tecnologia”.
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18 janeiro 2007
por Alexandre Fugita
Uma das coisas que sempre me chama a atenção são novas formas de organizar e visualizar a informação. Na web tivemos o advento das tags que facilitaram a organização de centenas de links (del.icio.us), vídeos (YouTube), fotos (Flickr), etc… As tags também ajudam na busca pois ferramentas como o Technorati usam deste artifício para facilitar a localização de textos que falam do mesmo assunto. Há centenas de outros exemplos, mas um deles se destacou neste início de ano: as nuvens de tags dos discursos dos keynotes do Steve Jobs e Bill Gates em suas apresentações na semana passada. Com base nessas nuvens de tags é possível visualizar quais são os assuntos mais importantes e descobrir que uma nuvem vale mais do que mil palavras.
As nuvens de tags
As nuvens de tags dos discursos foram criadas pelo site SeatlePi.com, a partir da transcrição dos keynotes. Quanto maior a freqüência que uma palavra foi pronunciada, maior o seu tamanho na nuvem, demonstrando sua importância. Ao mesmo tempo, fizeram uma análise com uma ferramenta de estudo da linguagem para fornecer estatísticas.
De acordo com a Lulileslie, do blog Petitpois sobre arquitetura da informação, a nuvem de palavras do Steve Jobs (acima) é mais “simples, concisa e eficiente” do que a do Bill Gates (abaixo), descrita como “sisuda e difícil de entender”. A forma como os discursos são feitos, as palavras e frases que são usadas, tudo isso impacta na mensagem e no modo como as pessoas se sentem após acompanhar tais apresentações. Assisti a ambos os keynotes e realmente isso é notável: o Jobs dá um show no Gates. De repente os produtos lançados pela Apple são menos importantes do que os lançados pela Microsoft, mas o discurso fez toda a diferença. Não é à toa que, além de ser um produto muito interessante, o iPhone roubou todas as atenções da semana passada deixando a CES no limbo.
![[Nuvem de tags do discurso de Bill Gates na CES 2007] [Nuvem de tags do discurso de Bill Gates na CES 2007]](https://techbits.com.br/wp-content/uploads/img/ext/nuvemgates.jpg)
17 janeiro 2007
por Alexandre Fugita
A constatação acima foi uma das “descobertas científicas” mais interessantes que li no ano passado. Vampiros alimentam-se de sangue e tornam vampiros as pessoas mordidas. Se cada vampiro “alimenta-se” de duas pessoas normais por dia e essas passam, a partir daí, também a transformar outras duas pessoas normais em vampiros a cada noite, depois de poucas interações todos nós seríamos vampiros, o que não é verdade e, portanto, vampiros não existem. Mas o que isso tem a ver com tecnologia? Essa explicação dos vampiros é uma progressão geométrica que demonstra que todas as pessoas estão de alguma forma conectadas. Algo que me fascina é a teoria dos seis graus de separação (ou do mundo pequeno) que diz que todos nós estamos conectados a qualquer outra pessoa deste planeta por até seis outras pessoas. E a internet tem várias evidências de que isso talvez seja verdade.
Oráculo de Bacon
O Oráculo de Bacon é um experimento feito pela Universidade da Virgínia (EUA) usando a base de dados do IMDb (Internet Movie Data Base). Neste site estão relacionados atores, diretores e todo pessoal que já trabalhou em algum filme. O sistema desenvolvido é centrado no ator Kevin Bacon e a quantos graus de separação todos os outros estão ao redor dele. Neste caso, grau de separação significa quem trabalhou com quem. O interessante é que a grande maioria (mais de 80%, de cerca de 800 mil) dos atores e diretores de cinema está a até 3 graus de separação de Kevin Bacon.
Meme da blogosfera
Há cerca de três semanas o Bruno Alves iniciou uma tag (ou meme) sobre os objetivos de 2007. Cada blogueiro escrevia os seus e convidava outros cinco para fazer o mesmo. Depois o próprio Bruno Alves constatou ter criado “um monstro” pois aquele post se multiplicou atingindo centenas de blogs, constatados na árvore genealógica do meme publicada aqui no Techbits (como disse, esse assunto me fascina). Analisando a árvore, nota-se uma série de repetições, mostrando que os blogs estão relacionados em uma espécie de teoria do mundo pequeno.
Orkut
Talvez alguém devesse entrar no Orkut e verificar a validade da teoria. Lá com certeza conseguiriam mostrar que o mundo pequeno existe e que nem seis graus de separação são necessários para se chegar a qualquer outra pessoa da comunidade. Na essência toda rede social trabalha sobre essa teoria. Analisar as relações entre usuários, quem conhece quem, etc, deve levar a conclusões próximas à do Oráculo de Bacon.
Rec6
Todo esse assunto me levou a tecer uma teoria. Muitos já perguntaram por que será que o Rec6 tem esse nome? Alguns já filosofaram dizendo que o nome não ajudava em nada pois Digg ou Eu Curti remetem mais à finalidade do site do que um tal de Rec6 como nome… O Rec6 faz parte da Syxt, ou seja, o nome desses dois serviços faz alusão ao número seis. O Rec6 e o Syxt são redes sociais. Redes sociais… Vampiros não existem… Hum… Depois de muito pensar cheguei à conclusão de que o nome tem a ver com a teoria dos seis graus de separação. Acertei?
16 janeiro 2007
por Alexandre Fugita
[atualizado] Já nem me surpreendo quando descobrem algum problema de segurança em softwares da Microsoft. São vários por mês. Só que a bola da vez agora é o Google. Nos últimos 17 dias, três problemas sérios de segurança foram descobertos. Na medida que softwares estão migrando para a web, ganhando complexidade e mais e mais usuários se tornam adeptos deles, problemas de segurança podem ser catastróficos. Você confiaria seus dados ao Google?
Os problemas
No último dia de 2006, foi descoberta uma vulnerabilidade que permitia a visualização dos contatos do Gmail. No último dia 12, descobriu-se uma forma de copiar os cookies dos serviços do Google tornando possível invadir qualquer serviço que o visitante tivesse registrado com a possibilidade de acesso a e-mails, documentos de texto e planilhas, etc… O último, recém-descoberto (16/01/2006), ainda está sem correção e não se divulgaram detalhes, foi corrigido em poucas horas.
Na verdade esses problemas são provas de conceito, ou seja, foram feitos experimentalmente e imediatamente reportadas à empresa de Montain View assim que descobertos. A gigante da internet agiu rapidamente e corrigiu os problemas de segurança. Só depois das correções é que os “descobridores” divulgaram a natureza dos experimentos que realizaram, mas aí não havia mais perigo. As falhas não ficaram exposta aos hackers de plantão para serem explorados. E todos necessitavam a visitação de sites com código malicioso ao mesmo tempo que você estivesse logado a algum serviço do Google.
Provavelmente não relacionado a este assunto, mas só para deixar registrado, tivemos ainda o caso dos emails apagados do Gmail, que afetou ao redor de 60 usuários do serviço.
Software on-line vs. Software off-line
Algo que preocupa ao usarmos muitos softwares on-line, é a segurança das informações. Eu uso processador de textos, planilha, calendário, webmail, estatísticas, leitor de RSS, mensageiro instantâneo, etc… Tudo on-line. Se alguém conseguir invadir ou descobrir minha senha, corro o risco de perder todos os dados. Por outro lado, usando somente softwares off-line (de desktop) seria mais complicado alguém invadir essas informações (colega da mesa ao lado quando vou buscar um café? hacker entrando pela conexão da internet?).
Quando uma empresa de software para desktops libera uma correção de segurança, é necessário a ação pró-ativa do usuário, do departamento de TI ou do sistema operacional na atualização. Se isso não ocorrer, o buraco de segurança fica descoberto. Em softwares on-line, quando a fornecedora do software libera a correção, essa passa imediatamente a valer para todos os usuários, nada de downloads e atualizações. Claro, há sempre o risco se um problema desses cai na mão de pessoas mal intencionadas.
No caso do Google apresentaram correções rapidamente para os problemas verificados. A Microsoft, sabemos, fica até 30 dias com falhas abertas e, quando soltam a correção, muita gente demora para atualizar seus sistemas e acaba sendo vítima de problemas já solucionados. Colocando tudo na balança, quer saber, continuo com os softwares on-line.
14 janeiro 2007
por Alexandre Fugita
Se você achou graça na tirinha acima, esse post é pra você. Mas se não entendeu, mesmo assim continue lendo para não perder a viagem. A piada geek foi retirada do blog tmp/karlisson e, segundo o próprio Karlisson, “é altamente nerd“. O motivo para colocá-lo aqui é que vou falar sobre o Google Code Jam América Latina 2007, competição que premiará os melhores programadores (ops!) desenvolvedores da região. Se você se considera um deles, não perca tempo. O prazo para inscrições acaba em cerca de uma semana (23 de janeiro, 10h, hora de Brasília, -2:00 GMT) e há muitos brasileiros inscritos.
A competição
Você pode escolher uma entre cinco linguagens de programação disponíveis: Java, C++, C#, VB.NET e Python. Há três fases on-line, cronometradas, que vão eliminando os que pontuarem menos. Após essas peneiradas os até 50 finalistas ganham uma viagem a Belo Horizonte para participar da fase final nos escritórios da Google. Prêmios variam de 350 a 6 mil reais. É uma chance de chamar a atenção da gigante da internet e, quem sabe, arrumar as malas de vez para Minas Gerais ou, vai saber, para Califórnia. (obs: isso é apenas uma suposição…)
As regras – há muitas – são encontradas no site do Google Code Jam Latin America 2007. Se você realmente achou a piada do início do post divertida, vale a pena tentar.
(*) obs: o Google Code Jam está anunciando no Techbits. Estou escrevendo um post sobre o assunto pois pode ser de interesse de parte dos leitores do blog.